O Estado de “Israel” lançou, neste sábado (25), uma ofensiva de grande escala contra o sul do Líbano, em violação direta do cessar-fogo anunciado pelos Estados Unidos e aceito pelo governo libanês. Os ataques atingiram as cidades de Hadatha, Sultanieh, Bazourieh, Zebqin, Safad al-Battikh, al-Jmayjmeh e Yohmor al-Shqif, deixando mortos e feridos. A nova agressão confirma que a negociação direta com “Israel” não serviu em nada para proteger o povo libanês. O governo se ajoelhou diante do sionismo e recebeu, em troca, mais bombas.
Pouco antes da ofensiva, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netaniahu, anunciou que ele havia ordenado às Forças de Ocupação que atacassem o Líbano “com força”. A ordem veio depois de o presidente norte-americano Donald Trump anunciar, na quinta-feira (23), a prorrogação por três semanas do cessar-fogo entre o Líbano e a entidade sionista. O acordo inicial, de dez dias, havia entrado em vigor na semana anterior.
Segundo o Ministério da Saúde libanês, seis pessoas foram martirizadas neste sábado (25) em ataques israelenses contra o sul do país. Quatro delas morreram em dois bombardeios contra Yohmor al-Shqif. Desde a retomada da agressão israelense, em 2 de março, até 25 de abril, o balanço chegou a 2.496 mortos e 7.725 feridos.
A violência no terreno desmentiu imediatamente a propaganda feita pelos Estados Unidos. Trump afirmou que a reunião que mediou o cessar-fogo havia sido “muito boa” e classificou o encontro como “histórico”. Participaram das conversas o vice-presidente J.D. Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e representantes norte-americanos e regionais. Foi o segundo contato direto entre representantes libaneses e israelenses desde o início das conversas, em 14 de abril, e um dos primeiros contatos desse tipo em mais de três décadas.
A realidade, no entanto, mostrou o caráter farsesco da iniciativa. Enquanto diplomatas se reuniam sob comando dos Estados Unidos, “Israel” continuava bombardeando o Líbano, destruindo casas, atacando cidades e tentando impor uma ocupação permanente no sul do país. O cessar-fogo serviu apenas para dar aparência diplomática à agressão sionista.
Trump deixou claro o verdadeiro objetivo da operação política. Ao comentar a trégua, afirmou que os Estados Unidos trabalhariam com o Líbano para “protegê-lo do Hesbolá”. Ou seja, Trump não busca proteger o Líbano da ocupação israelense, mas proteger “Israel” da Resistência libanesa. A manobra consiste em pressionar o governo libanês a negociar diretamente com o inimigo, aceitar as condições impostas pelos norte-americanos e isolar o Hesbolá, única força que tem conseguido impor custos reais à ocupação.
Na quarta-feira (22), forças israelenses já haviam atacado a cidade de al-Tiri, no sul do Líbano, matando três pessoas, entre elas a jornalista Amal Khalil, do jornal Al-Akhbar. Também foram registrados bombardeios, demolições e ataques de artilharia contra outras localidades. Relatos indicam que, em al-Tiri, as forças israelenses impediram ambulâncias de chegar ao local atingido, atrasando o atendimento às vítimas.
Mesmo depois do anúncio do cessar-fogo, os ataques continuaram. A ocupação realizou bombardeios aéreos, ações de artilharia, demolições de casas, bloqueio ao socorro de feridos e operações no interior do território libanês. Imagens de satélite mostram centenas de prédios destruídos ou tornados inabitáveis no sul do Líbano. Em várias áreas, escavadeiras, veículos blindados e explosões indicam a continuidade das demolições após o anúncio da trégua.
“Israel” aplica no Líbano o mesmo método usado em Gaza: destruição sistemática, terror contra a população civil, ataques à infraestrutura, assassinato de jornalistas, pressão psicológica e tentativa de transformar regiões inteiras em zonas inabitáveis. A diferença é que, no Líbano, a ocupação enfrenta uma Resistência mais organizada e mais bem armada.
O Hesbolá denunciou desde o início a farsa do acordo. O secretário-geral da organização, Xeque Naim Qassem, classificou as negociações diretas com “Israel” como uma “concessão gratuita” ao Estado sionista e aos Estados Unidos. Para ele, ninguém tem o direito de conduzir o Líbano por esse caminho sem consenso interno. Outro dirigente do grupo, Wafiq Safa, afirmou que a Resistência não se submeterá a acordos firmados nessas condições.
O chefe do bloco Lealdade à Resistência no Parlamento libanês, Mohammad Raad, também condenou o processo. Segundo ele, qualquer cessar-fogo que permita ao inimigo ocupante abrir fogo, fortificar posições, plantar explosivos, realizar assassinatos, destruir casas ou arrasar terras dentro do Líbano não é cessar-fogo algum. Trata-se de uma manobra para encobrir a agressão israelense e iludir o povo libanês.
Raad afirmou ainda que as autoridades libanesas deveriam “se envergonhar diante de seu povo” e abandonar as negociações diretas com o inimigo sionista. Para o parlamentar, insistir nesse caminho representa um erro grave, comparável ao acordo de 17 de maio, firmado após a invasão israelense de 1982 e posteriormente derrubado pela resistência nacional.
O deputado Ali Fayyad, também do bloco Lealdade à Resistência, reforçou a denúncia. Segundo ele, não há trégua real enquanto “Israel” continua bombardeando, assassinando, atirando e destruindo cidades fronteiriças. Fayyad afirmou que o objetivo de “Israel” e dos Estados Unidos é restaurar, em forma ainda pior, a situação anterior a 2 de março, usando o cessar-fogo como pretexto para impor negociações diretas e tentar desarmar a Resistência.
A chamada “linha amarela” é parte central dessa política. Trata-se de uma zona-tampão que “Israel” tenta impor no sul do Líbano sob o pretexto de segurança. O primeiro-ministro Nawaf Salam afirmou que o Líbano não aceitará essa linha. O presidente do Parlamento, Nabih Berri, também declarou que não há “linhas amarelas, vermelhas ou verdes” aceitáveis. Na prática, porém, a negociação patrocinada pelos Estados Unidos abriu espaço para a pressão israelense continuar.
Diante das violações, o Hesbolá respondeu militarmente. A Resistência Islâmica no Líbano atacou concentrações de soldados israelenses em al-Taybeh, derrubou um VANT de reconhecimento sobre Majdal Zoun e realizou uma série de operações contra posições e veículos da ocupação. As ações foram apresentadas como resposta aos ataques contra civis em al-Tiri e às violações do espaço aéreo libanês.
Na sexta-feira (24), a Resistência derrubou um VANT israelense Hermes 450. Às 13h, realizou duas operações simultâneas contra uma concentração de tropas israelenses em Al-Cântara, no sul do Líbano, usando VANTs de ataque e confirmando acertos diretos. As operações responderam aos ataques israelenses contra civis em Quirbet Selem e Tulin.
Às 14h10, a defesa aérea do Hesbolá atingiu outro Hermes 450 sobre Al-Hoch com um míssil terra-ar, derrubando a aeronave inimiga. Às 14h30, um blindado israelense de transporte de tropas foi atingido em Ramié por um VANT de ataque. Às 18h30, em nova retaliação, a Resistência atingiu um Humvee israelense em Al-Cântara. Essa ação respondeu a um ataque israelense contra um veículo na estrada de Choukin, perto de Nabatieh, que resultou no martírio de três cidadãos.
O departamento militar de comunicação do Hesbolá também divulgou imagens de operações contra a colônia ilegal de Naharíia, no norte da Palestina ocupada, realizadas com um enxame de VANTs de ataque. Também foram divulgadas imagens de ataques contra veículos de comando israelenses em Al-Cântara e Bint Jbeil.
A continuidade das operações da Resistência aumentou a pressão sobre a ocupação no norte da Palestina ocupada. Colonos sionistas citados pela imprensa israelense afirmaram que a situação “parece muito ruim” e compararam o norte ao chamado “envelope de Gaza”, região próxima à Faixa de Gaza que se tornou alvo permanente da resistência palestina.
A própria ocupação reconheceu o impacto dos combates. Segundo informações divulgadas no material, 45 soldados israelenses foram feridos no sul do Líbano nas últimas 48 horas, e 131 desde o início do cessar-fogo. Ou seja, enquanto o governo libanês se submete às negociações dos Estados Unidos, é a Resistência que impõe um custo concreto à agressão israelense.





