A Austrália proibiu, desde dezembro, que menores de 16 anos tenham contas em redes sociais — a primeira lei do gênero no mundo. Passados alguns meses, um estudo do próprio órgão regulador do país mostrou o resultado: mais de 80% dos jovens abaixo dessa idade continuam usando as plataformas, na mesma frequência de antes. O Estado tenta agora dobrar as multas e ameaça processar as empresas.
Os adolescentes simplesmente driblaram a proibição. Usam datas de nascimento falsas, aplicativos que mascaram a localização, migram para plataformas fora da lista e burlam as verificações de idade com facilidade. Diante do aparato de controle montado pelo governo e pelas gigantes da tecnologia, a juventude respondeu com engenhosidade — e passou por cima dele.
A lei foi vendida como proteção às crianças, apelando a problemas reais como o assédio e o conteúdo nocivo que circulam nessas plataformas. Mas o remédio proposto é a censura: em vez de enfrentar a raiz do problema — o modelo de negócio das empresas, que lucram explorando a atenção e os dados dos usuários —, o Estado escolhe controlar e vigiar o acesso da juventude à informação. É a mesma burguesia que, sob o pretexto de cuidar, teme uma juventude conectada, informada e capaz de se organizar.
O episódio é revelador. Por mais recursos que mobilize, o Estado capitalista não consegue enjaular a juventude. A saída para os males das redes não está na proibição decretada de cima, e sim no combate ao sistema que transforma tudo, inclusive a comunicação entre as pessoas, em fonte de lucro. Contra a censura e o controle, a juventude tem uma arma mais poderosa que qualquer VPN: a organização.




