Uma frequentadora da Bienal do Livro de São Paulo recebeu críticas de leitores e instituições depois de incluir O Diário de Anne Frank entre suas piores leituras e chamar a obra de “vitimista”. A avaliação foi feita durante uma entrevista para uma produtora de conteúdo do TikTok e provocou manifestações do Museu do Holocausto e da Federação Israelita.
As entidades recordaram a perseguição nazista sofrida por Anne Frank e contestaram a classificação dada pela jovem ao relato. O episódio foi noticiado por O Globo em 16 de setembro. O Globo, 16/09/2026.
A importância de um documento histórico não determina a reação de cada leitor. A jovem pode rejeitar o livro, considerar sua escrita ruim ou discordar das avaliações consagradas sobre ele. Essa opinião não equivale à negação do Holocausto e não pode justificar punição.
Os críticos têm todo o direito de discutir o que ela disse. O que não se pode exigir é uma declaração de respeito obrigatório ao livro como condição para participar do debate. Museus, federações e especialistas dispõem de argumentos e de espaço para apresentá-los; seu prestígio não lhes concede poder de veto sobre o julgamento de uma leitora.
Anne Frank começou o diário aos 13 anos. Escrito entre junho de 1942 e agosto de 1944, ele registra o período em que a adolescente permaneceu escondida com a família durante a ocupação nazista da Holanda.





