Três policiais militares foram presos durante a Operação Vinculum, que investiga as mortes de Kaíque Reis dos Santos, de 16 anos, e Mateus Daniel Chagas da Silva, de 21, em Salvador.
Outros três agentes também são investigados. O Ministério Público da Bahia afirma que as provas reunidas apontam para a execução dos dois jovens e para a posterior alteração da cena do crime.
As mortes ocorreram em setembro de 2025, no bairro de São Marcos.
Na ocasião, a Polícia Militar afirmou que seus agentes faziam rondas quando foram recebidos a tiros. De acordo com a versão apresentada pela corporação, os policiais reagiram e depois levaram os dois baleados ao Hospital Geral Roberto Santos.
Moradores contestaram o relato. Um vídeo divulgado nas redes mostrou os jovens desacordados sendo retirados da região por policiais e enrolados em lençóis.
Joselita dos Santos Cruz, mãe de Kaíque, afirmou que o filho estudava, trabalhava em uma barbearia e começaria um novo emprego no dia seguinte. Ela declarou que o adolescente levantou as mãos após receber uma ordem dos policiais e, mesmo assim, foi baleado.
A investigação aponta agora para execução seguida de fraude processual destinada a sustentar a versão de confronto armado.
Foram presos a soldada Jamile Maiara Reis dos Santos, o cabo Arailton Climério Ferreira Júnior e o soldado Tiago Costa Oliveira. Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em Salvador e Lauro de Freitas.
O procedimento denunciado pela investigação é conhecido nas operações policiais: depois da morte, registra-se um suposto confronto e a primeira versão apresentada ao público é justamente a dos agentes envolvidos.
A Polícia Militar e a guerra às drogas criam condições permanentes para esse tipo de ação nos bairros pobres. Operações com armamento pesado são realizadas em áreas residenciais sob o argumento de combater o comércio clandestino.
É preciso acabar com a Polícia Militar e legalizar todas as drogas. A proibição sustenta o mercado clandestino utilizado para justificar a ocupação armada das comunidades.



