“Israel” realizou neste sábado (1º) uma nova série de ataques contra a Faixa de Gaza, assassinando pelo menos sete palestinos e destruindo depósitos de medicamentos ligados ao Hospital dos Mártires de Al-Aqsa, em Deir al-Balah. A agressão ocorre logo após o anúncio de um novo entendimento entre as organizações da resistência palestina e os mediadores sobre as próximas etapas do cessar-fogo.
Durante a madrugada, o ataque sionista atingiu quatro depósitos utilizados pelo hospital. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, dois foram completamente destruídos e os outros dois ficaram seriamente danificados. A clínica ambulatorial localizada ao lado também foi atingida.
Os depósitos armazenavam medicamentos, soros e materiais utilizados em diálise e unidades de terapia intensiva. Parte significativa desses suprimentos foi perdida.
“Quando a ocupação combate as pessoas destruindo medicamentos e impedindo a entrada de remédios, transforma o próprio medicamento e a doença em instrumentos de guerra”, denunciou Munir al-Bursh, diretor-geral do Ministério da Saúde de Gaza.
O ataque abriu uma grande cratera nas proximidades do hospital e atingiu tendas onde viviam palestinos expulsos de outras partes da Faixa. Algumas delas pegaram fogo. As famílias que permaneciam no local foram obrigadas a se deslocar novamente.
O Hospital dos Mártires de Al-Aqsa é uma das poucas unidades do centro da Faixa de Gaza que ainda conseguem receber grandes quantidades de pacientes depois de quase três anos de destruição sistemática do sistema de saúde palestino.
O exército sionista procurou justificar o ataque criminoso afirmando que teria atingido cinco depósitos de armas do Hamas durante a madrugada e que um deles estaria próximo ao hospital.
Ataques deixam sete mortos
Os bombardeios deste sábado atingiram diferentes regiões da Faixa de Gaza.
Na Cidade de Gaza, um drone assassinou dois palestinos no bairro de Sheikh Radwan. Outros dois foram mortos quando um drone atingiu o teto de uma residência na região de al-Reis. Um quinto palestino morreu em um ataque contra a rua al-Thalatini.
Em Deir al-Balah, outro ataque de drone matou um palestino. Mais ao sul, uma pessoa foi assassinada próximo a uma escola na região de al-Mawasi, ao norte de Khan Younis.
O Ministério da Saúde de Gaza informou que sete palestinos foram mortos e 76 ficaram feridos nas últimas 48 horas. Outra pessoa morreu em decorrência de ferimentos provocados anteriormente.
Desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em outubro de 2025, “Israel” já matou 1.222 palestinos e feriu outros 4.053. Nesse mesmo período, os serviços de emergência recuperaram os corpos de outras 804 pessoas.
Desde o início da atual etapa do genocídio, em 7 de outubro de 2023, o número oficial de palestinos mortos chegou a 73.349, enquanto 174.162 foram feridos.
Os números continuam aumentando também com a retirada de corpos dos escombros deixados pelos bombardeios anteriores. A Defesa Civil palestina concluiu recentemente as buscas em uma residência destruída pelas tropas sionistas no bairro de Sabra, na Cidade de Gaza.
No local, foram encontrados os restos mortais de 112 pessoas, entre elas 40 crianças e 38 mulheres. Outras 157 continuam desaparecidas. Segundo os responsáveis pelas buscas, a violência das explosões deixou parte dos corpos presa entre concreto e estruturas de ferro, dificultando sua recuperação.
Ataque ocorre após acordo
A nova agressão sionista ocorre após o anúncio, na quinta-feira (31), de um entendimento sobre as próximas etapas do acordo de cessar-fogo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou o resultado das negociações como um acordo “histórico” para o suposto “desarmamento completo” do Hamas e das demais organizações armadas palestinas.
A versão divulgada por Trump e reproduzida pela imprensa imperialista, no entanto, não corresponde ao conteúdo do documento.
Conforme revelou anteriormente o Diário Causa Operária, o Hamas não aceitou entregar suas armas a “Israel”, aos Estados Unidos ou a qualquer outra potência estrangeira.
O artigo 8º do documento de implementação do acordo de Xarm el-Xeique prevê um processo para inventariar e armazenar armas pesadas, depósitos, túneis e outras estruturas militares. As armas permaneceriam sob controle palestino e o próprio texto determina que não sejam entregues a “Israel” nem a qualquer parte não palestina.
A aplicação dessas medidas também está condicionada às demais etapas previstas nas negociações, particularmente a retirada das tropas sionistas da Faixa de Gaza.
Não houve, portanto, a capitulação do Hamas anunciada pela imprensa burguesa. A posição da organização permanece a mesma: qualquer discussão sobre o armamento palestino está vinculada ao fim da ocupação e à retirada de “Israel” de Gaza.
Neste sábado, representantes do Hamas e da Jiade Islâmica reuniram-se no Cairo e reafirmaram essa posição. As duas organizações exigiram o fim dos ataques e assassinatos, a retirada completa das tropas sionistas da Faixa e a entrada dos suprimentos necessários à população palestina.





