Cerca de 100 soldados e oficiais da Brigada Givati, uma das tropas de elite do exército sionista, deixaram os fuzis para trás e saíram sem autorização da base militar de Sde Teiman, no deserto do Negev, na quinta-feira (30). O episódio, tratado pela imprensa israelense como um raro “motim”, tirou o batalhão da lista de prontidão bem no momento em que ele se preparava para novas operações em Gaza.
A revolta não nasceu de escrúpulo algum diante dos crimes cometidos ali. Os soldados saíram aos gritos de “ao inferno com os oficiais” depois que o comando mandou remover e destruir símbolos do batalhão — segundo a imprensa local, insígnias com imagens de “Satã” e do “anjo da morte” ligadas a rituais de humilhação de recrutas. Um comandante chegou a despedaçar uma delas com uma marreta de cinco quilos. O exército de ocupação limitou-se a dizer que o caso “não condiz com os valores” da tropa.
Sde Teiman é uma prisão militar tristemente célebre pela tortura de palestinos. Relatos de ex-detidos, denúncias de organizações de direitos humanos e até depoimentos de soldados israelenses documentaram espancamentos, negligência médica, abusos sexuais — incluindo o estupro de um preso com uma barra de metal — e mortes sob custódia. O lugar já foi comparado à prisão norte-americana de Guantánamo. Segundo entidades palestinas, mais de 9.600 palestinos estão hoje presos por “Israel”, entre eles cerca de 350 crianças e 84 mulheres, sob tortura e maus-tratos.
Que os carrascos dessa masmorra larguem os postos por causa de insígnias, e não pelos crimes que cometem, expõe a moral do exército sionista. Mas o motim também revela a desmoralização que corrói as tropas de ocupação, esgotadas por uma guerra genocida sem fim à vista. Essa decomposição interna é, antes de tudo, fruto da resistência do povo palestino e do peso da própria barbárie que esse exército foi criado para executar. Denunciar Sde Teiman e exigir a soltura dos presos palestinos é dever de todos os que estão ao lado dos oprimidos contra os seus algozes.





