As organizações da Resistência Palestina prestaram homenagem, nesta sexta-feira (31), a Ismail Hanié, assassinado há dois anos pelo Estado sionista em Teerã. Antigo chefe do birô político do Hamas, Hanié, conhecido também como Abu al-Abed, foi lembrado por sua atuação em defesa da unidade nacional e da luta contra a ocupação.
Em nota, o Hamas definiu Hanié como “uma figura nacional excepcional, que deixou um legado profundo e permanecerá gravado na memória nacional palestina”. O Movimento destacou ainda que sua atuação o transformou em “um símbolo nacional unificador raramente igualado na história moderna da Palestina”.
Os Comitês da Resistência Palestina afirmaram que Hanié se distinguia pela capacidade de colocar a causa nacional acima das disputas entre as organizações. Segundo o grupo, honrar sua memória e a de seus familiares assassinados por “Israel” exige reforçar a unidade do povo palestino em torno da Resistência.
As organizações renovaram o compromisso com a libertação da Palestina, o retorno dos milhões de expulsos de suas terras e a recuperação de todos os direitos nacionais do povo palestino.
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Militância estudantil e perseguição sionista
Ismail Hanié iniciou sua atividade política no Bloco Islâmico, organização estudantil da qual surgiria o Hamas. Entre 1983 e 1984, integrou o conselho de estudantes da Universidade Islâmica de Gaza. No ano seguinte, foi eleito presidente da entidade.
Em 1989, foi preso pelas forças de ocupação e permaneceu três anos nas masmorras sionistas. Após ser libertado, foi deportado para Marj al-Zuhur, no sul do Líbano, juntamente com dezenas de integrantes do Hamas.
Hanié retornou à Faixa de Gaza depois de cerca de um ano no exílio e passou a trabalhar na Universidade Islâmica. Em 1997, assumiu a chefia do gabinete do fundador do Hamas, xeique Ahmad Iacine, após sua libertação das prisões de “Israel”.
Sua projeção dentro do Movimento cresceu durante os anos seguintes. Após o assassinato de Abdel Aziz al-Rantissi, em 2004, Hanié assumiu a direção do Hamas na Faixa de Gaza.
Vitória eleitoral e cerco imperialista
Em dezembro de 2005, Hanié encabeçou a lista Mudança e Reforma nas eleições legislativas palestinas. A chapa apoiada pelo Hamas conquistou a maioria das cadeiras no pleito de janeiro de 2006, derrotando o Fatá.
No mês seguinte, Hanié foi indicado e empossado como primeiro-ministro. A vitória do Hamas, porém, foi rejeitada por “Israel”, pelos Estados Unidos e pelas potências europeias, que impuseram sanções e intensificaram o bloqueio contra a população palestina.
O resultado das urnas contrariava o plano imperialista de manter os territórios ocupados sob o controle de uma direção subordinada aos interesses sionistas. A partir de então, o governo eleito passou a sofrer uma campanha permanente de isolamento e derrubada.
Em maio de 2017, Hanié sucedeu Khaled Meshaal na chefia do birô político do Hamas. No cargo, tornou-se um dos principais representantes do Movimento no exterior e participou de negociações políticas sem abandonar a defesa da luta armada contra a ocupação.
A perseguição sionista o acompanhou durante décadas. Em 2003, escapou de um bombardeio contra uma reunião de integrantes da Resistência. Diversas outras tentativas de assassinato foram realizadas nos anos seguintes.
O Dilúvio de al-Aqsa
No dia 7 de outubro de 2023, após o início da Operação Dilúvio de al-Aqsa, Hanié apareceu ao lado de outros membros da direção do Hamas em Doha. O grupo acompanhava as notícias da tomada de bases e veículos militares sionistas pelos combatentes das Brigadas al-Qassam. Em seguida, Hanié conduziu uma oração em agradecimento pela vitória obtida naquele dia.
Durante o genocídio na Faixa de Gaza, “Israel” assassinou dezenas de integrantes de sua família. Em 10 de abril de 2024, um bombardeio contra um automóvel no campo de refugiados de al-Shati matou três de seus filhos e vários netos. Eles visitavam parentes durante as comemorações do Eid al-Fitr.
Em 24 de junho, outro ataque sionista destruiu a residência da família em al-Shati e matou dez pessoas, entre elas uma irmã de Hanié.
O chefe do Hamas respondeu aos crimes afirmando que seus parentes não tinham um sangue mais valioso do que o das demais vítimas palestinas.
“Quase 60 membros de minha família descansam como mártires, assim como os filhos da Palestina. Eles não são diferentes”, declarou.
Hanié afirmou que “Israel” procurava atingir os familiares das lideranças para quebrar a disposição de luta do povo palestino. “O sangue de meus filhos e netos não é mais precioso do que o sangue dos filhos do povo palestino”, disse após o ataque de abril.
Martírio em Teerã
Ismail Hanié foi assassinado em 31 de julho de 2024, durante um ataque sionista contra o local onde estava hospedado em Teerã. Horas antes, havia participado da posse do presidente iraniano.
O crime ocorreu em território da República Islâmica e procurou golpear simultaneamente o Hamas, o Irã e o conjunto das organizações que combatiam o genocídio na Faixa de Gaza.
Dez anos antes de seu martírio, durante a agressão sionista de 2014, Hanié havia resumido sua posição diante do cerco imposto ao povo de Gaza:
“Somos um povo que declara vitória quando nos impõem um cerco. Caso pretendam quebrar a vontade de Gaza e de seu povo, saibam que nos ajoelhamos apenas diante de Deus. Todo dirigente, dentro ou fora da Palestina, deve compreender a mensagem de nosso povo: somos um povo que estima a morte como nossos inimigos estimam a vida; estimamos o martírio no caminho de nossos líderes como outros estimam os cargos políticos. Fiquem com todos os cargos que desejarem e nos devolvam nossa pátria.”





