Iêmen

Reação do Ansar Alá: o Eixo da Resistência mais forte do que nunca

Forças iemenitas atacam instalações petrolíferas sauditas e ampliam o bloqueio marítimo em resposta aos bombardeios contra Hodeida e Kamaran

As Forças Armadas Iemenitas atacaram instalações da petrolífera Aramco em Jizan e Yanbu, na Arábia Saudita, em resposta aos novos bombardeios sauditas contra o Iêmen. As operações empregaram dezenas de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones.

Segundo o porta-voz militar iemenita, general de brigada Iahia Saria, instalações consideradas sensíveis da Aramco foram atingidas diretamente nas duas cidades. Os ataques ocorreram depois de a aviação saudita bombardear o porto e a cidade de Hodeida, além da ilha de Kamaran, durante a madrugada.

As defesas aéreas do Iêmen também enfrentaram um grupo de aviões sauditas que invadiu o espaço aéreo do país. De acordo com Saria, a reação obrigou as aeronaves a recuar e impediu a realização de novos ataques.

“Este inimigo criminoso não encontrará de nossa parte outra coisa além da resistência e do enfrentamento, apoiados em nossa posição justa, enquanto ele se encontra ao lado da falsidade. E a falsidade está destinada a desaparecer”, declarou o porta-voz.

O governo de Saná anunciou ainda que manterá o bloqueio naval imposto à Arábia Saudita e poderá ampliar suas operações caso Riad prossiga com os bombardeios e com o cerco econômico ao território iemenita.

“Não hesitaremos em expandir nossas operações e intensificar nossas ações de acordo com os acontecimentos das próximas horas e dos próximos dias, dentro da equação de bloqueio por bloqueio e escalada por escalada”, afirmou Saria.

Petróleo saudita sob ataque

As ações contra Jizan e Yanbu atingem diretamente um dos principais pontos de sustentação da monarquia saudita: sua indústria petrolífera. A Aramco é responsável pela maior parte da produção e das exportações de petróleo do país.

A campanha iemenita também alcançou os navios ligados à Arábia Saudita. No dia 28 de julho, as Forças Armadas atacaram o petroleiro NCC GHAZAL depois que a embarcação desrespeitou a proibição de navegação determinada por Saná. O navio foi atingido por mísseis balísticos e obrigado a recuar.

As autoridades iemenitas ameaçam impor novas restrições à navegação saudita no Estreito de Bab al-Mandeb, passagem que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Entre as medidas cogitadas está a cobrança pela passagem de embarcações ligadas aos inimigos do Iêmen.

A resposta de Riad foi anunciar a formação de uma aliança naval multinacional para proteger o transporte de mercadorias e de energia no Mar Vermelho. A iniciativa seria dirigida pela própria Arábia Saudita, que também abrigaria seu quartel-general.

Representantes de 43 países e da União Europeia participaram de uma reunião sobre o projeto. Apenas 14 governos divulgaram apoio formal à iniciativa, entre eles Turquia, Paquistão, Egito, Sudão e Djibuti. Omã e Emirados Árabes Unidos não apareceram na lista.

O Estreito é vital para a circulação das mercadorias que sustenta o regime capitalista internacional, daí a importância dessa rota para os distintos governos da burguesia mundial.

A monarquia saudita, que bombardeou o Iêmen durante anos contando com a superioridade de seus aviões e armamentos importados, agora procura reunir uma coligação internacional para defender seus petroleiros, portos e instalações industriais – ao mesmo tempo em que defende os interesses dos grandes capitalistas internacionais.

Doze anos de bloqueio

A atual ofensiva do Ansar Alá é resultado de mais de uma década de guerra contra o povo iemenita. Desde 2015, a Arábia Saudita atua como principal instrumento do imperialismo para esmagar a revolução que tomou conta de um terço do território iemenita, incluindo a capital Saná, e engloba mais de dois terços da população nacional.

Bombardeios contra aeroportos, portos, estradas, hospitais e instalações de abastecimento foram acompanhados por um bloqueio destinado a provocar fome, desorganizar a economia e obrigar o país a se render.

Em agosto de 2016, a coligação saudita fechou o espaço aéreo iemenita e impediu a realização de voos comerciais pelo Aeroporto Internacional de Saná. O aeroporto atende a região onde vive cerca de 80% da população do país, aproximadamente 20 milhões de pessoas.

O ataque recente contra o aeroporto demonstra que Riad pretende manter o cerco. Mohammad Abdul Salam, chefe da delegação iemenita responsável pelas negociações com a Arábia Saudita, afirmou que a monarquia só admite a reabertura das instalações sob seu próprio controle.

Abdul Salam acusou o governo saudita de agir com “mentira, arrogância, malícia e agressão” e declarou que o regime se parece com “Israel” em todos esses aspectos. Segundo ele, os ataques contra Hodeida e Kamaran não ficarão sem resposta.

“Obrigar o povo iemenita a se render é impossível, e o lado saudita deve levantar o bloqueio”, declarou Nasser al-Amer, dirigente da agência de notícias estatal SABA.

 

Durante muitos anos, o povo iemenita precisou se defender com os meios disponíveis contra uma das monarquias mais ricas e mais bem armadas pelo imperialismo. Mesmo assim, a Arábia Saudita não conseguiu derrotar o Ansar Alá nem restabelecer no país um governo completamente subordinado aos Estados Unidos.

A força adquirida na luta

A situação atual mostra o quanto o Iêmen se fortaleceu durante esse período. As Forças Armadas do país possuem hoje condições de atacar instalações estratégicas a centenas de quilômetros de distância, derrubar aeronaves inimigas e interromper a navegação de uma das maiores potências petrolíferas do mundo.

O apoio do Irã foi fundamental para que o Ansar Alá desenvolvesse sua capacidade militar e enfrentasse o bloqueio. A luta travada pela Resistência Palestina e pelo Hesbolá nos últimos três anos também ampliou a ofensiva regional contra o imperialismo e o sionismo.

Desde o início do genocídio em Gaza, o governo revolucionário do Iêmen assumiu um papel direto na defesa da Palestina. Suas forças atacaram navios ligados a “Israel”, atingiram alvos no território ocupado e enfrentaram as embarcações de guerra enviadas pelos Estados Unidos e pela Inglaterra ao Mar Vermelho.

Mesmo submetido a bombardeios norte-americanos e britânicos, o Ansar Alá manteve suas operações. A intervenção imperialista não conseguiu abrir completamente as rotas marítimas para “Israel” nem intimidar a população iemenita.

A experiência adquirida nessa luta é empregada agora contra a Arábia Saudita. Em vez de apenas suportar os ataques, Saná passou a responder diretamente contra a economia e a infraestrutura militar do agressor.

A política conta com amplo apoio popular. Uma multidão ocupou as ruas de Saná e de outras províncias sob a palavra de ordem “bloqueio por bloqueio, escalada por escalada”. Os manifestantes apoiaram as medidas adotadas pelo dirigente do Ansar Alá, Saied Abdul Malik al-Houthi, para obrigar a Arábia Saudita a suspender o cerco.

Os atos também reafirmaram o apoio à Palestina, à Mesquita de al-Aqsa e à unidade entre as diferentes frentes da Resistência. Para os manifestantes, o custo do enfrentamento é inferior ao preço de permanecer submetido a uma monarquia que atua como instrumento do imperialismo e do sionismo.

Durante mais de uma década, a reacionária monarquia saudita atacou um dos povos mais pobres do mundo sem sofrer consequências equivalentes. Agora, refinarias, portos, aeroportos e petroleiros sauditas estão ao alcance dos mísseis iemenitas, enquanto Saná ameaça estender o bloqueio às rotas que atravessam Bab al-Mandeb.

Viva o Eixo da Resistência! Glória à revolução iemenita!

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