A esquerda pequeno-burguesa voltou a apresentar a frente ampla como solução para derrotar a extrema direita. Diante do crescimento da direita, seria necessário abandonar uma política independente da classe trabalhadora e formar uma aliança com setores da burguesia em defesa da democracia.
Foi exatamente essa política que levou a classe operária europeia a derrotas históricas diante do fascismo.
Na Alemanha, diante do crescimento do nazismo, financiado pelos grandes capitalistas, a social-democracia colocou todas as suas esperanças na defesa das instituições burguesas. Foi assim que apoiou Hindenburg para a Presidência, apresentado como uma barreira contra Hitler. Foi o próprio Hindenburg, no entanto, quem entregou o governo aos nazistas.
Do outro lado, o Partido Comunista recusava a unidade com os trabalhadores social-democratas para enfrentar os fascistas. O resultado dessa política foi o completo desarmamento da classe operária alemã. Hitler chegou ao poder em 1933 sem encontrar uma resistência organizada à altura e, em seguida, destruiu os sindicatos e as organizações operárias, prendendo e assassinando comunistas e socialistas.
Enquanto isso, Trótski defendia outra política: a frente única das organizações operárias para mobilizar os trabalhadores contra o fascismo. Era preciso unir a classe operária para esmagar as organizações fascistas, e não depositar confiança nos mesmos capitalistas que financiavam a reação.
Na França, em 1936, a política de colaboração com a burguesia reapareceu na Frente Popular, formada por comunistas, socialistas e pelo Partido Radical, uma organização burguesa. A vitória eleitoral foi seguida por uma gigantesca mobilização operária. Mais de 10 mil fábricas foram ocupadas apenas na região de Paris.
Era o início de uma revolução. Em vez de levá-la adiante, os partidos da Frente Popular atuaram para desmobilizar os trabalhadores e encerrar as greves em troca de concessões feitas pela burguesia para salvar a ordem capitalista. Poucos anos depois, os capitalistas franceses preferiram entregar o país a Hitler a permitir que os trabalhadores avançassem.
Na Espanha, a política de Frente Popular teve igualmente consequências desastrosas. Em nome da unidade com setores burgueses contra o fascismo, a revolução foi contida e as organizações operárias foram perseguidas. O resultado foi a vitória de Franco e uma ditadura que duraria até 1975.
A mesma política criminosa aplicada por Stálin no século passado está sendo defendida hoje no Brasil. A ideia de que o fascismo pode ser enfrentado por meio de uma aliança com o latifúndio, os grandes capitalistas e os partidos tradicionais da direita é uma fraude.
A burguesia não é uma aliada contra o fascismo. Quando seus interesses estão ameaçados pela mobilização dos trabalhadores, ela própria recorre à extrema direita. A frente ampla não prepara a classe operária para enfrentar essa ameaça. Ao contrário: impede sua organização independente e a coloca a reboque justamente daqueles que, diante do aprofundamento da crise, poderão recorrer ao fascismo contra ela.





