Em 21 de setembro de 2014, os combatentes do Ansar Alá entraram em Saná, forçaram a renúncia do primeiro-ministro e deram início à derrubada do governo títere imposto pela Arábia Saudita. Doze anos depois, a Revolução Iemenita está mais forte do que nunca.
O Ansar Alá não surgiu de um exército profissional equipado por uma grande potência. Seus guerrilheiros e apoiadores vieram das tribos pobres, do campo, dos bairros operários e da juventude. Muitos eram agricultores ou trabalhadores urbanos. No país mais pobre do Oriente Médio, começaram a luta com armamento leve e poucos recursos.
Em março de 2015, a monarquia saudita iniciou a guerra de agressão para esmagá-los. A coalizão anunciada por Riade recebeu armas, informações militares, dinheiro e apoio político dos Estados Unidos e do Reino Unido. Seu objetivo era devolver o poder ao tirano Abdrabbuh Mansur Hadi, que fugiu do Iêmen e passou a comandar, do território saudita, um governo fantoche. A chamada administração reconhecida internacionalmente serviu de cobertura para uma ocupação realizada, na prática, pela Arábia Saudita e o imperialismo.
Os crimes dessa agressão atingiram toda a população. Aviões sauditas bombardearam escolas, hospitais, mercados, casamentos, funerais e bairros residenciais. Em 2016, um ataque contra um funeral em Saná matou e feriu centenas de pessoas. Dois anos depois, uma bomba atingiu um ônibus escolar em Daiane. O bloqueio dos portos e aeroportos impediu a entrada de comida, remédios e combustível, agravando a fome e as epidemias. O imperialismo promoveu um genocídio usando a monarquia saudita como executora.
Nem os bombardeios nem o bloqueio destruíram a resistência. O Ansar Alá ganhou experiência, organizou um exército e passou a fabricar seus próprios armamentos. Com o apoio da Revolução Islâmica iraniana, desenvolveu mísseis balísticos e aviões não tripulados capazes de atingir instalações militares e econômicas no interior da Arábia Saudita. A enorme superioridade inicial dos invasores foi sendo anulada.
A revolução palestina dirigida pelo Hamas levou essa luta a outro nível. Diante do massacre cometido por “Israel” em Gaza, os iemenitas não ficaram apenas nas declarações diplomáticas. Atacaram os territórios ocupados e os navios ligados aos sionistas. Ao bloquear a passagem pelo estreito de Babelmândebe, o Ansar Alá dificultou o comércio no Mar Vermelho e atingiu diretamente os interesses econômicos dos imperialistas.
Os Estados Unidos e o Reino Unido enviaram navios de guerra e bombardearam o Iêmen para proteger “Israel”. Mesmo assim, não conseguiram interromper as operações iemenitas. Um movimento formado pelos setores mais pobres do país enfrentou a frota norte-americana sem abandonar o apoio à Palestina.
Dentro do Iêmen, a luta pela expulsão definitiva dos sauditas também avançou. O Ansar Alá recuperou territórios estratégicos, assegurou o controle da costa do Mar Vermelho e lançou uma nova ofensiva contra as tropas sustentadas por Riade. Ao mesmo tempo, seus mísseis balísticos voltaram a atingir a Arábia Saudita, ensaiando o que pode ser uma intensa desestabilização da própria monarquia.
O povo saudita (e os povos de toda a região) só têm o que comemorar.
Agricultores, trabalhadores, jovens e integrantes das tribos iemenitas fizeram o que os governos árabes submissos ao imperialismo se recusaram a fazer: pegaram em armas contra os invasores e defenderam o povo palestino. O Ansar Alá prova aos oprimidos do mundo inteiro que a aparente fragilidade de um povo esfarrapado não decide uma guerra. A vitória é possível e chegará.
Viva o povo do Iêmen! Viva o Ansar Alá! Viva os 12 anos da Revolução Iemenita!





