A CPMI do INSS aprovou nesta quinta-feira (26), em sessão marcada por tumulto e denúncias de fraude na contagem dos votos, a quebra do sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A votação, contestada pelo PT, é mais um episódio que expõe a vulnerabilidade cada vez maior do governo e coloca no ar uma pergunta que poucos na esquerda fazem: Lula será candidato em 2026?
O governo está sob ataque em várias frentes. A imprensa burguesa não dá trégua, nessas condições, qualquer acusação é espalhada com facilidade, e o escândalo do INSS, que já envolve nomes próximos ao governo, não será exceção. O PT pode contestar a contagem dos votos na CPMI, pode denunciar irregularidades na presidência do colegiado, mas não apaga o fato de que o nome do filho do presidente agora está formalmente no centro de uma investigação parlamentar.
A burguesia deixou claro há muito tempo que sua política é “nem Lula nem Bolsonaro”. Não quer o PT no poder não porque tenha medo de uma ruptura com o sistema, mas porque prefere um governo que não precise administrar uma base eleitoral operária, por mais domesticada que ela esteja. Flávio Bolsonaro se movimenta nessa direção: faz acenos ao mercado financeiro, apresenta-se como candidato do sistema e tenta descolar o bolsonarismo de sua imagem antissistema original para se tornar palatável ao grande capital. Pode ganhar a eleição.
O PT, por sua vez, faz o caminho inverso. Para ampliar sua coalizão eleitoral, costura alianças com Eduardo Paes no Rio de Janeiro, cogita Rodrigo Pacheco em Minas Gerais e chegou a aventar Simone Tebet em São Paulo, figuras ligadas ao grande capital, estranhas à base que elegeu Lula em 2022. Esses nomes podem trazer votos de setores da pequena burguesia e conservadores, mas afastam a militância e desmoralizam quem ainda vê no PT alguma alternativa.
O resultado é uma militância desanimada. Na hora H, o militante vai votar porque é antibolsonarista, porque acha que qualquer coisa é melhor que Flávio Bolsonaro, mas vai votar por dever de ofício, sem convicção e sem disposição para arrastar ninguém. Esse é um problema grave, e fica oculto nas pesquisas porque a intenção de voto ainda aparece, mas o entusiasmo que move campanhas, não.
A eleição de 2022 deixa isso claro. Quando a campanha ia mal, Lula saiu a campo com uma roupagem mais à esquerda — e ganhou. Agora, governa com uma política completamente direitista, com o Banco Central nas mãos de Galípolo aumentando a taxa de juros para 15% ao ano e a política externa se curvando a Trump. Esse é o governo que vai pedir votos à classe trabalhadora.
Além disso, o PT tem um problema que nenhuma aliança eleitoral resolve: não é capaz de mobilizar. Ficou claro no golpe de 2016, quando não chamou o povo às ruas para defender Dilma Rousseff. Ficou claro nos atos em defesa da Palestina e da Venezuela, onde a militância petista brilhou pela ausência. Um partido que não mobiliza nas ruas não tem força real, tem votos, e votos podem virar contra.
A pergunta, portanto, não é apenas se Lula vai ganhar. É se Lula vai ser candidato, e em que condições chegará a 2026 se o governo continuar no rumo atual.





