Editorial

Imperialismo mira financiamento da resistência

Medida de Trump mira o controle financeiro internacional e expõe a pressão dos EUA contra a soberania brasileira e a resistência anti-imperialista

Donald Trump declarou o Comando Vermelho e o PCC “organizações terroristas”. Em primeiro lugar, é preciso denunciar o próprio método. Os Estados Unidos se arrogam o direito de determinar quem deve ser processado e perseguido em qualquer parte do mundo e usam esse instrumento para justificar ações ilegais fora de seu território.

Foi assim que o imperialismo norte-americano tratou o Hesbolá, classificado como “terrorista” para permitir perseguições políticas, bloqueios financeiros e operações à margem de qualquer legalidade. O mesmo expediente agora é usado contra organizações brasileiras, como se o governo dos Estados Unidos tivesse jurisdição sobre o Brasil.

A imprensa burguesa reagiu com alarde, mas deixou de lado o aspecto principal da medida. A própria Embaixada dos Estados Unidos divulgou uma nota esclarecedora: a maior parte das consequências da classificação diz respeito à movimentação de dinheiro e ao sistema bancário. O problema central, portanto, não é uma suposta preocupação dos Estados Unidos com o crescimento do Comando Vermelho ou com o PCC, mas o controle sobre as finanças internacionais.

A classificação permite que os Estados Unidos e os países imperialistas da Europa atuem contra instituições financeiras em escala mundial. A preocupação central do imperialismo é impedir que países como Rússia, China, Irã, Coreia do Norte e outros apoiem organizações da resistência que enfrentam a dominação imperialista. O alvo real é o sufocamento financeiro do Hesbolá, do Hamas e de outras forças que combatem os interesses dos Estados Unidos e de seus aliados em várias partes do mundo.

Há também objetivos econômicos evidentes. Um dos alvos apontados é o Pix. A Câmara de Comércio dos Estados Unidos defendeu medidas contra produtos brasileiros e alegou que o sistema brasileiro de pagamentos representa concorrência desleal às bandeiras de cartão de crédito. O Pix incomoda não por ser “desleal”, mas simplesmente por concorrer com os monopólios financeiros norte-americanos. Sob o pretexto do combate ao crime, o que aparece são os interesses do capital financeiro imperialista.

A medida também expõe o fracasso da política externa subserviente do governo brasileiro. Durante semanas, a militância petista apresentou a reunião entre Lula e Trump como uma vitória diplomática, repetindo os sorrisos, o aperto de mãos e as fotografias. A resposta dos Estados Unidos veio na forma da classificação das facções brasileiras e de novas ameaças comerciais contra o País.

A política de conciliação com o imperialismo não entrega ao Brasil soberania nem respeito. Entrega pressão, chantagem e humilhação. A defesa da soberania nacional exige denunciar o cerco financeiro imposto pelos Estados Unidos, tanto contra o Brasil quanto contra as organizações que enfrentam a dominação imperialista em outros países.

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