Guerra no Oriente Próximo

Irã responde agressão imperialista e bombardeia alvos dos EUA pela 3ª noite seguida

Bases no Cuaite e no Barém e radares em Omã foram atingidos após novos bombardeios norte-americanos contra portos e instalações econômicas do Irã

O Irã lançou uma nova série de ataques contra instalações militares dos Estados Unidos no Golfo Pérsico na noite desta segunda-feira (13). A operação respondeu à terceira noite consecutiva de bombardeios norte-americanos contra o território iraniano.

Bases dos EUA no Cuaite e no Barém, sistemas de radar instalados em Omã e uma embarcação militar norte-americana foram atingidos pelas Forças Armadas iranianas. Segundo os comunicados oficiais, os ataques destruíram equipamentos de comunicação, depósitos de combustível e munição, baterias de defesa antiaérea Patriot, torres de controle e radares de longo alcance.

A nova rodada de combates ocorre após o que até agora tem sido o fim do cessar-fogo estabelecido em junho e a retomada das agressões diretas dos Estados Unidos contra o Irã. O governo de Donald Trump também procura impor um bloqueio naval contra navios iranianos e assumir o controle militar do Estreito de Ormuz.

EUA atacam portos e instalações econômicas

O Comando Central dos Estados Unidos confirmou a realização da terceira noite de ataques por ordem de Trump. O órgão alegou que a operação procura reduzir a capacidade iraniana de realizar ações no Estreito de Ormuz.

Os alvos, porém, não se limitaram a instalações militares. A televisão estatal iraniana registrou explosões em Bandar Abbas e na ilha de Kish. Também foram registrados ataques contra Qeshm, Abu Musa, Chabahar e a cidade de Jam, na província de Bushehr.

Na ilha de Kish, seis explosões foram ouvidas. Três embarcações atracadas no porto de passageiros pegaram fogo. A agência iraniana Fars informou que o cais de passageiros estava entre os alvos dos bombardeios.

Segundo o correspondente da rede Al Mayadeen no Irã, os ataques atingiram portos, instalações de transporte e estruturas econômicas situadas ao longo da costa iraniana. O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) denunciou ainda que as forças norte-americanas atingiram uma bomba de água utilizada na agricultura na cidade de Mahshahr.

Os ataques demonstram que a ofensiva norte-americana não está dirigida somente contra instalações militares. Portos e estruturas econômicas necessárias ao funcionamento do país também estão sendo bombardeados.

Bases norte-americanas atingidas

Na quinta fase das operações de represália, as forças navais do CGRI lançaram mísseis e drones contra sistemas de radar mantidos pelos Estados Unidos em Omã.

Um radar FPS de alerta antecipado e outro equipamento destinado à identificação de embarcações foram destruídos, segundo o comunicado iraniano.

Ao mesmo tempo, instalações norte-americanas na base de al-Juffair, no Barém, foram bombardeadas. O CGRI informou que incêndios continuavam no local após os ataques.

O Exército iraniano também lançou ondas de drones contra bases dos EUA no Cuaite. Sistemas de comunicação, tanques de combustível, baterias Patriot, depósitos de munição e torres de controle foram atingidos e danificados.

Em outra operação, a Marinha iraniana disparou mísseis de cruzeiro contra uma embarcação militar norte-americana após novos ataques dos EUA contra instalações iranianas. Segundo o comunicado do Exército, a ameaça foi neutralizada.

“As operações defensivas do Irã, realizadas em resposta às agressões e de maneira proporcional às violações do inimigo, continuarão com força total”, declarou o Exército.

Petroleiros entram em área minada

A Marinha do CGRI informou que dois grandes petroleiros foram atingidos e retirados de operação após entrarem em uma rota minada no Estreito de Ormuz.

Segundo o comunicado, as embarcações desligaram seus sistemas de navegação, ignoraram repetidas advertências do Centro de Controle de Segurança do Estreito de Ormuz e avançaram por uma área fechada à circulação.

O CGRI denunciou os Estados Unidos por incentivar os navios a desobedecer às determinações iranianas. A força naval advertiu que novas tentativas de atravessar a rota minada poderão atrasar a reabertura do estreito e ampliar a crise no fornecimento mundial de energia.

A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico havia anunciado que a passagem estava fechada após movimentações ilegais das forças norte-americanas na região.

Trump quer cobrar pelo controle de Ormuz

Trump afirmou que os países do Golfo devem pagar aos Estados Unidos pelas operações militares realizadas no Estreito de Ormuz. O presidente norte-americano citou Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Barém, Cuaite e “Israel” como governos beneficiados pela presença militar dos EUA.

“Quero ser reembolsado porque estamos protegendo uma parte muito rica do mundo”, declarou.

Trump anunciou ainda que os Estados Unidos pretendem se proclamar “guardiões” do Estreito de Ormuz e cobrar uma taxa equivalente a 20% das cargas transportadas pela passagem marítima.

O presidente norte-americano também afirmou que os EUA atacariam duramente o Irã durante a noite de segunda-feira e a terça-feira. Apesar da ameaça, declarou que acredita que o confronto não será prolongado.

Trump comunicou ao Congresso que as hostilidades contra o Irã foram retomadas em 7 de julho. Com a notificação, o governo procura iniciar um novo período de 60 dias de operações militares sem uma autorização adicional dos parlamentares.

Irã rejeita cobrança norte-americana

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, respondeu que seu país sempre protegeu o estreito e continuará cumprindo essa função.

“Quem garante a passagem segura dos navios comerciais pelo Estreito de Ormuz deve ser compensado por esse serviço. O Irã sempre foi o guardião do estreito e continuará sendo para sempre. 20% é demais. Seremos justos”, declarou, com ironia, Araghchi.

O porta-voz da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, também rejeitou a presença norte-americana.

“Não precisamos de trabalhadores estrangeiros para proteger o estreito”, afirmou.

O parlamentar Ebrahim Azizi declarou que os Estados Unidos não possuem autoridade para estabelecer as condições de circulação no Golfo Pérsico.

“Este é o Golfo Pérsico, e o Irã estabelece as condições no Estreito de Ormuz”, disse.

O estreito separa as águas territoriais do Irã e de Omã. O governo iraniano sustenta que somente os países costeiros possuem autoridade para estabelecer as regras de passagem e rejeita qualquer tentativa dos Estados Unidos de assumir o controle da região.

Irã adverte governos do Golfo

O porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, general Ibrahim Zolfaghari, advertiu que o Irã não permitirá a interferência norte-americana no Estreito de Ormuz.

Segundo o general, qualquer governo que forneça bases, apoio logístico ou instalações militares aos Estados Unidos será considerado participante da agressão contra a soberania e a segurança nacional iranianas.

“Caso a guerra se amplie, suas chamas atingirão todos os países da região”, afirmou.

Governos do Golfo manifestaram preocupação com a campanha militar norte-americana, principalmente diante da falta de coordenação prévia e da possibilidade de suas instalações serem utilizadas nos ataques contra o Irã.

O CGRI condicionou a reabertura do Estreito de Ormuz ao fim das intervenções militares dos Estados Unidos e ao respeito às águas territoriais dos países da região.

Quase um quinto do petróleo comercializado mundialmente passa pelo estreito. Após o anúncio de Trump, os preços do petróleo subiram, enquanto bolsas de valores registraram quedas diante do risco de interrupção do fornecimento de energia.

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