A esquerda verdadeiramente radical deveria enfrentar a burguesia. Quando dizem que Bancada da Esquerda Radical mira o combate à extrema direita no Congresso, como é o título do artigo publicado no sítio Revista Movimento, ligado ao MES-PSOL, está dito, e a experiência o demonstrou, que essa esquerda pode se unir a setores mais “democráticos” da burguesia para combater sua face extremista.
O problema, hoje, é a democracia liberal, não a extrema direita. É a “democracia” que tem apoiado o massacre na Faixa de Gaza enviando armas, dinheiro, soldados e dando apoio logístico e de inteligência ao governo genocida “israelense”.
Também é a democracia liberal que apoiou e participou da guerra de agressão contra o Irã. Os “democratas” criticaram Trump apenas quando viram que perderiam a guerra.
No caso da Ucrânia, é a democrática União Europeia que não permite o cessar-fogo e que tem escalado o conflito.
Ainda na Europa, no Reino Unido e na Alemanha, há uma brutal perseguição policial contra pessoas que apoiam a Palestina e denunciam o genocídio levado adiante pelo governo de “Israel”.
No olho do texto da Revista Movimento, escrevem que a “articulação reúne sete pré-candidaturas à Câmara dos Deputados e defende um programa de enfrentamento às desigualdades, fortalecimento dos direitos sociais e defesa do meio ambiente”.
A defesa do meio ambiente tem sido uma porta de entrada para ONGs financiadas pelo imperialismo financiarem a esquerda e assim imporem a política do grande capital em países atrasados. No Brasil, temos visto a esquerda pequeno-burguesa tentando impedir a construção de hidrelétricas, como no caso de Belo Monte; bem como tentaram impedir a prospecção de petróleo na Margem Equatorial.
“Defender o meio ambiente” tem sido utilizado em diversos países e das mais variadas maneiras, como na Nicarágua, onde não querem a construção de um canal interoceânico que irá rivalizar com o Canal do Panamá. Ainda na América do Sul, querem impedir a construção de estradas que liguem os oceanos Atlântico e Pacífico. Nada disso tem uma relação direta com o meio ambiente, que é apenas utilizado como desculpa.
O primeiro parágrafo diz que “na última sexta (3), a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) anunciou o lançamento da Bancada da Esquerda Radical, uma articulação formada por sete lideranças que disputarão uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. A iniciativa reúne parlamentares que buscarão a reeleição e novos nomes que pleiteiam ocupar o Legislativo federal com o objetivo de fortalecer um programa socialista, em defesa da classe trabalhadora e no enfrentamento à extrema direita.”
Em que sentido cargos parlamentares podem fortalecer um programa socialista? Isso só seria possível se os parlamentares de esquerda utilizassem a tribuna para defender o socialismo, coisa que nunca fazem.
Os mandatos parlamentares de esquerda, e Sâmia Bomfim é um exemplo, se restringem a criar novas leis, novos crimes, e aumentar penas sob a desculpa de defender as minorias. Qual socialista acreditaria que a prisão poderia sanar problemas sociais?
“Além de Sâmia”, continua o texto, “integram a bancada os deputados federais Glauber Braga (PSOL-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS), pré-candidatos à reeleição; o deputado distrital Fábio Felix (PSOL-DF), o deputado estadual Renato Freitas (PT-PR), a vereadora de Belém Vivi Reis (PSOL-PA) e o historiador Jones Manoel (PSOL-PE), todos pré-candidatos à Câmara dos Deputados.”
É importante fazer um destaque ao “revolucionário” Jones Manoel, que, além de falar que pleitear o armamento é coisa de “pequeno-burguês otário”, passou a vida toda criticando Lula. Agora, para concorrer a um cargo, passa a apoiar o petista. Uma atitude bem “revolucionária”, como se pode ver.
A articulação, segundo a deputada, “nasce da necessidade de fortalecer uma alternativa política à esquerda diante do avanço da extrema direita: Derrotar a extrema direita”, diz, “exige enfrentá-la para além das urnas: é preciso organizar as lutas, combatê-la no campo das ideias e ganhar o povo para a defesa de um projeto soberano, comprometido com a revolução, o socialismo e o equilíbrio da vida em nossos biomas.”
Enquanto isso, as democracias liberais vão levando o mundo rapidamente para uma terceira guerra mundial.
“Segundo a deputada, a extrema direita se fortalece ao explorar a indignação popular enquanto preserva os interesses dos mais ricos.” Mas não é isso, na verdade, que está acontecendo. A classe trabalhadora não vê alternativa na esquerda, cada vez mais institucionalizada e preocupada em punir, em trabalhar ao lado de um judiciário que é inimigo do povo.
Para os trabalhadores, essa esquerda não é oposição, mas situação.
A deputada diz que “precisamos pautar o debate apontando os verdadeiros responsáveis pelo nosso atraso e apresentando saídas concretas. A extrema direita, cínica, se apresenta como antissistema e tenta crescer sobre a frustração de um povo que não vê saída, enquanto, na prática, o bolsonarismo aprofunda o projeto de submissão nacional e espoliação do nosso povo.”
Os verdadeiros culpados são os bancos, a dívida pública, o Banco Central nas mãos dos banqueiros. O que a esquerda tem feito a esse respeito? Nada! No entanto, só se fala em extrema direita. Bolsonaro, ele mesmo, foi preterido pelo grande capital, que quer alguém que possa realmente controlar.
Além disso, o que seriam as “saídas concretas”? Isso está muito mais com cara de “saídas possíveis”, ou seja, jogando dentro das quatro linhas.
Foi lançado um manifesto para o lançamento da “Bancada de Esquerda Radical”, mas que mais parece promessa de campanha, como “fortalecer os serviços públicos”, “tributar os super-ricos” etc., nada que de fato mobilize a classe trabalhadora.
Como tanto “radicalismo”, a impressão que se tem é que a direita, e a extrema direita, vão avançar ainda mais no Congresso, como tem acontecido no resto do mundo.





