Um artigo publicado por um militar da reserva da Força Aérea Brasileira (FAB) destacou o caráter avançado do programa do Partido da Causa Operária (PCO) para as Forças Armadas. Segundo o autor, que colabora com a revista Sociedade Militar, as propostas apresentadas pelo Partido podem provocar uma verdadeira revolução na organização militar brasileira.
Especializado em assuntos militares, defesa, segurança e geopolítica, o autor ressalta que o programa do PCO propõe modificar a relação entre soldados, sargentos, oficiais e comandantes, garantindo direitos políticos e trabalhistas aos integrantes das Forças Armadas. Mesmo sem concordar integralmente com o programa, o autor admite que suas propostas são consistentes, ousadas e capazes de abrir uma discussão que os grandes partidos procuram evitar.
Entre as principais propostas destacadas pelo artigo está a eleição direta dos comandantes pela própria tropa. Em vez de receber ordens de oficiais escolhidos por uma cúpula fechada e distante dos soldados, os militares passariam a participar da escolha daqueles que comandam as unidades.
A medida acabaria com um dos principais mecanismos utilizados pela casta de oficiais para controlar os militares de baixa patente. Atualmente, soldados e sargentos são submetidos a uma estrutura rígida, na qual não possuem qualquer poder sobre as decisões que afetam seu trabalho, sua carreira e suas condições de vida.
A eleição dos comandantes permitiria que os oficiais respondessem diante da tropa. O comando deixaria de ser um privilégio garantido por relações internas da oficialidade e passaria a depender da confiança dos militares que cumprem as tarefas diárias das Forças Armadas.
O programa também defende o alistamento militar obrigatório para homens e mulheres. A proposta amplia o acesso da população ao treinamento militar e impede que o conhecimento sobre armas e defesa permaneça como monopólio de um pequeno grupo.
Um exército verdadeiramente nacional não pode permanecer separado do povo. Quanto maior for a participação dos trabalhadores nas Forças Armadas, menor será o poder da burocracia militar e dos setores que procuram utilizar os quartéis contra a população.
Outro ponto destacado pelo autor é a defesa da sindicalização e do direito de greve para os militares. O PCO considera que soldados, cabos e sargentos são trabalhadores e, portanto, devem ter o direito de organizar sindicatos, apresentar reivindicações coletivas e interromper suas atividades.
A proibição da sindicalização e da greve serve para manter a base das Forças Armadas completamente subordinada aos oficiais. Enquanto os comandantes contam com altos salários, privilégios e influência política, os militares de baixa patente enfrentam baixos vencimentos, jornadas exaustivas e punições arbitrárias.
O Supremo Tribunal Federal (STF) ampliou a proibição das greves para os servidores da segurança pública. A decisão retira dos trabalhadores armados um dos principais instrumentos de defesa de seus interesses. Sem organização própria, soldados e sargentos ficam submetidos ao comando e ao Estado sem qualquer meio efetivo de reação.
A proposta do PCO não pretende acabar com as Forças Armadas, mas retirar seu controle das mãos de uma casta privilegiada e entregar poder aos militares que formam a maioria da instituição.
O artigo também destaca a posição de Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO e pré-candidato à Presidência, segundo a qual a esquerda deve disputar politicamente as Forças Armadas. Para Pimenta, os quartéis não formam um bloco uniforme e imutavelmente ligado à direita.
Soldados e sargentos são, em sua maioria, provenientes das camadas populares. Sofrem com baixos salários, perseguições e falta de direitos. Por isso, podem ser organizados em torno de reivindicações democráticas, nacionais e populares.
A política predominante na esquerda consiste em entregar os militares de baixa patente à influência da direita. Os quartéis são tratados como um território perdido, enquanto a cúpula das Forças Armadas mantém seus vínculos com os grandes capitalistas e com o imperialismo.
O autor destacou ainda a defesa feita pelo PCO da soberania nacional e do desenvolvimento independente da indústria militar brasileira. O Partido denuncia a interferência do capital estrangeiro nas Forças Armadas e defende que o País produza seus próprios armamentos e equipamentos estratégicos.





