O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (21) o adiamento por tempo indeterminado da trégua unilateral com o Irã, ao mesmo tempo em que determinou a manutenção do bloqueio naval contra o país e colocou as forças norte-americanas em prontidão. Trump apresentou a medida como uma extensão do cessar-fogo até que o governo iraniano apresente uma “proposta unificada”, alegando que o regime iraniano estaria dividido.
A decisão ocorre em meio ao impasse nas negociações que vinham sendo articuladas em Islamabade, no Paquistão. Segundo a agência iraniana Tasnim, o Irã informou aos Estados Unidos, por meio da mediação paquistanesa, que sua delegação não viajará para Islamabade (22). O motivo apontado pelo Irã é o recuo dos Estados Unidos nos compromissos assumidos e a continuidade de ações hostis, inclusive depois do anúncio de trégua feito por Trump.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, afirmou que ainda não há decisão final sobre participação em novas negociações no Paquistão, atribuindo a indefinição às “mensagens contraditórias”, ao “comportamento conflitante” e às “ações inaceitáveis” dos Estados Unidos.
Segundo Baghaei, o processo diplomático só faz sentido se produzir resultados concretos. O porta-voz também acusou os Estados Unidos de minar, desde o início, os entendimentos em torno da trégua, inclusive pela não implementação de compromissos ligados ao Líbano e pela manutenção do bloqueio naval. Ele ainda afirmou que a apreensão de um navio iraniano constitui violação do direito internacional, pirataria marítima e terrorismo de Estado.
A apreensão em questão envolve o navio comercial iraniano Touska, tomado por forças norte-americanas no mar de Omã, próximo à costa iraniana. Em carta enviada ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, e à presidência do Conselho de Segurança, o embaixador do Irã nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, pediu que a organização obrigue os Estados Unidos a libertarem imediatamente e incondicionalmente a embarcação, sua tripulação, as famílias envolvidas e todos os afetados pelo episódio.
Na carta, Iravani classificou a ação como um “ataque hostil e ilegal”, marcado por coerção, intimidação e risco deliberado à vida dos tripulantes e de seus familiares. O representante iraniano sustentou que a apreensão de uma embarcação civil viola princípios fundamentais do direito internacional e agrava de forma séria a instabilidade regional. Também afirmou que a operação norte-americana fere a própria trégua anunciada por Trump em 7 de abril, já que o bloqueio e a ação contra o navio ocorreram mesmo após a declaração de cessar-fogo.
A manutenção do bloqueio pelos Estados Unidos é o centro do impasse. O Irã insiste que não retomará negociações sob pressão e que Trump precisa suspender a medida antes que qualquer nova rodada de conversas possa avançar. O Irã anunciou, no início do mês, ter chegado a um acordo de cessar-fogo de dez pontos, inicialmente aceito pelos Estados Unidos e confirmado pelo Paquistão. Nos dias seguintes, porém, o governo norte-americano voltaram atrás em seus compromissos e começaram a apresentar exigências excessivas, incompatíveis com o entendimento inicial.
O Paquistão, por sua vez, agradeceu publicamente a Trump pela extensão da trégua. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif declarou esperar que as partes respeitem o cessar-fogo e reafirmou a disposição do país de continuar buscando uma solução diplomática. Ao mesmo tempo, o governo norte-americano anunciou que a visita do vice-presidente J.D. Vance ao Paquistão foi cancelada.
O Quartel-General Selo dos Profetas, do Irã, afirmou que as forças armadas do país permanecem em alerta total, com “o dedo no gatilho”, prontas para responder imediatamente a qualquer nova agressão norte-americana ou israelense. O tenente-coronel Ebrahim Zolfaghari declarou que qualquer ataque será respondido de forma rápida e mais dura do que antes. Em linha semelhante, o comandante da força aeroespacial do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI), general Majid Mousavi, afirmou que os alvos já estão definidos e que uma nova agressão encontrará resposta imediata.





