Uma pesquisa realizada no irã e divulgada nesta quarta-feira (22) mostrou que a maior parte da população iraniana é contra as exigências dos Estados Unidos. A pesquisa nacional realizada pelo Centro de Pesquisas da Rádio e Televisão da República Islâmica do Irã (IRIB) revelou detalhes da rejeição das demandas máximas apresentadas pelos EUA como condições para um acordo e para o fim permanente da guerra, com índices superiores a 80% de oposição a restrições ao programa de mísseis e ao enriquecimento de urânio, segundo divulgação da Press TV. A pesquisa, realizada durante e imediatamente após a guerra de 40 dias imposta pela coalizão Estados Unidos-“Israel” contra o Irã, demonstra o apoio maciço e inabalável da população iraniana ao regime político do país e a sua determinação em resistir às pressões imperialistas.
Os números são claros e não deixam margem para interpretações que sugiram fragilidade do apoio popular ao governo iraniano. Diante da pergunta sobre aceitar restrições à indústria de mísseis do país, 85,7% dos entrevistados disseram não. A remoção de 400 quilos de urânio enriquecido do território nacional foi rejeitada por 82,6%. O encerramento do enriquecimento de urânio foi recusado por 79,4%. A passagem irrestrita de navios pelo Estreito de Ormuz, que é uma das principais alavancas estratégicas do Irã, foi recusada por 73,7%. E o fim da cooperação com a Frente de Resistência, ou seja, o abandono dos aliados regionais do Irã, foi rejeitado por 68,1% dos entrevistados.
Tais resultados representam uma derrota decisiva para a estratégia de “pressão máxima” adotada pelo governo Trump contra o Irã. A teoria por trás dessa doutrina é que a combinação de sanções econômicas, bombardeios e ameaças militares levaria a população iraniana a pressionar seu próprio governo por capitulação, criando uma ruptura entre o povo e o Estado. Os dados da pesquisa mostram o contrário: em vez de semear divisão, a agressão imperialista produziu coesão. Em vez de medo, produziu determinação.
A pesquisa também revelou que 57,5% dos iranianos consideram que os Estados Unidos precisavam do cessar-fogo mais do que o Irã, contra apenas 9,8% que achavam que o Irã era o lado mais necessitado de uma trégua. Essa percepção é coerente com o desenvolvimento dos acontecimentos: foi Trump que, após a apreensão dos navios norte-americanos pelo Irã, recuou e anunciou a extensão do cessar-fogo.
Dois terços dos iranianos, 66%, avaliaram que o Irã foi o vencedor da guerra de 40 dias. Apenas uma minoria aceitou a narrativa de derrota propagada pela mídia ocidental. Mais de 87% avaliaram o desempenho das forças armadas do país na defesa nacional como “muito forte” ou “forte”. Cerca de metade da população, 45,7%, participou ativamente de concentrações noturnas e caravanas durante e após o conflito, com outros 13,2% participando ao menos uma ou duas vezes. E mesmo após a entrada em vigor do cessar-fogo, 67,8% dos iranianos disseram que as concentrações públicas deveriam continuar, demonstrando que a mobilização popular deixou de ser uma reação emocional para se tornar uma postura estratégica consciente de vigilância e dissuasão.





