O Parlamento israelense aprovou, na madrugada desta sexta-feira (17), sua própria dissolução e abriu caminho para a realização das eleições gerais previstas para o fim de outubro. A proposta recebeu 62 votos favoráveis e nenhum contrário. O primeiro-ministro Benjamin Netaniahu e os deputados de sua coalizão votaram pela medida.
Com a aprovação, o Parlamento entrou em recesso e somente voltará a funcionar plenamente depois da posse dos deputados eleitos em outubro. O projeto de dissolução foi unificado a outra proposta, destinada a modificar o financiamento dos partidos israelenses.
O dirigente oposicionista Avigdor Liberman acusou a coalizão de Netaniahu de realizar uma “tentativa desprezível de vincular o encerramento da sessão ao aumento do financiamento partidário”. Liberman dirige o partido Yisrael Beiteinu, integrante do chamado “bloco da oposição sionista”, formado no ano passado para tentar derrubar o atual governo.
Apesar da disputa, o próprio Liberman fez um apelo à unidade entre os partidos sionistas. Segundo ele, o Parlamento teve “grandes momentos” de amplo acordo durante a legislatura.
“Espero que retornemos aqui em breve e nos lembremos de que, apesar de todas as nossas divergências, não somos inimigos, mas parceiros, mesmo sendo adversários políticos, e de que todos fazemos parte de um só povo e de um só país”, declarou.
Oposição aparece à frente
O bloco oposicionista reúne, além do partido de Liberman, organizações dirigidas pelo antigo chefe do Estado-Maior israelense Gadi Eisenkot. Seu partido, Yashar, ocupa uma posição dirigente na articulação.
Também participam do bloco os partidos dos antigos primeiros-ministros Naftali Bennett e Jair Lapid. Os dois governaram “Israel” por meio de um acordo de revezamento antes do retorno de Netaniahu ao cargo. No início deste ano, Bennett e Lapid unificaram suas organizações como parte da tentativa de retirar o atual primeiro-ministro do poder.
Uma nova pesquisa divulgada por veículos israelenses indicou que o bloco oposicionista obteria a maioria das cadeiras do Parlamento e teria condições de formar o próximo governo.
Outro levantamento, divulgado em junho pelo Centro Viterbi de Pesquisa de Opinião Pública e Política, ligado ao Instituto Israelense para a Democracia, mostrou um forte desgaste de Netaniahu. A instituição, sediada em Jerusalém ocupada, informou que 61% dos israelenses não querem que o primeiro-ministro dispute as próximas eleições. Outros 35% apoiam sua candidatura.
A dissolução do Parlamento permite que Netaniahu participe da preparação das eleições sem permanecer submetido às sucessivas disputas internas de sua coalizão. Segundo o jornal israelense Times of Israel, o governo apresentou em maio seu próprio projeto de dissolução para controlar tanto o processo legislativo como a data da votação.
Processo por corrupção
Netaniahu continua submetido a um processo criminal que se arrasta há anos, relacionado a acusações de corrupção e outros escândalos. O julgamento sofreu sucessivos adiamentos, muitos deles solicitados pela defesa do primeiro-ministro ou justificados por suas obrigações durante as guerras conduzidas por “Israel”.
A crise também envolve o recrutamento dos judeus ultraortodoxos, conhecidos como haredim. Os partidos religiosos que sustentam Netaniahu exigem a manutenção das dispensas concedidas aos seus estudantes, enquanto o exército enfrenta dificuldades crescentes para renovar suas tropas.
Os ultraortodoxos continuam evitando o serviço militar, enquanto reservistas seculares são enviados repetidamente para as guerras e ocupações promovidas pelo regime. A chefia militar israelense já advertiu para o esgotamento das reservas, submetidas a convocações prolongadas desde o início da matança na Faixa de Gaza.
A disputa pelo recrutamento ameaçou romper a coalizão em diversas ocasiões. No início de 2026, dirigentes políticos passaram a defender eleições antecipadas diante da incapacidade do governo de aprovar uma nova legislação para os haredim sem perder o apoio dos partidos religiosos.
Disputa entre sionistas
Os partidos de oposição acusam Netaniahu de corrupção e de conduzir mal as guerras contra a Faixa de Gaza, o Líbano e o Irã. As críticas, porém, não representam uma oposição aos ataques, às ocupações ou ao genocídio contra o povo palestino.
As principais organizações do bloco oposicionista defendem as mesmas operações militares realizadas pelo atual governo. A divergência está principalmente na condução das guerras, na distribuição dos cargos e na capacidade de preservar o regime sionista diante das derrotas militares e do crescente isolamento internacional.
Bennett e outros dirigentes oposicionistas chegaram a reclamar, no início deste ano, que a capital libanesa não havia sido bombardeada com intensidade suficiente. As declarações foram feitas depois das pesadas perdas impostas às tropas israelenses pelos ataques de drones de visão em primeira pessoa do Hesbolá.





