Andy Burnham foi confirmado nesta sexta-feira (17) como novo dirigente do Partido Trabalhista britânico. Ele assumirá o cargo de primeiro-ministro na segunda-feira (20), em substituição a Keir Starmer, que renunciou em 22 de junho.
Ex-prefeito da Grande Manchester, Burnham era o único candidato na conferência extraordinária convocada pelo partido. Ele recebeu o apoio de 379 dos 403 deputados trabalhistas. Para que outro candidato pudesse entrar na disputa, seriam necessárias 81 indicações parlamentares.
“Estamos unidos e colocamos a força que emana dessa unidade a serviço das pessoas e dos lugares que há muito esperam que a política lhes devolva a esperança. E é isso que vamos fazer: devolver-lhes a esperança”, afirmou Burnham diante de deputados e dirigentes trabalhistas.
Burnham, de 56 anos, governou a Grande Manchester entre 2017 e 2026. Ele já havia tentado assumir a direção do partido em 2010 e 2015, sem sucesso. Em 19 de junho, venceu uma eleição suplementar para a Câmara dos Comuns, condição necessária para disputar a liderança trabalhista e assumir o governo.
A troca ocorre menos de dois anos depois de o Partido Trabalhista retornar ao poder. Starmer venceu as eleições gerais de julho de 2024 por ampla margem, mas perdeu rapidamente apoio devido a sua política econômica neoliberal e, principalmente, a seu apoio irrestrito ao genocídio na Faixa de Gaza.
O crescimento do direitista Reform UK, que passou a liderar pesquisas eleitorais, aprofundou a crise do governo. Starmer também foi pressionado por integrantes do próprio partido, que o acusavam de falta de direção política.
Burnham prestou homenagem ao antigo primeiro-ministro e prometeu reunir as diferentes frações trabalhistas em seu novo gabinete. Disse que pretende formar uma equipe na qual todos sejam “valorizados, vistos e ouvidos”.
Nenhuma mudança fundamental
Burnham é apresentado como integrante da ala esquerda do Partido Trabalhista. Sua chegada ao governo, porém, não representa uma ruptura com o caráter do partido nem com sua orientação imperialista.
O Partido Trabalhista foi um dos principais responsáveis pela política britânica de apoio ao Estado sionista durante o genocídio na Faixa de Gaza. Sob Starmer, o governo manteve a aliança com “Israel” e sustentou política e economicamente a guerra contra o povo palestino.
A substituição do antigo dirigente não veio acompanhada do anúncio de qualquer mudança nessa política. Burnham não apresentou medidas contra o Estado sionista nem indicou que o Reino Unido romperá seu apoio à ocupação da Palestina.
A troca, portanto, ocorre dentro dos limites do próprio Partido Trabalhista. Sai Starmer, um defensor declarado de “Israel”, e entra Burnham, que não anunciou qualquer ruptura com o sionismo ou com a política externa britânica.
Disputa com a direita
Em seu discurso, Burnham colocou o avanço do Reform UK entre os principais problemas de seu futuro governo. O novo dirigente afirmou que o Partido Trabalhista não deve copiar nem a direita nem os Verdes.
“Não tentaremos superar os Verdes sendo mais verdes do que eles, nem superar o Reform imitando o Reform, nem repetiremos o que fizemos no passado, vestindo roupas conservadoras demais. A partir de agora, faremos diferente. Venceremos sendo nós mesmos, com ousadia e confiança: trabalhistas”, declarou.
Burnham afirmou que as últimas quatro décadas foram ruins para as antigas regiões industriais ligadas ao Partido Trabalhista e para as comunidades rurais e costeiras do Reino Unido.
“Se quisermos uma economia e um país que funcionem para todas as pessoas e todos os lugares, precisamos de um novo rumo, diferente daquele seguido nos últimos 40 anos”, disse.
O futuro primeiro-ministro prometeu colocar o custo de vida entre as prioridades do governo. Segundo ele, o país perdeu o controle sobre setores importantes, como habitação, energia e água. Ao mesmo tempo, declarou que pretende dirigir um governo favorável aos empresários.
Burnham também defendeu a transferência de competências do governo central para as autoridades locais, principalmente nas áreas de transporte, moradia, formação profissional e desenvolvimento econômico.
“Vamos retirar poder de Westminster e de Whitehall e entregá-lo ao lugar onde você vive”, afirmou.
Sua nomeação formal como primeiro-ministro está marcada para segunda-feira. Depois disso, Burnham deverá anunciar a composição de seu gabinete.




