Enquanto o governo de Rodrigo Paz abre as portas da Bolívia ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao grande empresariado, os produtores de coca do Trópico de Cochabamba preparam a ocupação de instituições públicas e suspendem o processo coordenado de redução das plantações.
Uma missão do FMI reuniu-se durante a semana, em La Paz, com representantes da Câmara Nacional de Comércio (CNC), da Confederação de Empresários Privados da Bolívia (CEPB) e da Câmara Nacional de Indústrias (CNI). Paralelamente, os enviados do organismo mantêm negociações com integrantes do governo boliviano para a concessão de um empréstimo.
Em maio, Rodrigo Paz afirmou que as negociações estavam avançadas e que o governo pretendia obter um programa de financiamento de aproximadamente US$5 bilhões.
FMI discute política econômica com empresários
Participaram da reunião Alexander Klemm, chefe da Divisão de Política Tributária do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI; Giovanni Ortuño, presidente da CEPB; Viviana Caro, diretora-executiva da entidade; Hugo Siles, assessor da presidência e da gerência da CNI; e Alex Zegarra, gerente-geral da CNC.
As discussões envolveram política tributária, comércio exterior, atração de capitais e medidas destinadas a favorecer os investimentos privados. O conteúdo das conversas mostra que a negociação ultrapassa a simples concessão de crédito e alcança a orientação geral da economia boliviana.
Antes de decidir sobre o financiamento, o FMI está recolhendo informações junto ao governo e às organizações empresariais. Algumas semanas antes, representantes do Fundo já haviam se reunido com empresários de Santa Cruz, no momento em que grande parte do país estava paralisada por bloqueios.
Cocaleiros anunciam ocupações
Ao mesmo tempo, as Seis Federações do Trópico de Cochabamba declararam estado de emergência e mobilização permanente contra o governo. As organizações anunciaram a paralisação do programa de redução coordenada das plantações de coca e a ocupação de instituições públicas.
Segundo as federações, o governo pretende adotar medidas violentas contra os produtores e rompeu os acordos que garantiam uma redução negociada das plantações, evitando confrontos na região.
Dieter Mendoza, dirigente da Coordenadoria das Seis Federações, afirmou que o governo deixou de cumprir suas obrigações para garantir o funcionamento do programa. Segundo ele, os soldados encarregados de participar da redução das plantações não dispõem de alojamento, roupas, equipamentos ou alimentação adequada.
Mendoza denunciou ainda que o governo não liberou os recursos necessários para manter o procedimento coordenado. Sem essas condições, afirmou, deixa de existir a garantia de que a redução das plantações ocorra sem violência contra os camponeses.
Governadores aproximam-se de Rodrigo Paz
Enquanto cresce a mobilização no Trópico, governadores de seis departamentos reuniram-se em El Alto e decidiram apresentar um plano comum ao governo. O encontro foi articulado pelo governador de La Paz, Luis Revilla, e não contou com os governadores de Cochabamba, Potosí e Pando.
Participaram Luis Revilla, de La Paz; Juan Pablo Velasco, de Santa Cruz; Jesús Egüez, de Beni; Luis Ayllón, de Chuquisaca; Édgar Sánchez, de Oruro; e María René Soruco, de Tarija. Uma representação de Pando também esteve presente, embora a governadora Gabriela de Paiva não tenha comparecido.
Leonardo Loza, governador de Cochabamba e dirigente da Federação de Chimoré, denunciou que não foi convidado para a reunião. Ele afirmou que prepara um plano econômico próprio para apresentar no encontro convocado por Rodrigo Paz para 5 de agosto, em Sucre.
Os governadores reunidos em El Alto defendem uma redistribuição gradual de recursos no sistema de “50 por 50”, a partir de 2027. A proposta prevê a incorporação anual de pelo menos um imposto nacional ao regime de coparticipação tributária.
O porta-voz do governo, José Luis Gálvez, declarou que os governadores dos nove departamentos permanecem convidados para a reunião de agosto. Na ocasião, Rodrigo Paz apresenta sua proposta de reorganização do regime autonômico.
As Seis Federações, por sua vez, não estabeleceram prazo para encerrar a paralisação da redução das plantações. As entidades mantêm o estado de emergência e a mobilização permanente contra o governo.





