A patifaria montada para favorecer a Argentina na Copa do Mundo de 2026 mostrou novamente por que a seleção é chamada de “time da FIFA”. Erros de arbitragem, violência sem punição e decisões favoráveis aos argentinos não começaram no torneio atual.
Na primeira parte desta série, o Diário Causa Operária mostrou como a Argentina conquistou a Copa de 1978 sob a proteção da ditadura militar. Para eliminar o Brasil, precisava derrotar o Peru por pelo menos quatro gols de diferença. Venceu por 6 a 0.
A segunda parte tratou do título de 1986. Maradona marcou com a mão contra a Inglaterra nas quartas de final. Na semifinal, a Argentina enfrentou uma Bélgica que eliminara a União Soviética graças a um gol impedido.
A terceira parte trata da Copa de 2022. No Catar, a Argentina recebeu cinco pênaltis em sete jogos, mais que o dobro de qualquer outra seleção. Messi não foi expulso contra a Holanda, e o árbitro confirmou um gol irregular na final.
A utilização do VAR não impediu os erros. Em vários momentos, serviu para encontrar pênaltis favoráveis à Argentina que o árbitro não havia marcado em campo.
Recorde de pênaltis
Nenhuma seleção recebeu tantos pênaltis numa única Copa do Mundo quanto a Argentina em 2022.
Foram cinco: dois na fase de grupos e três nas partidas eliminatórias, contra Holanda, Croácia e França. Nenhuma outra equipe recebeu mais de dois.
O ex-capitão uruguaio Diego Lugano denunciou publicamente os cinco pênaltis como favorecimento à seleção de Messi.
O primeiro pênalti
A Argentina estreou contra a Arábia Saudita em 22 de novembro. O árbitro era o esloveno Slavco Vintchitch.
Aos oito minutos, com o placar em 0 a 0, o VAR chamou o árbitro para examinar um agarrão dentro da área saudita. Leandro Paredes foi segurado por trás durante uma cobrança de falta.
O defensor não olhava para a bola. Havia uma infração.
O lance, porém, ocorreu longe da disputa da bola. Agarrões semelhantes acontecem com frequência em cobranças de faltas e escanteios sem que o VAR chame o árbitro.
A ex-árbitra Renata Ruel considerou correta a marcação, mas destacou que esse tipo de lance nem sempre provoca a intervenção do VAR. Contra a Arábia Saudita, a equipe de vídeo decidiu procurar a infração.
Vintchitch marcou o pênalti. Messi cobrou e fez 1 a 0 aos 10 minutos.
A Arábia Saudita virou no segundo tempo e venceu por 2 a 1. A decisão não mudou o resultado da partida, mas a Argentina já começava a Copa com uma intervenção incomum do VAR a seu favor.
Pênalti inventado contra a Polônia
Na última rodada da fase de grupos, a Argentina enfrentou a Polônia. O jogo de 30 de novembro decidiria a classificação das duas seleções.
Aos 37 minutos do primeiro tempo, Julián Álvarez cruzou para a segunda trave. O goleiro Xesni saiu para afastar a bola e tocou levemente o rosto de Messi depois que o argentino já havia cabeceado.
O árbitro holandês Danny Makkelie mandou o jogo continuar. Depois dos protestos argentinos, o VAR recomendou a revisão.
Makkelie foi ao monitor e marcou o pênalti.
Renata Ruel considerou a decisão absurda. O goleiro tocou a bola e atingiu Messi somente depois da finalização. O contato foi consequência do movimento e não interferiu no cabeceio.
Xesni também afirmou que tocara de leve no argentino. Enquanto o árbitro examinava as imagens, apostou €100 com Messi que não haveria pênalti.
O goleiro perdeu a aposta, mas defendeu a cobrança.
A Argentina venceu por 2 a 0, com gols de Alexis Mac Allister e Julián Álvarez. Mesmo sem alterar o vencedor, o lance mostrou o empenho do VAR em procurar uma penalidade para os argentinos.
Messi joga a bola com a mão
Argentina e Holanda se enfrentaram em 9 de dezembro, pelas quartas de final. A partida terminou empatada por 2 a 2. Os argentinos venceram por 4 a 3 nos pênaltis.
O espanhol Antonio Mateu Lahoz distribuiu 15 cartões amarelos, oito para argentinos e sete para holandeses. Denzel Dumfries ainda foi expulso durante a disputa de pênaltis.
O árbitro marcou 48 faltas: 30 contra a Argentina e 18 contra a Holanda.
A grande proteção, no entanto, foi concedida a Messi.
Aos 10 minutos do segundo tempo, o argentino tentou passar por Nathan Aquê no meio-campo e interceptou deliberadamente a bola com a mão. O toque interrompeu um ataque holandês.
O lance ocorreu diante de Lahoz. Virgil van Dijk protestou, mas o árbitro não mostrou cartão.
A infração exigia uma advertência. Messi usou a mão de propósito para impedir uma jogada promissora.
Mais tarde, o capitão argentino recebeu um cartão amarelo por reclamação. Caso tivesse sido punido pela mão, seria expulso.
A Argentina disputaria o fim do segundo tempo e toda a prorrogação sem seu principal jogador. Lahoz manteve Messi em campo.
A queda de Acuña
Aos 28 minutos do segundo tempo, Marcos Acuña entrou na área e encontrou Dumfries.
O holandês tocou no pé do argentino. Acuña, entretanto, manteve o equilíbrio, apoiou o pé no gramado e somente depois caiu.
Lahoz marcou o pênalti sem consultar o monitor. Messi converteu e fez 2 a 0.
Renata Ruel considerou que não houve penalidade. O toque de Dumfries não derrubou Acuña. A queda ocorreu depois que o atacante já havia apoiado a perna.
A Holanda reagiu. Wout Weghorst marcou duas vezes e empatou aos 11 minutos dos acréscimos.
Os argentinos reclamaram do tempo acrescentado. O relatório interno da FIFA sobre o trabalho de Lahoz, segundo a imprensa espanhola, não apontou erro nos 10 minutos. A crítica era outra: o árbitro deveria ter mostrado mais cartões e poderia ter expulsado um jogador.
Lahoz foi retirado da Copa antes das semifinais. Sua arbitragem, porém, já havia permitido que Messi permanecesse em campo e cobrasse um pênalti inexistente.
Van Gaal denuncia armação
Em setembro de 2023, o técnico holandês Louis van Gaal afirmou que o título argentino havia sido preparado.
“Quando você vê como a Argentina fez os gols e como nós fizemos os nossos, e como alguns jogadores argentinos ultrapassaram a linha sem serem punidos, penso que tudo foi premeditado”, declarou à emissora holandesa NOS.
Van Gaal afirmou que a Copa fora organizada para que Messi conquistasse o título.
A denúncia veio depois da derrota, mas teve como base acontecimentos concretos. Messi escapou do cartão que provocaria sua expulsão, e a Argentina abriu 2 a 0 com um pênalti no qual Acuña caiu depois do toque.
Reclamação croata
A Argentina enfrentou a Croácia em 13 de dezembro. O italiano Daniele Orsato apitou a semifinal.
O primeiro gol saiu de um choque entre o goleiro Dominik Livaković e Julián Álvarez.
O atacante tocou a bola para a frente e tentou passar. Livaković bloqueou sua passagem com um pequeno movimento. Orsato marcou o pênalti, e o VAR manteve a decisão.
Os croatas também reclamaram da jogada anterior. Antes do pênalti, Orsato não marcou um escanteio para a Croácia.
Mateo Kovačić chamou as duas decisões de “erros capitais”. Segundo o jogador, o árbitro primeiro negou o escanteio e depois marcou um pênalti “ridículo”.
Lovro Majer, que substituiu Luka Modrić como capitão, fez a mesma reclamação. Para ele, houve escanteio e não houve penalidade.
Messi converteu a cobrança e abriu o placar. A Argentina venceu por 3 a 0.
O quinto pênalti
Argentina e França disputaram a final em 18 de dezembro. O árbitro era o polonês Szymon Marciniak.
Aos 21 minutos, Ángel Di María passou por Ousmane Dembélé e caiu dentro da área. Marciniak marcou pênalti. Messi converteu e fez 1 a 0.
Aos 36 minutos, a Argentina marcou o segundo gol num contra-ataque concluído por Di María.
A contestação francesa apontou uma falta sobre Kylian Mbappé no início da jogada. Marciniak deixou o jogo seguir, e o VAR não interveio.
A França reagiu apenas no fim do segundo tempo. Mbappé marcou de pênalti aos 35 minutos e empatou um minuto depois.
Pouco antes do fim do tempo regulamentar, apareceu outro possível pênalti.
Marciniak não vai ao monitor
Marcus Thuram tabelou com Adrien Rabiot e correu para receber a devolução dentro da área. Ao buscar a bola, esbarrou em Enzo Fernández e caiu.
Marciniak não marcou pênalti.
Depois da Copa, o próprio árbitro revelou que o VAR o alertou para uma possível penalidade. Mesmo com o aviso, decidiu não examinar o lance no monitor.
Contra a Arábia Saudita, o VAR chamou o árbitro para rever um agarrão longe da bola. Contra a Polônia, recomendou a revisão de um contato posterior à finalização de Messi.
Diante de uma possível penalidade para a França nos minutos finais da decisão, Marciniak não quis rever as imagens.
O jogo foi para a prorrogação.
Dois reservas dentro do campo
Messi marcou o terceiro gol argentino aos 18 minutos do segundo tempo da prorrogação.
Lautaro Martínez finalizou, Hugo Lloris defendeu e Messi aproveitou o rebote. Jules Koundé afastou a bola depois que ela cruzou a linha.
As imagens mostraram dois reservas argentinos dentro do gramado antes de a bola entrar completamente.
O jornal francês L’Équipe destacou que, pelas regras, Marciniak deveria ter anulado o gol e marcado tiro livre para a França. Os dois reservas pertenciam à equipe que marcara e entraram no campo antes do fim da jogada.
Marciniak confirmou o gol.
Mbappé empatou novamente numa cobrança de pênalti. A partida terminou em 3 a 3, e a Argentina venceu a disputa por 4 a 2.
Como a França conseguiu empatar, o terceiro gol não decidiu sozinho o placar. Ainda assim, deu vantagem à Argentina durante a prorrogação e obrigou os franceses a buscar outro empate.
A Copa do VAR
A Argentina recebeu pênaltis contra Arábia Saudita, Polônia, Holanda, Croácia e França. Quatro foram convertidos, e Xesni defendeu a cobrança na fase de grupos.
O pênalti sobre Di María é o único que pode ser minimamente defendido. Os outros acontecimentos não deixam a mesma dúvida. O VAR procurou um agarrão longe da bola contra a Arábia Saudita, inventou o pênalti contra a Polônia, Lahoz não expulsou Messi e marcou a queda de Acuña, Marciniak recusou-se a rever o lance de Thuram e confirmou o terceiro gol argentino com dois reservas dentro do campo.
Em 1978, a Argentina precisou do 6 a 0 sobre o Peru. Em 1986, eliminou a Inglaterra com a mão de Maradona. Em 2022, recebeu um recorde de cinco pênaltis, teve Messi poupado da expulsão e marcou um gol irregular na final.
E assim, a Argentina “conquistou” três títulos mundiais.




