Guerra contra o Irã
Ataques atingiram radares, baterias antiaéreas, depósitos, drones e instalações militares norte-americanas
O Irã realizou nesta quinta-feira (23) novos ataques contra bases militares dos Estados Unidos no Kuwait e na Jordânia. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) e o Exército iraniano anunciaram a destruição de radares, sistemas de defesa antiaérea, depósitos de munição, instalações de manutenção e hangares de drones.
As operações ocorreram em resposta à continuidade dos bombardeios norte-americanos contra o território iraniano. Segundo o CGRI, os ataques atingiram as bases de Ali al-Salem, Camp al-Udairi, Camp Doha e Camp Arifjan, no Kuwait, além de instalações norte-americanas na Jordânia.
Na base de Ali al-Salem, foram destruídos um grande depósito de equipamentos militares, uma bateria Patriot e um hangar utilizado por drones MQ-9. No Camp al-Udairi, os ataques atingiram helicópteros, drones e alojamentos, provocando mortos e feridos entre os militares norte-americanos.
O CGRI informou ainda que atingiu uma torre de comunicações em resposta aos ataques dos Estados Unidos contra a rede de comunicações do Irã.
Na Jordânia, as forças iranianas destruíram um radar do sistema antimíssil THAAD, uma bateria Patriot e um radar C-RAM. Depósitos de combustível foram incendiados, enquanto um armazém de equipamentos para helicópteros e um hangar de manutenção foram destruídos.
“Seus irmãos combatentes do CGRI, no marco do castigo ao Exército norte-americano assassino de crianças e em resposta às repetidas agressões contra o território da República Islâmica do Irã, realizaram ataques rápidos contra bases dos Estados Unidos”, declarou o CGRI em mensagem dirigida ao povo jordaniano.
A destruição dos radares reduz a capacidade de alerta antecipado das tropas norte-americanas. Sem esses equipamentos, o tempo disponível para detectar e interceptar mísseis e drones iranianos diminui consideravelmente.
Em uma operação separada, o Exército iraniano informou que lançou uma grande quantidade de drones contra depósitos de munição e abastecimento. Foram atingidos os depósitos logísticos de Camp Doha, os tanques de combustível da base de Ali al-Salem e um depósito de munição em Camp Arifjan.
O CGRI rejeitou as acusações de que os ataques violam a soberania do Kuwait e da Jordânia. Para a organização, as bases norte-americanas operam fora do controle dos governos locais e constituem territórios ocupados pelos Estados Unidos.
“É o Exército dos Estados Unidos que violou sua integridade territorial e sua soberania. Nós atacamos territórios ocupados pelas forças norte-americanas, um Exército que não sabe fazer outra coisa além de cometer crimes”, afirmou o comunicado.
O CGRI explicou que os militares dos países anfitriões não controlam a entrada e a saída dessas instalações. As normas internas, a segurança e o julgamento de crimes cometidos dentro das bases permanecem sob controle dos Estados Unidos.
A organização também relacionou os ataques ao massacre de Minab, onde 168 estudantes foram mortos no primeiro dia da guerra. Parte dos bombardeios contra o Irã parte de instalações norte-americanas situadas em países da região.
“É nosso direito legal, religioso e racional atacar o agressor de nosso país e o assassino de nossos filhos onde quer que lance seus ataques”, declarou o CGRI.
Nova onda da Operação Nasr 2
Durante a 26ª onda da Operação Nasr 2, o CGRI anunciou a destruição de uma unidade norte-americana de guerra eletrônica instalada no Kuwait. Outro edifício utilizado pela unidade foi atingido, causando baixas entre os militares.
A operação combinou mísseis Emad, Kheibar-Shekan, Zolfaghar e Fattah com drones Shahed. Uma torre de controle aéreo também foi atingida.
Segundo o CGRI, a nova onda foi dedicada aos peregrinos que viajam para a cerimônia de Arbaim, em homenagem ao imame Hussein. A organização lembrou que um ataque norte-americano contra a passagem fronteiriça de Xalamcheh matou duas pessoas e feriu outras 11.
As forças iranianas afirmaram que os Estados Unidos procuram utilizar conversações e propostas de trégua para ganhar tempo, reabastecer as tropas e retomar os ataques. O CGRI declarou que não permitirá que uma interrupção temporária seja usada para repor combustível, munição e armamentos.
O CGRI também advertiu o governo britânico contra o uso de bases do Reino Unido em operações contra o Irã. Segundo a organização, bombardeiros B-1 partiram da base britânica de Fairford depois que navios norte-americanos no Oceano Índico esgotaram seus estoques de mísseis de cruzeiro.
O Ministério das Relações Exteriores iraniano declarou que qualquer participação na preparação ou execução dos ataques constitui cumplicidade em crimes de agressão e de guerra.
As Forças Armadas iranianas reafirmaram que qualquer base utilizada para atacar o território do país será tratada como alvo militar. A advertência inclui instalações no Oriente Médio e em outros países que permitam o uso de seu território pelas tropas norte-americanas.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baqai, também condenou as ameaças de Donald Trump contra pontes, centrais elétricas e outras instalações civis iranianas.
“Nenhuma ordem autoriza a prática de um crime de guerra. Invocar ordens superiores para justificar crimes de guerra não retira a responsabilidade penal de seus autores”, afirmou Baqai.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou que qualquer agressão contra a infraestrutura do país receberá uma resposta direta. Os Estados que oferecerem apoio aos ataques dos Estados Unidos também serão considerados alvos militares.





