O representante permanente do Irã na Organização das Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, enviou uma carta oficial ao secretário-geral da entidade e ao presidente do Conselho de Segurança denunciando as ameaças feitas pelo ministro da Guerra de “Israel”, Israel Katz, contra o aiatolá Saied Mojtaba Khamenei, Líder da Revolução Islâmica e da República Islâmica.
Segundo a agência Tasnim, Iravani condenou de maneira enfática a declaração pública de Katz, que afirmou que Khamenei estava “marcado para morrer”. Para o representante iraniano, a ameaça constitui um ato de terrorismo de Estado e uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas.
Na carta, Iravani afirmou que o Irã considera a ameaça de Katz parte da política sistemática de “Israel” de assassinar altos funcionários iranianos. A denúncia foi apresentada ao Conselho de Segurança em meio ao agravamento das tensões após a guerra contra o Irã e às novas declarações de autoridades “israelenses” contra a direção do país.
O representante iraniano advertiu ainda que o silêncio continuado do Conselho de Segurança apenas encoraja “Israel” a prosseguir com seus crimes. A posição do Irã coloca a ONU diante de uma ameaça direta feita por uma autoridade de governo contra a liderança de outro Estado, em violação aberta das normas internacionais que a própria organização afirma defender.
A declaração de Katz foi feita quando ele foi questionado sobre o aiatolá Saied Mojtaba Khamenei. O ministro da Guerra de “Israel” respondeu que o líder iraniano estava “marcado para morrer”. Na mesma ocasião, Katz afirmou que os iranianos seriam “bons comerciantes” que tentam extrair concessões em negociações, e declarou que “Israel” não permitirá que o Irã produza armas nucleares.
As declarações foram recebidas em Teerã como ameaça oficial. A denúncia enviada à ONU afirma que não se trata de retórica isolada, mas de uma política de assassinatos contra dirigentes do Irã. O país já acusa “Israel” e os Estados Unidos de terem realizado agressões e atentados contra autoridades iranianas e instalações estratégicas.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Saied Abbas Araghchi, também reagiu publicamente. Em publicação no X, Araghchi afirmou que os termos do Memorando de Islamabad são claros e públicos. Segundo ele, o presidente dos Estados Unidos assumiu o compromisso de conter seus aliados em Telavive.
“Os termos do Memorando de Islamabad são cristalinos e públicos para todos verem. O presidente dos Estados Unidos comprometeu os EUA a amordaçar seus animais de estimação em Telavive. Se eles ignorarem seu mestre, o Irã lhes dará uma lição”, escreveu Araghchi.
O chanceler iraniano advertiu que qualquer ameaça contra o povo e a direção do Irã receberá resposta imediata e poderosa. “Qualquer ameaça contra nosso povo e nossa liderança receberá resposta imediata e poderosa”, declarou. A fala foi uma resposta direta ao ministro da Guerra de “Israel” e também aos Estados Unidos, principal aliado da ocupação “israelense”.
A menção ao Memorando de Islamabad tem grande importância. O acordo aparece como referência nas negociações recentes envolvendo o Irã, os Estados Unidos e outros países da região. Para Teerã, os compromissos assumidos pelos norte-americanos incluem a obrigação de impedir novas provocações de “Israel” contra o Irã. A ameaça de Katz, portanto, foi tratada como violação política do entendimento.
A posição iraniana também mostra que Teerã não pretende separar as ações de “Israel” da responsabilidade dos Estados Unidos. Araghchi afirmou que, se Telavive seguir ameaçando o Irã, os norte-americanos terão fracassado em cumprir o compromisso assumido. Essa formulação deixa claro que qualquer agressão “israelense” será vista dentro do quadro mais amplo da política imperialista na região.
O governo iraniano recorreu simultaneamente à denúncia diplomática e à advertência militar. Iravani levou o caso à ONU e pediu responsabilidade internacional. Araghchi, por sua vez, afirmou que a resposta iraniana será imediata e poderosa caso ameaças contra o povo ou a liderança do país se transformem em ação.
A ameaça de Katz ocorre após a guerra em que o Irã saiu fortalecido politicamente no Oriente Médio. Mesmo veículos “israelenses” reconhecem que a guerra impôs custos humanos, econômicos e psicológicos a “Israel” e enfraqueceu sua posição regional e internacional. Nesse quadro, a ameaça de assassinato contra a liderança iraniana aparece como tentativa de manter a pressão sobre Teerã.
A resposta iraniana tem peso, pois o país tem respondido às agressões que vem recebendo. A denúncia agora está formalmente nas mãos do secretário-geral da ONU e do Conselho de Segurança, mas não se pode esperar nada dali, pois essa entidade tem servido muito mais para acobertar os crimes do imperialismo e seus apêndices.





