As Forças Armadas do Iêmen anunciaram, na sexta-feira (3), que repeliram caças sauditas que tentavam impedir o pouso de um avião civil iraniano no Aeroporto Internacional de Saná. Segundo o porta-voz militar iemenita, brigadeiro-general Iahia Saree, os aviões sauditas violaram o espaço aéreo do país e foram atingidos por mísseis de defesa antiaérea, sendo obrigados a se retirar.
O avião iraniano transportava mais de 200 cidadãos iemenitas que estavam retidos no Irã, muitos deles doentes ou feridos. A operação fazia parte dos voos organizados para transportar pacientes e pessoas impedidas de retornar ao Iêmen por causa do bloqueio imposto pela Arábia Saudita desde 2015.
Em declaração em vídeo, Saree afirmou que o Iêmen não aceitará novas violações de seu espaço aéreo. “Advertimos o inimigo saudita criminoso contra a repetição de qualquer tentativa de violar nosso espaço aéreo ou qualquer agressão contra nosso país. Tais ações serão respondidas de forma ampla, atingindo seus aeroportos e interesses vitais em terra e no mar”, declarou.
O porta-voz afirmou ainda que as forças iemenitas mantêm “a mão no gatilho” para cumprir qualquer orientação do dirigente do Ansar Alá, Abdul Malik al-Huti, no sentido de romper o bloqueio saudita-norte-americano e expulsar as forças estrangeiras do país.
Após pousar em Saná, o avião iraniano retornou em segurança a Teerã levando uma delegação oficial da República do Iêmen para participar do funeral do Líder da Revolução Islâmica, aiatolá Saied Ali Khamenei, assassinado pelo imperialismo norte-americano e por “Israel”.
Saree também destacou o papel do Irã na quebra do bloqueio imposto ao Iêmen. Segundo ele, os voos iranianos ajudam a transportar pacientes, cidadãos retidos fora do país e a aliviar a situação humanitária produzida pela guerra saudita.
A Arábia Saudita impôs, desde 2015, um bloqueio aos portos terrestres, marítimos e aéreos do Iêmen, restringindo a entrada de combustíveis, alimentos, medicamentos e outros produtos essenciais. A agressão saudita, apoiada pelos Estados Unidos e por outras potências imperialistas, provocou uma das maiores crises humanitárias do mundo, com fome generalizada, destruição do sistema de saúde e centenas de milhares de mortos.
O bloqueio foi parcialmente aliviado após as negociações de abril de 2023 com o Ansar Alá, movimento que dirige a resistência iemenita e as Forças Armadas do país. Ainda assim, a Arábia Saudita e seus aliados continuam controlando parte das entradas do país e mantendo forças ligadas ao imperialismo em território iemenita.
No sábado (4), o porta-voz do Ministério da Defesa saudita, major-general Turki al-Maliki, negou que caças sauditas tenham tentado impedir o pouso do avião iraniano. Ele afirmou que as declarações iemenitas eram uma tentativa de desviar a atenção das “violações” cometidas contra o próprio povo iemenita e ameaçou responder com “determinação e força sem precedentes” a qualquer ataque contra o reino saudita.
A ameaça saudita foi feita um dia depois de Saree advertir que qualquer nova agressão contra o Iêmen levará a uma resposta contra aeroportos e instalações estratégicas da Arábia Saudita. O governo saudita também voltou a acusar o Ansar Alá de ameaçar a segurança regional e o comércio marítimo no Mar Vermelho e no Estreito de Babelmândebe.
A tensão ocorre em meio a uma ampla mobilização no Iêmen. Nas últimas semanas, grandes concentrações ocorreram em Saná, Hodeidah, Dhamar, Hajjah e Jawf, após Abdul Malik al-Huti convocar tribos e forças da resistência a se prepararem para expulsar do país as forças apoiadas pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos. Dirigentes tribais declararam apoio ao Ansar Alá e defenderam a recuperação das riquezas nacionais do Iêmen.
O dirigente iemenita afirmou que o país não aceitará a continuidade da agressão, da ocupação e do bloqueio saudita-norte-americano. Ele também disse que a resistência acompanha a movimentação de “Israel” na região de Babelmândebe e da Somalilândia.
A guerra saudita contra o Iêmen começou em 2015, um ano depois de uma revolução popular levar o Ansar Alá ao poder em Saná e derrubar o governo apoiado pela Arábia Saudita. Desde então, o país foi submetido a bombardeios, ocupação parcial, bloqueio econômico e ingerência direta das potências imperialistas.
Com o início do genocídio dos palestinos em Gaza, em 2023, o Iêmen passou a atacar navios ligados a “Israel” no Mar Vermelho e no Estreito de Babelmândebe. A operação naval iemenita levou os Estados Unidos e países europeus a enviarem forças militares à região, mas a resistência iemenita manteve o bloqueio aos navios ligados ao enclave sionista, obrigando as marinhas inimigas a recuar.
O Conselho Presidencial iemenita apoiado pela Arábia Saudita, chefiado por Rashad al-Alimi, realizou uma reunião de emergência na sexta-feira (3) e condenou a chegada do avião iraniano a Saná. O órgão, reconhecido pelo imperialismo, afirmou que o voo violou a soberania do Iêmen e pediu à ONU e a aliados regionais novas medidas contra o Ansar Alá.




