O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (23) a extensão por três semanas do cessar-fogo entre o Líbano e “Israel”, após uma reunião na Casa Branca, sede do governo norte-americano, com representantes libaneses e israelenses. O acordo inicial, de dez dias, havia entrado em vigor na semana passada, em meio à pressão regional para conter a ofensiva israelense contra o território libanês.
Segundo Trump, a reunião no Salão Oval foi “muito boa” e contou com a presença do vice-presidente J.D. Vance, do secretário de Estado Marco Rubio e de representantes norte-americanos e regionais. O presidente dos Estados Unidos classificou o encontro como “histórico” e afirmou esperar receber em breve o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netaniahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun. A sessão marcou o segundo contato direto entre representantes diplomáticos libaneses e israelenses desde que as conversas foram lançadas em 14 de abril — o primeiro contato direto entre os dois lados em mais de três décadas, em meio a crescentes protestos populares libaneses e à recusa de tais conversas.
O primeiro-ministro Nawaf Salam afirmou que o Líbano não aceitará a chamada “linha amarela”, uma zona-tampão que “Israel” tenta impor no sul do país. Essa proposta foi igualmente rejeitada pelo presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, que declarou não haver “linhas amarelas, vermelhas ou verdes” aceitáveis para o Líbano. A imposição de uma faixa militarizada em território libanês é vista como uma tentativa israelense de consolidar uma ocupação permanente sob o pretexto de segurança.
Trump, por sua vez, deixou claro que os Estados Unidos pretendem aprofundar sua intervenção na política interna libanesa. Ao comentar o cessar-fogo, afirmou que trabalhará com o Líbano para “protegê-lo do Hesbolá”.
Antes do anúncio, a situação no terreno estava marcada por ataques israelenses e pela resistência libanesa. Na quarta-feira (22), forças israelenses atacaram a cidade de al-Tiri, no sul do Líbano, provocando a morte de três pessoas, entre elas a jornalista Amal Khalil, do jornal Al-Akhbar. Também foram registradas ações israelenses contra outras localidades do sul, incluindo bombardeios, demolições e ataques de artilharia.
O Hesbolá respondeu às violações do cessar-fogo com operações contra posições israelenses. Segundo comunicado da Resistência Islâmica no Líbano, combatentes atacaram concentrações de soldados israelenses em al-Taybeh e derrubaram um veículo aéreo não tripulado (VANT) de reconhecimento sobre Majdal Zoun. O grupo afirmou que suas ações foram uma resposta aos ataques contra civis em al-Tiri e às violações do espaço aéreo libanês.
Desde o início da trégua, “Israel” já cometeu centenas de violações, incluindo ataques aéreos, artilharia, demolições de casas e bloqueio ao atendimento de feridos. No caso de al-Tiri, relatos indicam que as forças israelenses impediram ambulâncias de chegar ao local atingido, atrasando o resgate das vítimas.
O Hesbolá condenou as negociações diretas com “Israel”. Seu secretário-geral, Naim Qassem, classificou o processo como uma “concessão gratuita” ao Estado sionista e aos Estados Unidos, afirmando que ninguém tem o direito de conduzir o Líbano por esse caminho sem consenso interno. Outro dirigente do grupo, Wafiq Safa, afirmou que a organização não se submeterá a acordos firmados nessas condições.





