Ontem, dia 27 de fevereiro, o jornal O Globo publicou um editorial no qual defende a privatização do BRB, tomando como mote para isso o escândalo do Banco Master.
A matéria, intitulada Caso Master mostra por que é melhor privatizar BRB, parte da ideia de que, já que o BRB, um banco estatal, teria de arcar com parte da dívida do Master por conta de ações do governo do Distrito Federal, governado por Ibaneis Rocha (MDB), seria melhor entregar todo o banco de uma vez.
Logo no início do texto, o jornal explica como o BRB acabou adquirindo parte da dívida:
“A liquidação do Banco Master expôs os problemas enfrentados pelo BRB, banco estatal controlado pelo governo do Distrito Federal. No ano passado, a Câmara Legislativa do DF deu sinal verde para o BRB adquirir parte do Master. O negócio foi vetado pelo Banco Central (BC), que já via como irreversível a derrocada do banco de Daniel Vorcaro. Mas o BRB acabou comprando uma carteira fraudulenta de títulos do Master avaliada em R$ 12,2 bilhões. Uma auditoria do BC constatou que os papéis não existiam ou estavam supervalorizados, e a Polícia Federal abriu inquérito para investigar fraudes.”
Ou seja, mesmo com o governo do DF sabendo das fraudes, que já eram apontadas pelo BC, ainda assim brigou para comprar a carteira fraudulenta. O problema é que a ação foi feita justamente para livrar o Banco Master de ter de arcar com o próprio esquema fraudulento e repassar o ônus para o Estado, ou seja, para que a população brasileira arque com isso.
Essa política, no entanto, não prova que o BRB deva ser privatizado; muito pelo contrário. É praticamente certo que, em caso de venda da empresa que pertence aos brasileiros, o banco acabará nas mãos de alguém como Daniel Vorcaro, ou pior.
O Banco Master, não nos esqueçamos, é um banco privado. Foram os capitalistas donos do banco que aplicaram golpes para enriquecer e, quando foi necessário pagar por isso, utilizaram-se do Estado para se livrar de parte da dívida. Agora, além de ter de pagar pela fraude feita pela burguesia, o Globo espera que a população seja onerada, perdendo também um banco estatal.
O texto continua alertando para a quantia que o BC terá de utilizar para reequilibrar suas contas:
“O próprio BRB estima necessitar de um aporte de R$ 6,6 bilhões para equilibrar suas contas. Ninguém tem ideia de onde virá tanto dinheiro.”
Mais adiante, o jornal aponta a possibilidade de que o BRB tentou se utilizar para o pagamento:
“O BRB sugeriu o envolvimento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e de outras instituições financeiras. Ora, o FGC é uma entidade privada, mantida por contribuições do sistema bancário, cuja missão é funcionar como seguro para correntistas e investidores — não para bancos em apuros em razão de operações suspeitas. Devido à falência do grupo Master (incluindo Will Bank e Pleno), o FGC já comprometeu cerca de R$ 52 bilhões de sua liquidez, estimada em perto de R$ 122 bilhões no início do ano. Não teria o menor nexo envolvê-lo em mais uma operação de salvação do BRB.”
Ou seja, tudo bem fazer o cidadão que não teve nada a ver com a história pagar pelo roubo e ainda ser onerado, perdendo um banco estatal, como propõe o jornal. No entanto, o que estaria fora de cogitação é que os próprios bancos paguem pela fraude com o Fundo Garantidor de Créditos.
O que o jornal dá a entender é que a gestão do BRB seria amadora por se tratar de uma empresa estatal e que, ao contrário disso, os capitalistas seriam pessoas não só competentes, mas honestas, o que impediria que mais problemas do tipo acontecessem.
No entanto, como já dissemos, o problema inicial se deu justamente em um banco privado. Além disso, por conta da ação do DF forçando a compra da carteira do Banco Master, devemos considerar que o BRB foi, na verdade, vítima de uma operação criminosa.
Em vez de ter de arcar com os custos, quem deveria pagar pela dívida são os próprios responsáveis pelas ações do Master e, caso não seja possível, o próprio FGC, não a população.





