A Quaest excluiu de sua nova rodada de pesquisas todos os pré-candidatos do Partido da Causa Operária (PCO). O instituto apresentou cenários para a Presidência da República e para os governos de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Pernambuco e Bahia, mas suprimiu, em cada um deles, os nomes do Partido. O PCO foi a única legenda eliminada de todas as disputas pesquisadas.
Em São Paulo, depois de retirar Izadora Dias da lista apresentada aos entrevistados, a empresa apontou a reeleição de Tarcísio de Freitas no primeiro turno. O resultado divulgado como expressão da vontade do eleitorado foi produzido, portanto, depois que o próprio instituto decidiu quais candidaturas poderiam ser escolhidas.
Procurada pelo Diário Causa Operária, a Quaest não explicou por que apagou os candidatos do Partido. Qualquer justificativa posterior, no entanto, não modificará o essencial. Numa pesquisa estimulada, o eleitor escolhe entre os nomes apresentados pelo entrevistador. Retirar uma candidatura impede que ela receba votos e condiciona previamente o resultado.
Entre os partidos que se apresentam no campo da extrema esquerda, o PCO é de longe o mais conhecido. Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido e pré-candidato à Presidência, já participou de várias eleições presidenciais e possui uma projeção política muito superior à dos demais nomes lançados por esse setor.
A comparação deixa o problema ainda mais evidente. A Unidade Popular apresentou Samara Martins, uma candidatura desconhecida da população e escolhida segundo os critérios identitários em moda na esquerda pequeno-burguesa. O PSTU abandonou seus candidatos tradicionais e lançou o rapper Hertz Dias. O PCB apresentou Edmilson Costa, militante antigo, mas praticamente ignorado pelo eleitorado.
O PCO não possui apenas a maior projeção. É o único desses partidos que se apresenta com um programa político claramente definido. Suas posições sobre a luta contra o imperialismo, a independência política da classe trabalhadora e a necessidade de um governo operário são conhecidas por amplos setores da população. Dos demais candidatos, a maioria dos eleitores não conhece sequer as propostas elementares.
É justamente essa diferença que explica a exclusão. A burguesia não teme qualquer candidatura que se apresente como sendo de extrema esquerda. Candidaturas desconhecidas e sem um programa reconhecível podem ser toleradas e até utilizadas para criar uma aparência de pluralidade. O problema surge quando uma campanha eleitoral pode transformar-se em instrumento de propaganda revolucionária.
A classe dominante procura, assim, escolher qual extrema esquerda pode aparecer. Prefere candidaturas inofensivas, moldadas pelo identitarismo e incapazes de apresentar uma política independente para os trabalhadores. O que não admite é que o eleitorado tenha contato com um programa revolucionário e com um partido que denuncia abertamente o regime político controlado pela burguesia.
A exclusão promovida pela Quaest constitui, por isso, uma forma de censura eleitoral. Antes mesmo do início oficial da campanha, o instituto retirou o PCO das opções oferecidas aos entrevistados e, em seguida, apresentou o resultado mutilado como retrato da opinião pública. A manipulação começa na própria lista de candidatos que o eleitor é autorizado a escolher.





