Um policial militar deu um soco no rosto de uma mulher que carregava uma criança de colo durante uma abordagem realizada no domingo (26), em uma adega no Jardim Amorim, em Sorocaba, no interior de São Paulo.
A agressão foi registrada pelas câmeras de segurança do estabelecimento. As imagens mostram que policiais abordavam um homem acompanhado por outras pessoas quando um dos agentes golpeou a mulher. Ela caiu com o bebê nos braços e foi ajudada por outro policial.
O mesmo agente atingiu uma segunda mulher com um tapa.
Na quarta-feira (29), a Polícia Militar informou que afastou o policial, instaurou um Inquérito Policial Militar e abriu um procedimento administrativo para analisar as imagens. A Polícia Civil de Sorocaba também investiga o caso.
O Ministério Público de São Paulo declarou ter recebido uma representação sobre o episódio. A deputada federal Erika Hilton acionou o órgão e pediu a responsabilização dos envolvidos.
O afastamento somente ocorreu depois que a gravação foi divulgada. Sem as imagens, o caso provavelmente ficaria restrito à versão elaborada pelos próprios policiais.
A agressão não pode ser reduzida ao comportamento de um agente descontrolado. O policial agiu uniformizado, durante uma operação e cercado por outros integrantes da corporação. Golpeou uma mulher que segurava um bebê porque se sentia protegido pelo poder conferido pela farda.
Esse é o papel exercido pela Polícia Militar contra a população pobre. A corporação aborda, revista, intimida, invade casas, espanca e mata sob a justificativa permanente do “combate ao crime”. Mulheres que questionam uma prisão, tentam proteger familiares ou exigem uma explicação dos agentes também passam a ser tratadas como inimigas.
O caso de Sorocaba concentra esse funcionamento em poucos segundos. Uma mulher desarmada, com uma criança no colo, recebe um soco de um agente do Estado. A segunda é atacada logo depois. Nenhuma delas representava perigo para a tropa.
A PM não foi criada para proteger o povo. Sua formação militar, sua estrutura de comando e sua atuação cotidiana estão voltadas para o controle da população trabalhadora, particularmente nos bairros pobres e nas periferias.
A investigação conduzida pela própria corporação também não oferece garantia de punição. A Polícia Militar investiga seus integrantes por meio de órgãos subordinados à mesma cadeia de comando que os pôs nas ruas.
Câmeras corporais e gravações de segurança podem impedir que determinados crimes sejam escondidos. Não alteram, porém, a função da instituição. Enquanto a segurança pública estiver organizada como uma guerra interna contra o povo, novas agressões serão apresentadas como “excessos” individuais.
O policial que deu o soco deve ser responsabilizado, assim como os demais agentes que participaram da abordagem. A conclusão política do caso, contudo, vai além da punição de um indivíduo: é preciso acabar com a Polícia Militar e retirar a segurança pública do controle de uma corporação organizada para reprimir os trabalhadores.



