Perseguição judicial

8 de janeiro: mulher morre sob restrições impostas pelo STF

Reportagem denuncia obstáculos ao tratamento cardíaco de Flávia Rosa, presa no acampamento de Brasília em 2023

Flávia de Medeiros Ardovino Rosa, condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em um dos processos do 8 de janeiro, morreu de complicações cardíacas em 27 de fevereiro de 2026, no Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro. Ela ainda usava tornozeleira eletrônica e dependia de autorizações judiciais para se deslocar.

A jornalista Ana Maria Cemin tornou o caso público em 16 de setembro. Sua reportagem denuncia a demora nas autorizações judiciais para exames, consultas e procedimentos de que Flávia precisava. A morte consta de um levantamento de 12 falecimentos entre pessoas processadas pelo 8 de janeiro. Alexandre de Moraes extinguiu sua punibilidade em 3 de março, quatro dias depois do óbito. Bureaucom, 16/09/2026.

Flávia foi detida em 9 de janeiro de 2023 no acampamento diante do quartel-general do Exército. O STF a condenou por organização criminosa e incitação ao crime. No depoimento à Polícia Federal reproduzido por Cemin, ela explicou que embarcou em um ônibus gratuito na Central do Brasil e pretendia visitar um tio em Brasília. “Havia muito tempo que não viajava, ficava só cuidando da minha mãe, que é idosa”, contou.

A declaração apresentada na reportagem não descreve participação na depredação dos prédios públicos. Sobre sua permanência em Brasília, Flávia afirmou: “não deu tempo ver meu tio… só fiquei no QG mesmo”.

Obrigar uma paciente cardíaca a esperar autorizações para exames e consultas agrava o caráter arbitrário da punição. A anistia aos acusados do 8 de janeiro deve encerrar também as restrições de deslocamento e o monitoramento eletrônico, que continuam punindo quem já saiu da prisão.

Outro caso relatado por Cemin é o de Rodismar Regasse Liro, de 56 anos, homem autista que recebe R$600,00 do Bolsa Família. Embora tenha cumprido os serviços comunitários, é cobrado em mais de R$14 mil — valor superior a 23 meses de seu benefício. A defesa informou que ele não tem recursos, mas Moraes manteve a multa em 25 de agosto.

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