Morreu nesta terça-feira (15), aos 81 anos, Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles. Jornalista, escritora e militante política, ela atravessou décadas de luta contra a ditadura militar, pela punição dos torturadores e pelos direitos das mulheres.
Nascida em Contagem, Minas Gerais, Amelinha iniciou a militância ainda jovem e integrou o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) durante o período de clandestinidade.
Sua prisão ocorreu em 28 de dezembro de 1972, em São Paulo. Levada para a Operação Bandeirantes (Oban) e depois para o DOI-Codi, sofreu torturas físicas e violência sexual praticadas pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.
Os filhos Edson e Janaína, então com quatro e cinco anos, também foram levados pelos agentes da repressão e obrigados a presenciar a situação dos pais presos.
A família Teles levou Ustra à Justiça em 2005. Três anos depois, ele se tornou o primeiro agente da ditadura oficialmente reconhecido pela Justiça brasileira como torturador. A decisão foi mantida posteriormente.
Amelinha continuou politicamente ativa depois da prisão. Participou da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e trabalhou como assessora da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo Rubens Paiva.
Em 1984, fundou a União de Mulheres de São Paulo. Durante a Constituinte, participou da mobilização pela inclusão da igualdade de direitos entre homens e mulheres na Constituição de 1988.
Também criou, em 1994, o projeto Promotoras Legais Populares, voltado à formação jurídica de mulheres das camadas populares.
Guilherme Boulos, José Guimarães, Erika Hilton, Sâmia Bomfim, Natália Bonavides e Paulo Teixeira publicaram homenagens após o anúncio da morte.
O velório será realizado nesta quarta-feira (16), das 11 às 16 horas, na reitoria da Universidade Federal de São Paulo, na capital paulista.





