Naqa Hamed foi detida em um posto militar quando voltava de uma reportagem; soldados confiscaram as gravações e liberaram apenas os cinegrafistas
As forças de ocupação de “Israel” sequestraram a jornalista palestino-americana Naqa Hamed, correspondente da Press TV na Cisjordânia, quando ela voltava de uma reportagem em Hebrom. A prisão ocorreu na terça-feira (15), em um posto militar montado nas proximidades de Tuqu, a sudeste de Belém.
Hamed estava acompanhada por pelo menos dois cinegrafistas. Os soldados confiscaram o material gravado, soltaram os demais integrantes da equipe e mantiveram a repórter presa. A jornalista, cidadã norte-americana e mãe de três filhos, mora em Silwad, a nordeste de Ramalá.
A Press TV classificou a detenção como sequestro. Até a divulgação do caso, as autoridades sionistas não haviam apresentado publicamente uma acusação formal nem esclarecido para onde Hamed foi levada. A imprensa israelense informou que ela pode ser investigada por trabalhar para uma emissora iraniana, tratada pelo regime como uma “organização inimiga”.
O regime usou o trabalho para uma emissora iraniana como pretexto para tratar a atividade jornalística como espionagem. Nenhuma prova foi apresentada contra Hamed.
A família da repórter afirmou que ela vinha sendo perseguida por causa de suas reportagens sobre ataques de colonos e militares sionistas. No último mês, contas ligadas ao sionismo promoveram uma campanha contra Hamed nas redes sociais. A emissora denunciou que a ofensiva procurava intimidar jornalistas e impedir que as denúncias dos crimes de “Israel” chegassem ao público de outros países.
O sequestro foi precedido por ataques abertos. No dia 6 de agosto, Hamed e outros profissionais cobriam uma invasão militar no campo de refugiados de Calândia quando foram atingidos por granadas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Os jornalistas usavam coletes e capacetes de imprensa e estavam claramente identificados.
Na mesma terça-feira, militares prenderam outros três palestinos em suas próprias terras, perto de Al-Majd, ao sul de Hebrom. As detenções fazem parte da ofensiva permanente contra a população da Cisjordânia, submetida a postos militares, invasões, demolições, expulsões e ataques de colonos armados.
Prender a repórter e tomar suas gravações serve a um objetivo imediato: esconder os crimes da ocupação. A perseguição contra Hamed comprova que o regime sionista teme não apenas a resistência armada do povo palestino, mas também qualquer testemunho que exponha ao mundo o que suas tropas fazem nos territórios ocupados.





