O governo de Donald Trump notificou o Congresso norte-americano sobre um plano para transferir US$ 52 milhões em recursos militares a países da América Latina. O dinheiro financiaria equipamentos, treinamento e assistência técnica no Panamá, no Peru, no Equador e na Colômbia.
Os recursos seriam retirados de programas destinados à Tunísia, à Eslováquia, à Macedônia do Norte e ao Iraque. O valor é pequeno diante dos US$ 6,16 bilhões recebidos em 2026 pelo programa de Financiamento Militar Estrangeiro, mas a transferência indica que o imperialismo pretende aumentar a pressão sobre a América Latina.
O anúncio ocorreu poucos dias depois de uma viagem do secretário de Estado Marco Rubio ao Peru, à Colômbia e ao Equador. Em cada parada, Rubio anunciou novas iniciativas militares com governos de direita aliados da Casa Branca.
O Departamento de Estado afirma que o objetivo é combater o “narcoterrorismo” e a influência militar de adversários dos Estados Unidos. A fórmula reúne dois pretextos tradicionais do imperialismo: a guerra às drogas e a defesa do continente contra potências estrangeiras.
A própria Estratégia de Segurança Nacional norte-americana declarou que os Estados Unidos voltariam a impor a Doutrina Monroe para restaurar sua “preeminência” no hemisfério ocidental. A velha palavra de ordem “América para os americanos” sempre significou uma América Latina submetida aos norte-americanos.
O dinheiro deverá fortalecer governos como os de Keiko Fujimori, no Peru, e Abelardo de la Espriella, na Colômbia. Os governos da Argentina, do Equador e de El Salvador também integram o chamado Escudo das Américas, coalizão organizada pelos Estados Unidos sob a bandeira do combate ao crime organizado.
O imperialismo usa as organizações criminosas que cresceram graças ao mercado clandestino das drogas para ampliar sua presença militar. A política norte-americana não procura eliminar a fonte econômica desses grupos. Prefere fornecer armas, treinamento, sistemas de vigilância e assessores às polícias e Forças Armadas latino-americanas.
A legalização de todas as drogas atingiria diretamente os lucros extraordinários do tráfico e retiraria dos Estados Unidos uma de suas principais justificativas para intervir na região. Por isso, a Casa Branca insiste na proibição, mesmo depois de décadas de fracasso e de centenas de milhares de mortos.
O caso da Venezuela revelou até onde pode ir essa política. Depois da intervenção norte-americana e da captura de Nicolás Maduro, Trump passou a apresentar o país transformado em protetorado como exemplo de “cooperação” contra os cartéis. A Casa Branca usa a lista de países acusados de falhar no controle das drogas para ameaçar Brasil, Bolívia, México, Nicarágua e outras nações.
Equipar governos aliados significa preparar forças capazes de agir tanto contra adversários externos quanto contra seus próprios povos. O aparato vendido como combate ao crime pode ser usado para reprimir greves, revoltas populares e governos que contrariem os interesses norte-americanos.
O reforço militar no Panamá, no Peru, no Equador e na Colômbia amplia o cerco sobre toda a América do Sul. Os equipamentos vêm acompanhados de treinamento, peças e sistemas controlados pelo Pentágono, aprofundando a dependência militar dos países latino-americanos.



