Bruno Pedreiro do PCO, candidato do Partido da Causa Operária ao governo de Santa Catarina, denunciou que foi excluído de um debate organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Segundo o candidato, o encontro está marcado para primeiro de outubro e sua organização está nas mãos de militantes ligados à Unidade Popular (UP).
O candidato não recebeu convite nem foi informado da atividade. Soube do debate por um estudante da universidade, que lhe enviou a publicação do DCE e perguntou se ele havia recusado participar.
“Eu nem estava sabendo que teria debate. Aí falei: vou lá agora perguntar isso”, contou Bruno Pedreiro em áudio enviado ao Diário Causa Operária.
Bruno questionou publicamente a ausência de seu nome e pediu que apoiadores também cobrassem sua participação. Segundo seu relato, a publicação recebeu dezenas de comentários em pouco tempo. A direção do DCE teria fechado os comentários, voltado a abri-los na manhã seguinte e apagado a publicação depois que as manifestações passaram de 70 para mais de 100.
Bruno afirma que candidatos do PL e outros políticos burgueses foram chamados, enquanto ele e Marcelo Brigadeiro, do Missão, ficaram de fora. O candidato do PCO defende a participação de todos os concorrentes. Para ele, o DCE, dirigido por grupos que se apresentam como revolucionários, abriu espaço para a direita e excluiu um operário.
“O pessoal da esquerda revolucionária que comanda o DCE prefere discutir política com o cara do PL do que com o operário do PCO”, afirmou.
O único operário da disputa
Bruno Pedreiro do PCO é trabalhador da construção civil. A própria Folha de S.Paulo, ao apresentar os candidatos ao governo catarinense, identifica as profissões dos concorrentes: além do pedreiro do PCO, aparecem um professor, uma psicóloga, um empresário e um advogado, entre outros políticos profissionais.
Os militantes da esquerda pequeno-burguesa falam em nome dos trabalhadores, mas tratam a candidatura de um trabalhador como inferior à dos representantes da burguesia. Segundo Bruno, a direção estudantil preferiu convidar o PL em vez de permitir que um operário apresentasse seu programa aos estudantes.
“Isso significa que, para esse pessoal, nós estamos abaixo do MBL. Eles nos classificam como abaixo do MBL”, declarou.
Bruno citou ainda Gelson Merísio, candidato do PSB apoiado pelo PT, que estaria entre os nomes aceitos pelos organizadores. O pedreiro acusou o político de ter atacado os trabalhadores de Santa Catarina quando ocupou posições de poder no estado.
“Merísio foi um cara que castigou o povo catarinense. Eles chamam esse cara, mas não chamam o operário do PCO”, disse.
Palestina usada como desculpa
Durante a mobilização nos comentários, um perfil respondeu a um apoiador de Bruno acusando o PCO de excluir militantes da UP das atividades em defesa da Palestina realizadas em Santa Catarina. Bruno classificou a acusação como mentira.
O candidato relatou que ele e outro militante convocaram uma reunião aberta para organizar a participação catarinense no ato contra o G20. Representantes de diversas organizações estiveram presentes, entre elas PT e PCBR. Segundo Bruno, uma dirigente da UP que depois acusou o PCO de exclusão participou daquela reunião, mas sua organização se recusou a apoiar a atividade.
“Eu fui à reunião fazer um apelo para o pessoal nos apoiar no ato e ir conosco na caravana. Estavam várias organizações. É uma mentira dizer que foram excluídos”, afirmou.
A divergência sobre as atividades pela Palestina apareceu nos comentários como pretexto para o boicote. Os mesmos militantes que atacam o PCO aceitam conversar com a direita e fecham a porta para um partido operário.
O debate está previsto para primeiro de outubro. “Ainda tem chão. Vamos ver se eles vão rever isso e convidar o único trabalhador de Santa Catarina concorrendo ao governo”, declarou Bruno Pedreiro.





