Governo de MG

Henrique Áreas: privatização é roubo contra a população

Na Record Minas, candidato do PCO defendeu recuperar as empresas privatizadas e interromper o pagamento da dívida aos banqueiros

O candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo de Minas Gerais, Henrique Áreas, classificou as privatizações como um roubo contra a população e defendeu a reestatização das empresas em entrevista à Record Minas. Durante a conversa, também propôs interromper o pagamento da dívida pública para investir em saúde, educação, transporte e outros serviços.

Questionado sobre os contratos de privatização em vigor, Áreas explicou que os empresários recebem estruturas construídas com recursos públicos e passam a explorá-las para obter lucro. Defendeu a revisão desses contratos e a mobilização dos trabalhadores para exigir a devolução das empresas ao Estado.

“O Estado deve fornecer esse serviço a preços acessíveis, se não inclusive gratuitamente, se for o caso, porque, como são serviços essenciais, eles não podem visar o lucro, como visariam se estivessem na mão de uma empresa ou de um grupo privado, mas devem visar o serviço para a população e que esse serviço seja bem prestado.”

O candidato destacou os serviços de água, energia, transporte e dos Correios, empresa em que trabalhou. Rejeitou sua entrega à iniciativa privada e afirmou que recuperar o patrimônio público exige organizar a população contra os interesses dos atuais proprietários.

Não pagar a dívida

Ao responder sobre a dívida de Minas Gerais, Áreas afirmou que os juros mantêm uma cobrança que já foi paga. Defendeu a suspensão dos pagamentos para impedir que o dinheiro produzido pelo trabalho da população continue sendo transferido aos bancos e especuladores.

“Os candidatos falam: vou melhorar a saúde, vou melhorar a educação, vou melhorar o transporte, etc. Mas ninguém explica como. O problema é que a maior parte do dinheiro não fica na mão do Estado. Então, a gente acha que precisa o dinheiro ficar na mão do Estado para que esse dinheiro seja investido nesses serviços essenciais para a população.”

Perguntado sobre o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), reconheceu a intenção do governo federal de buscar uma solução, mas afirmou que a renegociação não resolve o problema. A cobrança de juros faz a dívida crescer e prolonga os pagamentos.

Áreas apontou o enfrentamento da dívida como uma das primeiras medidas de um governo do PCO. Para isso, defendeu esclarecer à população como funciona essa cobrança e mobilizá-la pela destinação dos recursos aos serviços públicos.

Apoio aos servidores e às greves

Ex-trabalhador dos Correios e diretor da Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios entre 2012 e 2015, o candidato relatou os efeitos das terceirizações e das demissões. Mesmo sem a venda integral da empresa, a entrega de setores à iniciativa privada ataca os funcionários e prejudica o atendimento.

Questionado sobre uma possível greve durante seu governo, Áreas afirmou que estaria ao lado dos trabalhadores. Defendeu a independência dos sindicatos e sua participação nas decisões sobre os serviços públicos.

“Seria um governo dos próprios trabalhadores. Os próprios movimentos sindicais teriam a independência para opinar, para gerir os seus próprios problemas nos diferentes setores. Por exemplo, os professores, as organizações sindicais dos professores teriam total autonomia para discutir os seus problemas.”

Sobre mudanças na estrutura do Estado, Áreas explicou que o objetivo é ampliar a participação direta dos trabalhadores nas decisões. Quanto maior o poder da população para decidir sobre os serviços e o governo, mais democrática será a organização estadual.

“Quanto mais o povo participe, quanto mais órgãos de decisão com a participação direta do povo, na nossa opinião, mais democrático é. Uma democracia real, não apenas institucional como existe hoje, que é uma coisa, na nossa opinião, até de fachada, não é de fato democrática.”

Segurança eleita pelos moradores

Na segurança pública, o candidato rejeitou a repressão como resposta à criminalidade e à violência contra as mulheres. Criticou os setores da esquerda que passaram a apoiar medidas repressivas e defendeu a melhoria das condições de vida da população.

Áreas propôs dissolver as atuais polícias, incluindo a Militar, a Civil e a Penal, e substituí-las por órgãos de segurança eleitos pelos moradores. A população poderia cobrar seus representantes e destituí-los quando não cumprissem suas funções.

“Você deveria ter um órgão de segurança nos bairros e que a própria população fizesse sua segurança. Dessa maneira, poderia inclusive: aquele representante ali não está cumprindo a função dele, vamos trocá-lo, porque nós que o elegemos. Isso evita o que acontece hoje, que a polícia é um órgão separado do povo e que serve para reprimir a população nos bairros.”

O candidato defendeu o armamento da população como um direito democrático e esclareceu que a proposta pressupõe uma organização da segurança pelos próprios moradores. O programa do PCO também reivindica a legalização de todas as drogas, contra a guerra às drogas usada para justificar a repressão nos bairros pobres.

Revisar as prisões

Áreas condenou a brutalidade do sistema penitenciário e a manutenção de pessoas na cadeia por anos, mesmo quando não representam perigo para a sociedade. Defendeu um sistema educativo, em lugar do encarceramento que agrava os problemas de segurança.

Também propôs uma revisão geral das prisões. A falta de recursos para contratar uma defesa, explicou, leva trabalhadores pobres à cadeia por pequenos delitos ou mesmo por crimes que não cometeram.

“O Judiciário é uma máquina. Se a pessoa cometer um crime, a população pobre não tem condições de se defender. Então, às vezes é um crime simples, mas a pessoa vai presa mesmo assim. Às vezes a pessoa nem cometeu o crime e não consegue se defender e vai presa.”

O candidato afirmou que essa revisão deve ser feita dentro das atribuições estaduais, acompanhada da pressão por mudanças nacionais. Defendeu ainda a eleição dos integrantes do Judiciário, para que a população possa escolher seus representantes também nesse poder.

Saúde perto de casa

Na saúde, Áreas defendeu mais hospitais e unidades básicas. Citou a experiência cubana, que conheceu em visita ao país, com pequenas unidades nos bairros para atender os moradores próximos de suas casas.

Essa estrutura permite realizar procedimentos como a vacinação sem obrigar a população a percorrer grandes distâncias. A interrupção do pagamento da dívida forneceria recursos para ampliar o atendimento.

Nas considerações finais, o candidato explicou que a campanha do PCO convoca os trabalhadores à mobilização, sem apresentar a eleição de um governante como solução para seus problemas.

“O PCO não acredita nas eleições como uma maneira de modificar a sociedade. Então, nós não chamamos voto no sentido de votar em mim que nós vamos mudar sua vida, mas a gente chama o povo a se mobilizar.”

Áreas encerrou denunciando a perseguição do Ministério Público e da Polícia Filial contra o Partido, incluindo a operação na residência de Rui Costa Pimenta, presidente do PCO e candidato à Presidência. Reafirmou a defesa da eleição do Judiciário e condenou sua atuação contra a população.

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