Copa do Mundo 2026

O vale-tudo para enaltecer o futebol argentino

A imprensa brasileira, que não perde tempo para jogar lama na Seleção Brasilieira, faz de tudo para engrandecer o futebol argentino

Gol de mão de Maradona

O artigo 22 de junho de 1986: o dia em que Maradona se transformou num mito eterno, publicado no Brasil 247 na terça-feira (21), busca fazer o impossível: transformar em mitologia um gol de mão, o anti-jogo. E há algo muito pior nisso tudo: se a trapaça de Maradona foi válida, por que não seria válida também a compra da Copa de 1978? Então, tudo bem a anulação do gol de Zico contra a Suécia, com o jogo sendo interrompido com a bola ainda no ar e que levaria à eliminação do Brasil em uma competição onde era a franca favorita.

Da mesma maneira que aquele gol teria sido “mítico”, a roubalheira em favor da seleção argentina nesta Copa nos Estados Unidos também estaria justificada.

Segundo o artigo, “em 22 de junho de 1986, Diego Armando Maradona deixou de ser apenas o maior jogador de sua geração para se tornar um mito eterno do futebol e da cultura popular latino-americana. Naquele domingo, no Estádio Azteca, na Cidade do México, a Argentina venceu a Inglaterra por 2 a 1 nas quartas de final da Copa do Mundo. Mas o placar foi apenas a superfície de um acontecimento muito maior. Em quatro minutos, Maradona marcou dois gols que entrariam para sempre na história: a ‘Mão de Deus’ e o ‘Gol do Século’.”

A história de que Maradona seria o maior jogador de sua época é muito mais fruto de propaganda do que realidade. Basta constatar que, no mesmo período, tivemos um Zico. Maradona jogava no Napoli, na Itália, e havia uma grande campanha para apresentar o futebol europeu como superior.

No mesmo Napoli atuaram os brasileiros Alemão e Careca, que facilitavam a vida do argentino nos jogos. Careca, que era muito rápido, habilidoso e tinha extremo faro de gol, atraía a marcação, deixando mais espaço para Maradona. Alemão, um meio-campista mestre em desarme e iniciar jogadas, permitia que o ataque pudesse poupar energia, não se desgastar, e flutuar mais entre as linhas defensivas adversárias.

No Brasil, a imprensa serviu à campanha internacional contra o futebol nacional e entrou na “polêmica” de que Maradona teria sido melhor que Pelé, o atleta do século. Na verdade, ainda serve, pois tenta comparar Lionel Messi ao Rei.

É falso que “a partida, disputada diante de mais de 100 mil pessoas, tornou-se uma das mais simbólicas da história do esporte”, a menos, é claro, que o simbólico se refira à trapaça. De nada vale dizer que de um lado estava a “Argentina, ainda marcada pela dor da Guerra das Malvinas, travada quatro anos antes contra o Reino Unido. De outro, a Inglaterra de Margaret Thatcher, potência imperial que havia derrotado militarmente os argentinos no Atlântico Sul.” O pretexto das Malvinas foi levantado novamente nos Estados Unidos e virou uma espécie de coringa.

Esse artigo mostra como se criam mitos por meio de propaganda. O texto descreve que “o primeiro gol de Maradona veio aos seis minutos do segundo tempo. Após uma jogada confusa na entrada da área inglesa, a bola subiu. O goleiro Peter Shilton saiu para afastar. Maradona, muito mais baixo, saltou junto com ele. A bola entrou. A arbitragem validou. As imagens mostrariam depois que o argentino havia usado a mão esquerda para empurrar a bola para o gol.” Dito assim, friamente, parece que foi apenas mais um lance. No entanto, o que vem depois muda tudo, diz que “nascia a ‘Mão de Deus’, uma das expressões mais conhecidas da história do futebol.” Fica, portanto, tratada como excepcional uma jogada completamente irregular que “para o mundo, virou mito”, mas o mito é fruto da campanha da imprensa em seu favor.

São ditas coisas como “o gol condensou a ambiguidade de Maradona”, “ele não era um herói limpo, domesticado”, “era contraditória”, “genial”, etc. Isso, é claro, muda a percepção das pessoas suscetíveis sobre o lance.

Como era um jogo de mata-mata, o time inglês se abalou, e quatro minutos depois tomou outro gol, que apesar de bonito, não foi, como tenta dizer o artigo, o “gol do século”. Se for assim, o que dizer do gol de Pelé, recriado por IA, no qual deu quatro chapéus seguidos, sem deixar a bola cair no chão antes de completar de cabeça contra o Juventus? E foi no mesmo século. O próprio Pelé, ainda um garoto de apenas 17 anos, na Copa de 1958, recebeu um lançamento longo e preciso de Nilton Santos, a Enciclopédia do Futebol, chapelou o zagueiro e marcou contra a Suécia. Qual é mais “gol do século”?

Para o jornalista, “se a ‘Mão de Deus’ era ambígua, o segundo gol era absoluto. Não havia contestação possível. Era talento em estado puro. Era a prova de que Maradona podia vencer um jogo não apenas com astúcia, mas com uma superioridade técnica quase sobrenatural. O mesmo homem que havia enganado a arbitragem minutos antes produziu o lance mais belo da história das Copas.” Como assim, “ambígua”? Foi um gol de mão. O segundo gol só existiu porque o primeiro não foi devidamente anulado. E, como já foi dito, era um mata-mata e o time inglês teria que se abrir para correr atrás do resultado.

Quem dera a imprensa fosse tão condescendente com os brasileiros, pois é incrível o que se tem feito para valorizar o futebol argentino. Tentam colocá-lo como um rival do futebol brasileiro, mas a verdade é que não dá para comparar. Quem acompanhou a última Copa pôde ver com os próprios olhos que se trata de um futebol violento e desleal, além da catimba que é o anti-futebol em pessoa.

Essa comparação entre “duas escolas” é, na verdade, um ataque ao futebol brasileiro, que desde sempre incomoda o futebol europeu.

O comportamento da imprensa com relação ao futebol do país vizinho e o brasileiro é escandaloso. Enquanto se faz de tudo para pôr para baixo aquele que é o melhor, para o outro são só elogios, vale tudo, até o que tem feito a esquerda identitária, que inventou até uma afro-Argentina.

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