A seleção iraniana de futebol foi recebida com festa nesta quarta-feira (1º), ao desembarcar no Aeroporto Mehrabad, em Teerã, depois de sua participação na Copa do Mundo da FIFA de 2026. Torcedores, dirigentes e funcionários se reuniram no local para homenagear os jogadores e a comissão técnica, que deixaram a competição ainda na primeira fase, mas voltaram ao país como uma equipe que enfrentou não apenas seus adversários em campo, mas também uma série de obstáculos políticos criados pelos Estados Unidos.
Segundo a agência iraniana IRNA, o avião da delegação pousou em Teerã depois de passar por Antália, na Turquia, durante a viagem de retorno do México, um dos países-sede do torneio, ao lado dos Estados Unidos e do Canadá. No aeroporto, os jogadores foram recebidos sob aplausos, cânticos e manifestações de apoio.
O Irã terminou sua campanha sem conseguir chegar à segunda fase, mas pontuou nos três jogos, enfrentou seleções fortes e foi eliminado em uma combinação de resultados decidida nos acréscimos de outra partida.
Os torcedores saudaram os atletas e a comissão técnica, destacando o esforço da equipe em uma Copa marcada por condições especiais impostas à delegação iraniana.
A seleção saiu do México e retornou ao país em meio a críticas à forma como o torneio foi organizado pelos Estados Unidos. Durante a competição, autoridades norte-americanas impuseram restrições de deslocamento, dificultaram a entrada de integrantes da delegação e criaram condições que prejudicaram a preparação da equipe.
Mesmo assim, o Irã conseguiu fazer uma campanha competitiva. A equipe começou a Copa com empate contra a Nova Zelândia. Depois, arrancou outro empate diante da Bélgica, uma das seleções europeias mais fortes do grupo. Na partida decisiva, contra o Egito, os iranianos empataram em 1 a 1 e ficaram muito próximos da vitória.
Contra os egípcios, o Irã teve um gol de Khalilzadeh anulado nos acréscimos por impedimento. Nos segundos finais, Ezatolahi ainda acertou o travessão. Um pênalti desperdiçado, duas bolas na trave e a anulação do gol no fim deixaram a seleção fora da zona de classificação direta.
A eliminação iraniana foi confirmada no sábado (27), depois do empate em 3 a 3 entre Argélia e Áustria, no Kansas City Stadium, pelo Grupo J. Para avançar como uma das melhores terceiras colocadas, o Irã precisava que uma das duas seleções vencesse. O empate classificou argelinos e austríacos e tirou a vaga iraniana.
O lance decisivo ocorreu nos acréscimos. O árbitro havia indicado quatro minutos. Aos 90+3, Mahrez marcou para a Argélia, fazendo 3 a 2. Naquele momento, o resultado eliminava a Áustria e classificava o Irã. A partida, no entanto, seguiu além do tempo indicado. Aos 90+5, Kalajdžić marcou de cabeça, empatou o jogo e colocou a Áustria na segunda fase.
Argélia, Áustria e Irã terminaram com a mesma campanha: uma vitória, um empate e uma derrota. A diferença veio nos critérios de desempate e na classificação geral dos terceiros colocados. A seleção iraniana, que havia pontuado nos três jogos e ficado a detalhes da vitória contra o Egito, acabou fora do mata-mata.
Perseguição dos EUA
A campanha iraniana foi marcada por uma perseguição aberta do governo norte-americano. Antes mesmo do início da Copa, mais de uma dúzia de integrantes da comissão técnica e dirigentes da federação iraniana tiveram seus vistos negados, segundo o norte-americano New York Times. Entre os barrados estavam o presidente da federação, Mehdi Taj, e o vice-presidente Mehdi Mohammed Nabi.
Todos os jogadores receberam autorização para entrar nos Estados Unidos, mas parte importante da estrutura da seleção ficou impedida de viajar. O técnico Amir Ghalenoei e o capitão Mehdi Taremi reclamaram repetidamente que a delegação precisou disputar o torneio sem funcionários de logística, roupeiros e assessores de imprensa.
Os jogadores também foram prejudicados pela demora na liberação dos documentos. Os vistos do elenco só foram concedidos uma semana antes da primeira partida. Ghalenoei afirmou que os Estados Unidos negaram o pedido para que a seleção chegasse ao país com antecedência e permanecesse por duas semanas antes do início do torneio. Segundo o treinador, a equipe foi tratada de forma injusta.
A situação obrigou o Irã a mudar sua preparação. A seleção pretendia se concentrar em Tucson, no estado do Arizona, mas acabou transferida para a fronteira mexicana, por sugestão da FIFA.
O regulamento da Copa prevê que as seleções viajem da base ao local do jogo no dia anterior à partida e, em casos excepcionais, dois dias antes. Contra o Irã, a regra foi aplicada de maneira rígida. Para a partida contra o Egito, o Departamento de Segurança Interna afirmou que estava “flexibilizando” as restrições ao permitir a entrada da delegação dois dias antes do jogo. Mesmo assim, a equipe teve de deixar o país logo após a partida.
Taremi reclamou do fato de a seleção ter de retornar a Tijuana antes e depois dos jogos, sem período adequado de descanso. Ghalenoei afirmou que apenas o deslocamento até o aeroporto levava cerca de três horas, aumentando o desgaste físico dos atletas durante a fase de grupos.
A perseguição atingiu até casos individuais. Mehdi Torabi teve de comparecer ao consulado norte-americano em Tijuana para obter um novo visto depois da primeira partida.





