Irã

Começa o funeral do mártir Aiatolá Saied Ali Khamenei

Cerimônias do aiatolá Saied Ali Khamenei começam em Teerã e passarão por Qom, Najaf, Karbala e Mashhad

Representantes de mais de 100 países são esperados no funeral de Estado do aiatolá Saied Ali Khamenei, antigo Líder da Revolução Islâmica do Irã, assassinado em 28 de fevereiro por um ataque conjunto dos Estados Unidos e de “Israel”. A cerimônia começa nesta sexta-feira (3), em Teerã, segundo informou a rede estatal iraniana IRIB.

Khamenei foi morto aos 86 anos, junto com vários integrantes de sua família, no primeiro dia da guerra dos EUA e de “Israel” contra o Irã. O sepultamento havia sido previsto inicialmente para março, mas foi adiado enquanto a guerra contra o país se prolongava.

O funeral terá duração de sete dias, com cerimônias no Irã e no Iraque. O primeiro ato, nesta sexta-feira, em Teerã, será o principal momento de presença das delegações estrangeiras, incluindo chefes de Estado, chefes de governo, ministros, parlamentares, autoridades religiosas e representantes de organizações políticas.

A cerimônia ocorre em um momento de grande tensão militar. O aiatolá Saied Mojtaba Hosseini Khamenei, atual Líder da Revolução Islâmica e filho de Ali Khamenei, não estará presente, de acordo com seu representante na Índia, por motivos de segurança. A ausência foi anunciada após novas ameaças de “Israel” contra sua vida.

Entre os chefes de governo confirmados está o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. O Paquistão teve papel central na mediação entre os Estados Unidos e o Irã, participando das negociações que levaram ao cessar-fogo de abril e ao memorando de entendimento de junho, documento usado como base para as tratativas em torno do fim da guerra.

Também chegaram a Teerã o chefe do Exército paquistanês, marechal Asim Munir, e o ministro do Interior do país, Mohsin Naqvi. A presença paquistanesa tem peso político particular, pois Islamabad atuou ao lado do Catar na mediação entre Teerã e os EUA.

O presidente do Tajiquistão, Emomali Rahmon, também participará da cerimônia. A Armênia será representada pelo primeiro-ministro Nikol Pashinyan. A Geórgia confirmou a presença de seu presidente, Mikheil Kavelashvili.

A Turquia enviará o vice-presidente Cevdet Yilmaz. A Índia será representada pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Pabitra Margherita, e pelo governador de Bihar, Syed Ata Hasnain, ex-tenente-general do Exército indiano e a autoridade xiita de maior posição em cargo público no país. Também integram a delegação indiana os dirigentes oposicionistas Salman Khurshid, antigo ministro das Relações Exteriores, e Mehbooba Mufti.

A China enviará He Wei, vice-presidente do Comitê Permanente da Assembleia Popular Nacional. A Rússia será representada por Dmitri Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança russo, ex-presidente e ex-primeiro-ministro do país.

O governo do Afeganistão enviou o ministro das Relações Exteriores, Amir Khan Muttaqi. Informes da imprensa afegã indicam também a presença de Abdul Ghani Baradar, primeiro vice-primeiro-ministro para assuntos econômicos. Bangladesh será representado pelo presidente de seu Parlamento, Hafiz Uddin Ahmed.

O roteiro do funeral começa em Teerã nesta sexta-feira (3), com a presença das autoridades estrangeiras. No sábado (4) e no domingo (5), o caixão de Khamenei, junto com os de familiares mortos no mesmo ataque, será colocado no Grande Mosalla de Teerã, um dos maiores complexos de oração do Irã, para despedida pública.

Na segunda-feira (6) e na terça-feira (7), as procissões seguirão por outras áreas de Teerã e depois irão para Qom, cerca de 120 quilômetros ao sul da capital. Qom é o principal centro de estudos religiosos xiitas do Irã e uma das cidades sagradas do país. Khamenei estudou em seminários religiosos de Mashhad e de Qom antes de ascender à direção da República Islâmica.

Na quarta-feira (8), haverá recepção oficial no Aeroporto Internacional de Najaf, no Iraque, seguida de procissões públicas em Najaf e Karbala. Najaf abriga o santuário do imã Ali, um dos locais mais importantes do xiismo. Karbala abriga os santuários do imã Hussein e de Abbas, mortos na Batalha de Karbala, no ano 680, episódio central da história religiosa xiita.

O corpo retornará depois ao Irã. O sepultamento final está marcado para quinta-feira (9), no santuário do imã Reza, em Mashhad, cidade natal de Khamenei. O local é um dos principais centros de peregrinação do mundo islâmico e abriga o túmulo do oitavo imã do xiismo.

As autoridades iranianas esperam uma das maiores cerimônias públicas da história recente do país. O funeral do aiatolá Ruholá Khomeini, em 1989, reuniu cerca de 10 milhões de pessoas. A dimensão do funeral de Khamenei deve expressar o peso político da liderança iraniana em meio à guerra contra os EUA e “Israel”.

Khamenei assumiu a direção do Irã em 1989, após a morte de Khomeini, dirigente da Revolução Islâmica de 1979, que derrubou a monarquia pró-imperialista dos Pahlavi. Durante mais de três décadas, Khamenei dirigiu o país em um período de bloqueios, sanções, guerras e ofensivas imperialistas contra o Oriente Médio.

Sua morte no ataque de 28 de fevereiro marcou o início direto da guerra dos EUA e de “Israel” contra o Irã. O assassinato tinha como objetivo atingir o centro político da República Islâmica, mas o país manteve sua estrutura de comando e consolidou a sucessão com Mojtaba Khamenei.

Na véspera do início das cerimônias, o comandante Ali Abdollahi, do Comando Central Khatam al-Anbiya, advertiu os Estados Unidos e “Israel” contra qualquer tentativa de ataque durante o funeral. “Advertimos os inimigos do Irã, especialmente os EUA e o regime sionista, para que evitem qualquer erro de cálculo e pensem na dura retaliação que nossas Forças Armadas darão a qualquer ameaça e agressão contra nosso país”, afirmou.

A advertência mostra que o funeral ocorre sob ameaça permanente do imperialismo. Ao mesmo tempo, a presença de delegações de mais de 100 países em Teerã revela o isolamento político de “Israel” e o peso internacional conquistado pelo Irã após meses de guerra.

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