A seleção marroquina, também conhecida como os “Leões do Atlas”, obviamente nunca constou entre as favoritas sequer a chegar nas quartas de final da Copa do Catar. Mas agora a seleção representante dos muçulmanos de rica tradição cultural árabe e bérbere, apesar das influências espanholas e francesas em razão de sua colonização por estes países imperialistas no passado, passa a ser a representante de todos os povos oprimidos da África e de todo o mundo na Copa do Mundo. Isso especialmente após a retirada da equipe brasileira, pela roubalheira imposta pelos países imperialistas, como Inglaterra, Holanda e França, interessados na derrota brasileira, vista no último jogo brasileiro frente à seleção croata, em que o juiz inglês e a equipe do VAR comandada pelo holandês fizeram “vistas grossas” contra lances clamorosos a favor do Brasil, como o pênalti cometido pelo zagueiro croata ao colocar a mão na bola e lances como os sofridos por Antony.
O Marrocos é um país de extrema importância político econômica para o imperialismo europeu, situa-se no noroeste da África e está separado da Europa pelo estreito de Gibraltar e pelo Mar Mediterrâneo. O Estreito de Gibraltar apresenta grande importância econômica, sendo uma das rotas marítimas e comerciais mais movimentadas do mundo atualmente. Por sua vez, é utilizado constantemente para entradas de pessoas ilegais no continente Europeu.
Limita-se a oeste com o Oceano Atlântico, a nordeste com o mar Mediterrâneo, a leste e sudeste com a Argélia e a sudoeste com o Saara Ocidental (ex-Saara Espanhol).
O Saara Ocidental, território limitado a leste e ao sul com a Mauritânia e a oeste com o Atlântico, foi anexado pelo Marrocos, apesar dos protestos internacionais e de grupos nacionalistas, depois que a Espanha retirou-se da região, em 1975. Não se considerando o Saara Ocidental, o governo marroquino reivindica à Espanha as localidades espanholas de Ceuta e Melilla e as ilhas Chafarinas.
A seleção marroquina tem como principais conquistas continentais o título de campeão do Campeonato Africano das Nações em 1976 e a medalha de ouro na Copa das Nações Árabes de 2012. Além destes, considerados os mais importantes, tem outras Conquistas como os Jogos da Francofonia de 2001, que são uma espécie de jogos olímpicos com grandes espetáculos culturais dos povos de língua francesa. É também campeão do Campeonato das Nações Africanas de 2018 e 2020, que é organizado a cada dois anos pela Confederação Africana de Futebol (CAF). Diferente da Copa Africana de Nações (CAN), que é considerada a mais importante pelos africanos, nele só podem participar atletas que atuem nos seus países de origem.
Antes do feito de chegar à semifinal da Copa do Mundo do Catar, sua melhor colocação em Copas ocorreu na Copa do México de 1986, quando obteve a 11ª colocação.
A maioria dos jogadores nasceu fora do Marrocos, resultado da condição de país explorado pelo imperialismo e pobre. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país é 0,683, ocupando a posição de número 123 na classificação mundial. Para efeito de comparação, o Brasil é o 87º, com índice de 0,754. Essa é uma das principais razões da migração de marroquinos, principalmente para países europeus, situação que se reflete em sua seleção. De todo o plantel africano com 26 jogadores (número máximo permitido pela FIFA), 13 nasceram na Europa e um na América do Norte. Quatro deles nasceram na Holanda, quatro na Bélgica, dois na França, dois na Espanha, um na Itália e um no Canadá. São eles: Aboukhlal, Amallah, Amrabat, Boufai, Bounou, Chedira, Chair, El Kajoui, El Khannous, Hakimi, Mazraoul, Saiss, Ziyech e Zorouy.
O autor do gol que mandou a Espanha de volta para a casa, na disputa de pênaltis, Hakimi, por exemplo, nasceu em Madrid e podia até ter jogado pela seleção da Espanha, mas seus laços africanos falaram mais alto.
“Até tentei com a seleção espanhola, mas vi que não era o meu lugar, não me sentia em casa. Não era por nada em particular, mas pelo que sentia, porque não era o que tinha absorvido e vivido em casa, que é cultura árabe, sendo marroquino. Queria estar na seleção marroquina”, disse ele ao jornal esportivo espanhol Marca antes da Copa do Mundo.
A epopeia marroquina que já fez os “Leões” superarem o feito de figurarem na lista de seleções africanas que alcançaram as quartas de final da Copa do Mundo, com Camarões em 1990, Senegal em 2002, Gana em 2006 e o próprio Marrocos em 2022, agora chega às semifinais, o que a coloca como a principal inimiga dos países imperialistas na disputa futebolística, principalmente a França.
A campanha de Marrocos, classificado como líder do Grupo F, é espetacular. Na primeira fase da Copa, diante da Croácia (vice-campeã mundial de 2018, na Rússia), empate em 0x0; contra a Bélgica (número 2 do ranking da FIFA), vitória contundente por 2×0, e contra o Canadá (líder das eliminatórias da Copa do Mundo da Concacaf), vitória por 2×1, sendo este o único jogo que levaram gol (contra) na Copa, confirmando a solidez do seu sistema defensivo. Passaram em primeiro lugar no grupo F. Nas oitavas de final bateram a favorita Espanha, nos pênaltis, com 0x0 no tempo normal e 3×0 nas penalidades. Nas quartas de final, 1×0 contra Portugal de Cristiano Ronaldo, resultado que levou Marrocos a ser o primeiro país africano a alcançar uma semifinal de Copa do Mundo. As únicas seleções fora da Europa e da América do Sul a chegar às semifinais da Copa do Mundo foram os Estados Unidos, em 1930, e a Coreia do Sul, em 2002.
Após eliminar a Portugal e dois países do imperialismo europeu, Bélgica e Espanha, agora Marrocos terá pela frente o maior país imperialista da Europa, a França, já que o imperialismo alemão, mais uma vez, caiu pelas tabelas, com seu fraco futebol, e foi eliminada na primeira fase.
A França de classificou para as semifinais é já é há muito tempo a queridinha dos imperialistas mundiais, e diga-se de passagem dos imperialistas no Brasil.
A campanha francesa na Copa, até o momento, é muito fraca. Em um grupo com Austrália, Tunísia e Dinamarca na primeira fase, foi derrotada pela Tunísia por 1×0. Nas oitavas de final venceu a fraquíssima Polônia por 3×1. E se classificou no último sábado às semifinais após vencer a Inglaterra por 2×1.
A tarefa de Marrocos será muito difícil, nas semifinais. Será o Leão lutando contra tudo e contra todos. Se o imperialismo e seus capitalistas mais uma vez colocaram para fora o melhor futebol do mundo, para fazer valer seus interesses, através de mais uma grande roubalheira contra a seleção brasileira, agora os seus canhões estão virados para o país de além mar do estreito de Gibraltar.
Um exemplo é o VAR. Apesar de ter no grupo de 24 árbitros do equipamento dois marroquinos, Adil Zourak e Redouane Jiyed, estes são os únicos africanos de todo o grupo, e não há mais nenhum africano em todo a equipe do VAR. Ou seja, os africanos estarão totalmente órfãos na arbitragem mafiosa do grupo de 5 juízes do VAR no jogo contra os franceses, onde a maioria será de europeus. Também há dois árbitros franceses, que não farão parte da equipe no jogo, mas há outros 9 juízes europeus, que destes serão, obviamente, escolhidos ao menos três europeus do total de 11 do VAR para fazer valer os interesses capitalistas.
Interesses esses como a da americana Nike, que vestiu 13 das 32 equipes na Copa (que tem como sua melhor representante nas semifinais a França, além da Croácia), contra sete da Adidas, que terá como sua representante a Argentina. Neste caso a Adidas estará no prejuízo, pois a Argentina, assim como o Brasil, são países pobres, onde a maioria da população não procura em primeiro lugar artigos destes capitalistas, pelo seu alto custo, diferente dos países europeus. Apesar de não patrocinar diretamente a seleção francesa, a poderosa marca francesa Le Coq Sportif, também estará “torcendo” pela classificação francesa, seja por quais forem os meios para ainda ganhar muitos dividendos na Copa e no pós-Copa.
Já de antemão mostrando que o povo de Marrocos é inimigo do imperialismo, sua seleção e torcida em meio às comemorações pelos grandes feitos na Copa do Mundo, em vários momentos, se colocaram na defesa explícita do povo palestino, como o zagueiro da seleção de Marrocos, Jawad El Yamig, que ergueu uma bandeira da Palestina, em homenagem e apoio ao povo que tanto sofre com os ataques do governo israelense. E a enorme torcida do Raja Casablanca, que viralizou mundialmente cantando em defesa da Palestina.
A situação da Palestina tem sido um dos destaques da edição desta Copa. Inclusive, durante a vitória da Tunísia contra a França, um torcedor chegou a invadir o campo com a bandeira da Palestina.
Aqui fica todo o apoio deste Diário e dos militantes do Partido da Causa Operária, que conclamam a torcida brasileira a torcer e dizer: Somos todos Marrocos!




