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Bloqueio de rodovias

Não à repressão do Estado contra os protestos de rua

Nos últimos dias, caminhoneiros bolsonaristas têm sido atacados pelas forças de repressão do Estado após bloquearem rodovias, uma violação do direito de livre manifestação


Após o resultado do segundo turno das eleições gerais deste ano, que definiu Lula como o novo presidente do Brasil, pequenas manifestações bolsonaristas surgiram em algumas regiões do País.

Os participantes, em sua maioria caminhoneiros, reivindicam, contra Lula, a realização de uma intervenção militar que coloque Bolsonaro na presidência novamente, afirmando que o pleito realizado no último final de semana foi uma farsa. Para tal, estão bloqueando rodovias com seus caminhões.

Frente a isso, Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, na segunda-feira (31), que as autoridades adotem “todas as medidas necessárias” para desobstruir os trechos ocupados pelos bolsonaristas.

Entretanto, averiguando que sua medida inicial não havia sido suficiente para dispersar os manifestantes, Moraes, nesta terça-feira (1.º), decidiu, por meio do STF, que as polícias militares podem atuar da maneira que acharem necessário contra as obstruções.

Deve ficar claro que a intervenção da polícia para reprimir esses bloqueios é algo antidemocrático, uma medida repressiva que ataca o direito do povo de livre manifestação. Tanto é que, segundo informações da Folha de S. Paulo, agentes da Polícia Rodoviária Federal estão utilizando spray de pimenta para dispersar as manifestações em Guarulhos.

Os manifestantes, apesar de defenderem uma reivindicação reacionária, estão exercendo o direito democrático de manifestação e eles pertencem, em sua maioria, a setores populares da classe operária e da pequena burguesia empobrecida. No final, é uma forma de manifestação legítima que não pode ser violada.

A medida correta para combater os bloqueios passa pelo diálogo. Boa parte dos manifestantes consiste em trabalhadores confusos e assustados diante da crise capitalista e que, portanto, querem garantir a sua sobrevivência.

Na realidade, está sendo criado mais um precedente, por parte do Supremo, para atacar, acima de tudo, a esquerda e a classe operária. É ainda mais uma situação em que o ministro, extrapolando completamente as suas atribuições constitucionais, abusa de seu poder.

Foi o que ocorreu em relação à liberdade de expressão. Sob o pretexto de combate ao fascismo, Moraes rasgou a Constituição e censurou uma série de figuras indiferentes da direita. No final, foi uma cruzada que se voltou contra a esquerda, como demonstrou o caso do PCO, que teve suas redes sociais derrubadas.

O mesmo acontece agora, mas, dessa vez, em relação ao direito do povo de se manifestar. Afinal, as manifestações são miúdas, mas a sua repercussão na imprensa é imensa e procura pintar um quadro caótico. Mais para a frente, por que a burguesia não poderia, legalmente falando, reprimir violentamente um bloqueio de rodovia do MST, por exemplo?

A esquerda, demonstrando, mais uma vez, o tamanho de sua confusão política, apoia a repressão policial contra aqueles que chama de “terroristas” e “baderneiros” ─ os mesmos termos usados pelos patrões e pela extrema-direita contra trabalhadores grevistas. Um erro que, no futuro, pode custar caro.

Caso a mobilização dos caminhoneiros fosse, de fato, uma preparação das forças armadas ou policiais para impor um golpe de Estado no País – algo que, nesse momento, carece de indícios concretos -, a situação seria outra. Nesse caso, seria preciso mobilizar o povo, e não a PM. Esqueceu-se a esquerda de que, na Bolívia, foi justamente a polícia quem deu o golpe em 2019.

Nesse sentido, é preciso convocar todas as organizações operárias não a reprimir as manifestações, mas sim, a permanecer em estado de alerta. Caso haja uma escalada da situação à direita, aí, sim, é preciso agir ao lado dos trabalhadores e derrotar a ofensiva fascista. Até lá, a esquerda não pode defender a repressão da burguesia contra o direito de livre manifestação.


COTV

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