O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), compartilhou neste domingo (14) um artigo do ex-ministro da Fazenda Pedro Malan em homenagem aos 95 anos de Fernando Henrique Cardoso (FHC) e aproveitou para elogiar o Plano Real, apresentando-o como uma combinação de “vontade política e capacidade institucional”. Gilmar chegou a tratar o plano econômico dos tucanos como o “maior programa social” do Brasil. Ele só esqueceu que o governo FHC entregou o patrimônio nacional, produziu desemprego em massa e submeteu o País vergonhosamente ao imperialismo.
A Vale do Rio Doce foi vendida em 1997 por cerca de R$3,3 bilhões. O sistema Telebrás foi entregue em 1998 por cerca de R$22 bilhões. No conjunto do ciclo de privatizações dos anos 1990 até 2002, foram movimentados cerca de US$100 bilhões, incluindo dívidas transferidas. Empresas estratégicas de mineração, telecomunicações, energia, bancos estaduais, ferrovias e siderurgia passaram para as mãos de capitalistas nacionais e estrangeiros.
Foi uma devastação. As privatizações, a abertura comercial, os juros altíssimos e o desmonte das estatais destruíram centenas de milhares de empregos, muitos deles de trabalhadores especializados. Em todo o processo de ofensiva neoliberal, o número se aproxima de 1 milhão de postos eliminados direta e indiretamente.
A dívida pública também explodiu. A dívida líquida do setor público saiu da casa de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) no início do Plano Real para cerca de 55% do PIB ao final do governo FHC. Em 1998, o País teve de recorrer a um pacote de mais de US$40 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em 2001, veio o apagão, prova material do fracasso da política de sucateamento e entrega de setores estratégicos. Esse é o verdadeiro balanço do governo que Gilmar Mendes e Pedro Malan querem transformar em modelo.
O próprio crescimento dos programas de transferência de renda nos governos seguintes mostra o tamanho do desastre herdado. O Bolsa Família não surgiu porque FHC resolveu os problemas sociais do País. Surgiu porque o neoliberalismo tucano deixou milhões de trabalhadores sem emprego estável, sem renda suficiente e sem perspectiva. Lula teve de organizar uma política de assistência justamente porque o Brasil saído dos anos 1990 era um País devastado pela política dos privatizadores.
A fala de Gilmar Mendes chama ainda mais a atenção por vir de um ministro do STF. O Supremo, que se apresenta como “guardião da Constituição”, se revela tal como é: uma arma dos capitalistas contra o povo brasileiro. Ao defender FHC e exaltar o Plano Real, Gilmar se une à pressão da imprensa golpista para que qualquer governo eleito em 2026 se ajoelhe diante dos mesmos interesses que quebraram o País nos anos 1990.





