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O pacifismo moralista do PCB

Devemos esconder as armas das crianças?

Escandalizado como uma madame, PCB não quer que crianças saibam que existam armas


No dia 13 de outubro, o PCB publicou em seu sítio na internet uma nota pública de sua militância de Uberaba-MG. O objetivo era denunciar uma atividade de dia das crianças organizada em conjunto pela prefeitura da cidade, a Polícia Militar e o Exército expondo armamentos, munições e artefatos em praça pública. Além disso, segundo a nota, às crianças eram ensinados o uso e potencial dos armamentos, além de serem incentivadas a manusear.

O PCB identifica a atividade de dia das crianças ao apoio da prefeita, Elisa Araújo (Solidariedade), à candidatura de Jair Bolsonaro. É provável que a ação seja uma tentativa de propaganda bolsonarista. O problema é que, procurando criticar o bolsonarismo, o PCB acaba endossando a propaganda contrarrevolucionária da burguesia pelo desarmamento.

Além disso, o PCB se comporta como madame de apartamento, olhando com verdadeiro espanto e escândalo o fato de terem exposto armas para crianças. Ao invés de criticar a Polícia Militar e o bolsonarismo que a apoia, denunciar os assassinatos do povo, inclusive de crianças nas periferias, mostrar que a polícia é uma arma contra o povo e que para combatê-la precisaria extinguir a polícia e armar o povo.

Estudantes chineses de Hanquim, onde ensinava-se a manejar armas nas escolas nas primeiras décadas da Revolução Chinesa. (Foto: Keystone/Getty Images)

O PCB, no espírito pacifista disseminado pela burguesia, não só se abstém de mostrar o verdadeiro caráter da polícia, como também quer que o povo seja desarmado. O PCB quer que “nossas crianças estejam longe das armas”, como anjinhos puros que vivem fora do mundo real.

É bastante estranho um partido que, ao menos da boca para fora, se diz revolucionário, se espantar tanto com as armas. Mas para quem conhece a política da esquerda pequeno-burguesa, não é novidade a completa adaptação às ideias da burguesia, mais especificamente ao imperialismo, que é quem impulsiona a política de desarmamento do povo.

Um partido revolucionário nunca deveria defender uma política dessas, a não ser que a nossa crença seja a de que as flores vão vencer o canhão, como dizia o hino.

Na Coreia do Norte, é normal as crianças aprenderem a manusear armas para se protegerem do imperialismo

O PCB parece acreditar nisso. Como os setores da pequena burguesia, o partido trocou a luta de classes pelo discurso da paz e do amor. Substituiu a violência necessária da classe operária contra as agressões da burguesia pelo discurso identitário da “masculinidade tóxica”.

A nota do PCB esconde essa política reacionária do desarmamento por trás do escândalo de que as crianças foram colocadas em contato com armas. É como se as crianças precisassem ser isoladas do mundo. O PCB pensa mais ou menos assim: o mundo é quase perfeito, para ser totalmente perfeito, basta esconder as armas das crianças. No máximo, esse raciocínio serviria para os filhos de classe média da esquerda, que não saem do apartamento. A classe média tenta criar seus filhos numa redoma ─ só tenta, pois o mundo é muito mais cruel do que as ilusões da pequena-burguesia.

Os filhos da classe trabalhadora não têm o mesmo privilégio. A violência é algo cotidiano, o mundo é assim. Não será escondendo das crianças a realidade que esse problema será resolvido. Pelo contrário, é muito educativo que as crianças tenham conhecimento das coisas do mundo. Esse é o verdadeiro aprendizado.

“um evento de tal natureza é uma afronta aos direitos das crianças e dos adolescentes e uma violação ao ECA (Estatuto da criança e do adolescente), que, em seu Art. 242, condena vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente arma, munição ou explosivo” ─ diz a nota.

A nota do PCB recorre ao ECA para justificar a condenação do evento. No entanto, trata-se de uma distorção. Até onde se sabe, o evento em Uberaba não forneceu nem armas, nem munições para as crianças. O que o PCB repudia é a simples exposição desses instrumentos em praça pública, uma condenação meramente moral.

Pequeno militante sandinista participa de treinamentos em Bluefields, 1984

Seguindo a lógica dos moralistas pacifistas do PCB, as crianças não deveriam ver filmes, desenhos animados, nem frequentar museus, nem mesmo, em última instância, estudar história. “Vamos proteger nossas crianças”, clama o PCB. Só as “deles”, porque as dos trabalhadores estão submetidas à violência constantemente.

Assim como a política do desarmamento, a ideia de que as crianças devem ser colocadas numa redoma também é reacionária. É a direita conservadora que defende a censura, que defende que as crianças não podem ter aulas de determinados assuntos como educação sexual, por exemplo. O raciocínio do PCB é a versão “de esquerda” dessa mentalidade tipicamente reacionária que a própria esquerda vive criticando.

Para os revolucionários, quanto mais a classe operária souber manejar uma arma, mais preparada ela estará para a revolução. Essa é a única política correta, essa é a moral revolucionária. O desarmamento e o moralismo são reacionários, servem aos inimigos o povo, pois deixam o povo desprotegido daqueles que os agridem.


COTV

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