Polêmica

Ecossocialismo, mais um pega trouxa da esquerda pequeno-burguesa

A esquerda está repleta desses enganadores do ecossocialismo, que não passa de um reformismo do mais reacionário que não quer confronto com a burguesia

Ecossocialismo

Uma das doenças do ecossocialismo é sua visão idealista do mundo, acreditar que são as ideias que formam o mundo e não o contrário. Há muito disso no artigo Ecossocialismo – participação e utopia, de Pertti Simula e Riitta Wahlström, publicado no sítio A Terra é Redonda nesta quarta-feira (17).

Logo de início, os autores dizem que “o esgotamento ambiental e o mal-estar social revelam a urgência de refundar as bases do Estado, trocando a competição destrutiva por uma ética de igualdade e preservação da vida”

O que seria exatamente “refundar” as bases do Estado? Para os marxistas, pelo menos, seria derrotar a burguesia, instaurar uma ditadura do proletariado e assim avançar para o socialismo.

Outro defeito da esquerda pequeno-burguesa é a separação entre os seres humanos e a natureza. Além da elevação da natureza a uma entidade sagrada e, não raro, os pequenos burgueses pensam que a Terra estaria bem melhor sem a humanidade.

Essa visão colide frontalmente com o que pensava Karl Marx, que pode ser exemplificada com uma bela passagem de seus Manuscritos Econômicos-Filosóficos que diz:

“O homem é um ente-espécie não apenas no sentido de que ele faz da comunidade (sua própria, assim como as de outras coisas) seu objeto, tanto prática quanto teoricamente, mas também (e isto é simplesmente outra expressão da mesma coisa) no sentido de tratar-se a si como a espécie vivente, atual, como um ser universal e consequentemente livre.

A vida da espécie, para o homem assim como para os animais, encontra sua base física no fato de o homem (como os animais) viver da natureza inorgânica, e como o homem é mais universal que um animal, assim também o âmbito da natureza inorgânica de que ele vive é mais universal. Vegetais, animais, minerais, ar, luz, etc., constituem, sob o ponto de vista teórico, uma parte da consciência humana como objetos da ciência natural e da arte; eles são a natureza inorgânica espiritual do homem, se meio intelectual de vida, que ele deve primeiramente preparar para seu prazer e perpetuação. Assim também, sob o ponto de vista prático, eles formam parte da vida e atividade humanas. Na prática, o homem vive apenas desses produtos naturais, sob a forma de alimento, aquecimento, roupa, abrigo, etc. A universalidade do homem aparece, na prática, na universalidade que faz da natureza inteira o seu corpo: 1) como meio direto de vida, e igualmente, 2) como o objeto material e o instrumento de sua atividade vital. A natureza é o corpo inorgânico do homem; quer isso dizer a natureza excluindo o próprio corpo humano. Dizer que o homem vive da natureza significa que a natureza é o corpo dele, com o qual deve se manter em contínuo intercâmbio a fim de não morrer. A afirmação de que a vida física e mental do homem e a natureza são interdependentes, simplesmente significa ser a natureza interdependente consigo mesma, pois o homem é parte dela.”

Críticas e saída

Após passar vários parágrafos criticando a crise do capitalismo, a democracia representativa, seus danos e seus limites, os autores perguntam: “como provocar a mudança para desmontar esta crise?” e “quando reconhecemos que não chegamos a essa situação de forma natural ou inevitável? ” Para então responderem que “Quando, em nós, cidadãos, se desperte um sentimento tão forte de injustiça diante do sofrimento da natureza e da humanidade que reagimos concretamente. Assim, podemos começar a desfazer os elementos mais destrutivos das atuais estruturas de poder e desenvolver um modelo de sociedade ecossocialista.”

No texto está escrito logo adiante que “o socialismo significa igualdade e cuidado mútuo incondicionais. Igualdade significa poder igual para todos”. Essa é uma visão infantil. A luta de classes não fica esperando uma epifania, ou uma revelação divina para que se comece a agir. Além disso, de que adiantaria ter uma visão e não ter um programa revolucionário?

É por isso que Marx, Engels e Lênin tratam o socialismo como um movimento real e prático da classe trabalhadora para abolir o atual estado de coisas baseados na propriedade privada, colocando em substituição a apropriação coletiva dos meios de produção e sua gestão democrática.

Todos eles entendem que é necessária a conquista do poder político pelo proletariado e a destruição da burguesia para cessarem os antagonismos de classe.  O socialismo é uma fase de transição entre o capitalismo e o comunismo, na qual o proletariado, de posse do Estado, reprime a burguesia e remove os obstáculos para a construção de uma sociedade sem classes.

Moralismo

O texto é recheado de pregações moralistas, dizendo que “os valores ecológicos significam respeitar e garantir o bem-estar da natureza”, ou que “os valores e o propósito são a base do bom funcionamento de qualquer coletivo”, ou, ainda, que “na verdade, esses valores já fazem parte da base educacional das escolas na Finlândia e na Suécia”.

Onde essa gente está com a cabeça? Esses dois países são os mais novos membros da OTAN, uma organização genocida que está neste momento corroendo e dizimando a Ucrânia para atacar a Rússia. Mesmo Robert Owen estava muito à frente dessa gente.

Desde quando se farão revoluções com base em “sistemas educacionais”? Voltaram para o socialismo utópico e nem se deram conta.

Essa gente não é séria, é um bando de pequenos-burgueses bem de vida que ficam sonhando com um mundo melhor. Por isso escrevem “o que aconteceria se os valores básicos do Estado fossem igualdade, solidariedade e sustentabilidade ecológica, e se eles fossem realmente implementados no cotidiano? Isso levaria a profundas mudanças estruturais que hoje parecem completamente impossíveis. Mas não limitemos nossa criatividade somente ao que parece realista. Preservemos nossa liberdade de pensar além da normalidade.”

Já que está liberada a imaginação, qualquer um poderia perguntar a esse padre e a essa freira: O que aconteceria se os dinossauros não tivessem sido extintos?

Enquanto esses ecossocialistas escrevem que “na parede de uma escola (Instituto Educar) estava escrito: “Um sonho coletivo é o início de uma nova realidade”. Seja a realização do ecossocialismo o nosso sonho coletivo, a nossa utopia”, tem gente atirando mísseis sobre uma escola de crianças no Irã, e soldados sionistas armados até os dentes impedindo crianças palestinas de assistirem aulas.

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