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Roberto França

Militante do Partido da Causa Operária. Professor de Geografia da Unila. Redator e colunista do Diário Causa Operária e membro do Blog Internacionalismo.

Onguismo e identitarismo

A verdade sobre a UP

Partido oriundo das Jornadas de Junho de 2013 não está apoiando Lula, mas se apoiando nele


A Unidade Popular pelo Socialismo (UP) foi organizada a partir das Jornadas de Junho de 2013. Consciente ou inconscientemente, o Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) , formador da UP, juntamente com o Partido Comunista Revolucionário (PCR), entre outros movimentos e integrantes egressos de agremiações partidárias, foi um dos propulsores do Golpe de Estado de 2016. Contudo, na coluna de hoje para este Diário, não abordaremos o gérmen do golpe, mas o papel antirrevolucionário, eleitoralista e reformista da UP.

Também cabe a demonstração de um levantamento preliminar sobre as relações concretas da UP com o imperialismo, não somente inconscientemente, mas com utilização de uma maquinaria institucional de caráter onguista, fortalecida por uma musculatura universitária. Portanto, nesta coluna, analisaremos três aspectos: o identitarismo, o reformismo antirrevolucionário e um suposto suporte financeiro do imperialismo. No primeiro turno, a UP lançou candidatura própria, se contrapondo a Bolsonaro e a Lula.

Programa identitário e onguista

Embora a UP tenha algumas palavras de ordem e pontos programáticos “revolucionários” (provavelmente em atendimento ao PCR), na prática, o partido atua com dois eixos: o primeiro, a ‘luta antirracista’, e o segundo, a ‘reforma urbana’. Essas considerações preliminares foram extraídas da entrevista de Léo Péricles ao programa Pânico, da Jovem Pan. Péricles afirma que a base do partido é a luta antirracista, decorrente da ‘luta por mais democracia no país’.

Péricles afirma ter organizado a luta dentro do MLB na construção de um partido. No decorrer do combate ao governo Dilma e das jornadas de junho, o presidente da UP diz ter organizado a “apresentação de um programa de base socialista antirracista”. Péricles se apresentou ao “Pânico” como candidato à presidência, descrevendo sua vice como “uma mulher negra que se chama Samara Martins, lá do Rio Grande do Norte, moradora da periferia”. Péricles reforça aos entrevistadores: “montamos uma chapa antirracista, e se vocês também me permitem, o objetivo central da gente ter essa candidatura nossa é conseguir mostrar para as pessoas levantar a bandeira antirracista”.

Sem o objetivo de aprofundar a análise de uma candidatura essencialmente identitária, o programa número 2 da UP, a reforma urbana, se diluiu completamente na entrevista. Péricles não atingiu os pontos centrais da especulação imobiliária e do papel do imperialismo na organização das cidades brasileiras, praticamente tornando inerte a luta pelo socialismo, em realidade, um socialismo pequeno-burguês. O próprio MLB tem limitações programáticas por causa do vínculo com o imperialismo, consciente ou inconsciente.

No site do MLB, movimento de base da UP, são apresentadas as organizações com as quais o MLB tem relações: FNRU – Fórum Nacional de Reforma Urbana; Observatório das Metrópoles; Observatório de Favelas; Blog da Raquel Rolnik; Blog da Ermína Maricato; Ocupação Eliana Silva; Jornal A Verdade; CMP – Rio de Janeiro; CMP – São Paulo; FUP – Federação Única dos Petroleiros; CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço; FASE – Solidariedade e Educação; Fundação Bento Rubião; Movimento de Mulheres Olga Benario; MLC – Movimento Luta de Classes; E-metropolis – Revista eletrônica de estudos urbanos e regionais; Direito à moradia; Pela Moradia; Justiça Global; Auditoria Cidadã da Dívida.

Entre observatórios acadêmicos e movimentos sociais, existem vinculações com ONGs. Não sabemos se há financiamento dessas ONGs ao partido, mas há aporte financeiro na ONG “Justiça Global“, aparentemente parceiro do MLB.

Captura de tela do site Justiça Global, parceiro do MLB, movimento de base da UP

Os links apresentados pelo MLB, base da UP, demonstram como o “socialismo” foi distorcido pela UP, e também demonstra a clara vinculação com os interesses de laboratórios acadêmicos. São observatórios, grupos de pesquisa e pesquisadores que parecem se organizar em torno da UP, o que demonstra a aderência das universidades a esses movimentos.

O falso apoio à Lula

Entre todos os partidos de esquerda, o último a manifestar apoio formal à Lula foi justamente a UP, oito dias após o início do Segundo Turno, o que já demonstra uma clara rachadura e vacilação dentro da organização pró-imperialista. Além do atraso na manifestação de apoio, a UP fez uma resolução que não é um apoio real, tampouco apoio crítico, mas uma propaganda do partido, contendo reivindicações à Lula. Condicionaram o apoio a uma lista, assim como fez a direitista Simone Tebet.

Diz o título da nota da UP: “Abaixo a fome e o custo de vida! Fora Bolsonaro!”.

É isso, não há “Lula Presidente”, não há a decisão de lutar por um governo dos trabalhadores, mas uma promessa subliminar na nota. De acordo com a UP:

“Votar em Lula no 2° turno é votar para que os trabalhadores, a juventude, as mulheres e os negros tenham melhores condições para lutar por seus direitos, acabar com a exploração capitalista e construir uma nova sociedade, o socialismo.”

Essa afirmação deve explicar o motivo da UP não ter saído às ruas durante o governo Bolsonaro. Nunca houve luta contra o “fascismo”, nem contra o “neoliberalismo”, mas um acordo tácito de fingir uma luta política, a fim de capitalizar filiados na pequena burguesia. Notem bem, a UP afirma que as “condições para lutar” serão “melhores”. Isso é demonstração clara de covardia ou mesmo de futuro golpismo. Quer dizer, com Lula a UP já afirma que irá lutar “contra a exploração capitalista”, mas capitulou diante de Bolsonaro. A nota finaliza com as seguintes palavras de ordem: “Dia 30 de outubro vote 13! Democracia sim! Intervenção militar não!” e as “propostas da UP para tirar o Brasil da crise”.

Nenhuma palavra contra o imperialismo, um silêncio profundo.

Nenhuma menção a “Lula Presidente”

Porém, na nota, sobra esquerdismo e identitarismo.

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*As opiniões dos colunistas não expressam, necessariamente, as deste Diário.


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