Antonio Nunes Batista, de 40 anos, morreu depois de ser baleado por policiais militares na madrugada de 3 de outubro, na Vila Dionísia, Zona Norte de São Paulo. Um vídeo gravado por testemunhas mostra Antonio cair após receber uma descarga de arma de choque. Os disparos de arma de fogo começam quando ele já está no asfalto.
A perícia recolheu 24 estojos de munição calibre .40, além de três cartuchos da arma de choque, uma faca com cabo branco e um garfo de churrasco danificado. Antonio foi levado à UPA Peri 3, onde a morte foi constatada.
Os três PMs afirmaram que o encontraram em aparente estado de surto, ameaçando pessoas com uma faca e uma barra de ferro. Segundo eles, a descarga elétrica não interrompeu uma suposta investida, razão pela qual abriram fogo. A gravação exige que expliquem o momento decisivo da abordagem: por que atiraram tantas vezes depois de Antonio cair?
Há ainda um problema no relato apresentado pelos agentes. A barra de ferro que dizem ter visto não consta da relação de objetos recolhidos pela perícia divulgada até agora. As imagens não esclarecem tudo o que aconteceu antes dos disparos, mas a investigação não pode simplesmente repetir a versão dos policiais e ignorar aquilo que foi filmado e apreendido.
A Secretaria de Segurança Pública afastou os três homens das atividades operacionais e instaurou um Inquérito Policial Militar. O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa investiga o caso. O afastamento não equivale à responsabilização; a apuração terá de confrontar cada declaração dos agentes com o vídeo e os vestígios encontrados na rua.
Sem a filmagem de uma testemunha, a alegação de uma investida poderia ter prevalecido desde o primeiro boletim. A morte de Antonio mostra o poder entregue a uma força armada que atua nas ruas e apresenta sua própria justificativa após matar. Acabar com a Polícia Militar e pôr a segurança sob controle da população organizada é uma necessidade diante da repetição dessas mortes.





