Um estudante de 12 anos foi atingido no rosto por estilhaços de granada durante uma operação policial no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. Horas depois, na Linha Vermelha, dois ônibus com alunos de 11 e 12 anos foram interceptados por homens armados que pretendiam utilizar veículos como barricadas.
O adolescente ferido estudava na Escola Municipal Teotônio Vilela. Ele foi levado ao Hospital Federal de Bonsucesso e depois transferido para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha. Recebeu alta no mesmo dia.
A operação envolveu aproximadamente 200 policiais militares de diferentes unidades. Segundo o balanço divulgado pela polícia, três suspeitos morreram, outras 13 pessoas ficaram feridas e 12 foram presas. Foram apreendidos 12 fuzis, oito pistolas, granadas e 83 quilos de drogas.
A incursão também impediu o funcionamento de 41 escolas e quatro unidades de saúde. Os moradores da Maré mais uma vez tiveram aulas, consultas, trabalho e circulação interrompidos por uma operação militar de grandes proporções.
Fora da favela, cerca de cem alunos da Escola Eleva viajavam em três ônibus para Vassouras. Dois veículos foram parados na Linha Vermelha. Segundo a polícia, criminosos ligados ao tráfico pretendiam atravessar os ônibus na pista para dificultar a movimentação policial. Ao constatarem que havia crianças dentro, abandonaram os veículos e levaram as chaves.
A mesma política que transforma as favelas em campo permanente de operações acaba espalhando seus efeitos para toda a cidade. Os moradores pobres enfrentam essa situação diariamente dentro de seus próprios bairros; desta vez, crianças de uma escola particular também foram colocadas diretamente diante dela.


