A Polícia Militar anunciou em 30 de outubro que permaneceria por tempo indeterminado na Serrinha e na Primavera, comunidades da Zona Norte do Rio de Janeiro. Na véspera, agentes do 9º Batalhão, com apoio do Bope, haviam realizado uma operação marcada por tiroteios, veículos incendiados e bloqueios de ruas. A PM alegou que a ocupação serviria para conter uma disputa territorial. Não informou quando retiraria as tropas.
Quatro escolas da Serrinha tiveram as atividades afetadas. Uma unidade de atenção primária suspendeu visitas domiciliares e outros serviços externos, mantendo apenas o atendimento no prédio. A circulação de ônibus mudou em Madureira e Irajá. Somadas às operações realizadas em outras comunidades no dia 29, as ações policiais prejudicaram 22 escolas no Rio. Para os moradores, o anúncio da PM prolongou uma operação que já havia interrompido aulas, atendimento de saúde e deslocamentos.
O governo apresenta a entrada de tropas como resposta aos grupos armados. Sua política de segurança, porém, conserva uma das fontes de renda desses grupos: o comércio clandestino criado pela proibição das drogas. A chamada guerra ao tráfico fornece, por sua vez, a justificativa permanente para enviar policiais às favelas. Depois de cada incursão, a PM pode anunciar outra operação ou, como na Serrinha, permanecer sem prazo para sair. Os moradores continuam sem controlar nem o comércio que alimenta as facções nem a força armada enviada para combatê-las.
Por isso, a retirada da PM precisa vir acompanhada da legalização de todas as drogas. A medida defendida pelo Partido da Causa Operária atingiria o mercado clandestino que financia as organizações criminosas e retiraria da polícia o pretexto da guerra às drogas para ocupar os bairros pobres. Luan Monteiro, candidato do Partido ao governo do Rio, também a dissolução da Polícia Militar e a criação de conselhos de bairro, com a segurança organizada e controlada pelos próprios trabalhadores.
Na Serrinha, a PM anunciou sua permanência mesmo depois de informar que não havia registrado novo confronto dentro da comunidade até a última atualização daquela sexta-feira (30). Quem mora ali não pode ficar sujeito a uma ocupação cujo fim depende apenas do comando policial. A legalização das drogas, o fim da PM e a organização da segurança pelos moradores atacam as condições que permitem repetir indefinidamente essas operações.





