O Partido da Causa Operária (PCO) realizará neste fim de semana uma nova rodada de cursos da sexta edição da Escola Marxista, que percorre o Brasil com aulas sobre A atualidade do Manifesto Comunista, de Leon Trótski. A programação de novembro contempla cidades como Manaus, Macapá, Fortaleza, Teresina, Florianópolis e Rio de Janeiro, dando continuidade às atividades realizadas desde outubro em diferentes regiões do País.
No sábado (7), está prevista uma aula no Rio de Janeiro, com o professor Antônio Carlos Silva. Os locais e horários dos encontros poderão ser consultados com a organização pelo telefone (11) 98307-8783. Os cursos são abertos a trabalhadores, estudantes, militantes e simpatizantes interessados em estudar a teoria revolucionária.
A edição começou em 17 de outubro, com atividades em Salvador e Dourados, no Mato Grosso do Sul. No dia seguinte, foram realizados cursos em Curitiba, Recife e Valparaíso, em Goiás. No último sábado (31), a Escola Marxista chegou a Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo.
Na capital paulista, o presidente nacional do PCO, Rui Costa Pimenta, ministrou a aula no Centro Cultural Benjamin Péret (CCBP), após a Análise Política da Semana. O objetivo do Partido é levar a formação marxista a dezenas de municípios, com professores responsáveis por apresentar e discutir a obra de Trótski.
A escolha do livro está diretamente relacionada à situação política brasileira. A esquerda pequeno-burguesa encontra-se em um beco sem saída depois de ter subordinado sua política à frente ampla organizada em torno da candidatura de Lula. Durante o segundo turno, essas organizações apresentaram a aliança com os capitalistas como uma necessidade para combater o bolsonarismo e defender a “democracia”.
Terminada a eleição, Lula conquistou seu quarto mandato, mas os problemas que atingem os trabalhadores permaneceram. Banqueiros e empresários continuaram exigindo ajuste fiscal, contenção dos gastos públicos e medidas favoráveis aos grandes capitalistas. O próprio governo petista procura demonstrar que respeitará os compromissos assumidos com esses setores, dando um giro cada vez mais à direita.
A política defendida pela esquerda pequeno-burguesa não apresenta uma resposta a essa situação. Depois de exigir que os trabalhadores abandonassem suas reivindicações para assegurar a vitória eleitoral, seus dirigentes precisam justificar novas concessões à direita para preservar a aliança que ajudaram a organizar. O combate ao chamado fascismo acabou servindo de justificativa para apoiar uma política de colaboração com a burguesia e ataque ao povo.
É diante desse problema que o estudo do Manifesto Comunista adquire importância. Escrito por Karl Marx e Frederico Engels em 1848, o documento demonstrou que a sociedade capitalista está dividida em classes com interesses antagônicos e que a emancipação dos trabalhadores depende de sua organização política independente.
Em 1937, Trótski retomou as principais conclusões do Manifesto para examinar o que havia ocorrido nos quase 90 anos posteriores à sua publicação. Nesse intervalo, o capitalismo passou a ser dominado pelos monopólios e pelo capital financeiro, a Primeira Guerra Mundial devastou a Europa e a Revolução Russa de 1917 demonstrou a possibilidade de a classe operária conquistar o poder.
Trótski mostrou que esses acontecimentos confirmaram as teses fundamentais de Marx e Engels. A concentração da riqueza, as crises econômicas e o antagonismo entre os trabalhadores e os capitalistas não haviam desaparecido. Ao contrário, desenvolveram-se em escala muito maior.
A obra também examina a ascensão do fascismo e os erros das direções reformistas e stalinistas do movimento operário. Trótski defendeu a unidade das organizações dos trabalhadores para combater a reação, mas se opôs à sua subordinação aos partidos burgueses, como ocorria na política de frente popular.
Essa distinção é decisiva para compreender a situação brasileira. A unidade dos trabalhadores contra a direita não exige que abandonem seu programa para apoiar os representantes da burguesia. A frente ampla defendida pelo PT e pela esquerda pequeno-burguesa, entretanto, parte justamente dessa colaboração entre classes com interesses opostos.
O resultado é uma esquerda incapaz de enfrentar a política dos capitalistas, pois está comprometida com sua aplicação. A discussão apresentada pela Escola Marxista procura mostrar que a saída para esse impasse não está em novas concessões à direita, mas na organização independente da classe operária, com seu próprio partido e um programa de luta pelo socialismo.
A sexta edição da Escola Marxista continuará em novembro, levando essa discussão a trabalhadores e militantes de diferentes cidades. Para obter informações sobre os próximos cursos, incluindo a atividade de sábado (7) no Rio de Janeiro, os interessados podem entrar em contato pelo telefone (11) 98307-8783.




