Alunos da PUC-Rio fizeram nesta terça-feira (13) um ato na entrada da universidade, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro. Sob o lema “A PUC também é nossa”, estudantes favoráveis a Flávio Bolsonaro, acompanhados por parlamentares aliados ao candidato, protestaram depois de serem impedidos de realizar a atividade dentro do campus. Flávio havia gravado um vídeo de apoio à manifestação.
A ordem partiu da Vice-Reitoria Comunitária: nenhum evento político-partidário poderá ocorrer nas dependências da PUC-Rio até o fim do período eleitoral. A administração disse agir para preservar a segurança e a integridade física e moral da comunidade universitária. Segundo O Globo, grupos ligados ao PT também demonstraram intenção de comparecer ao local, e a reitoria alegou temer um confronto. A reportagem não aponta, porém, qualquer agressão ocorrida no ato.
Bastou a possibilidade de que alunos de posições contrárias se encontrassem para a universidade fechar o espaço aos dois lados. Se a intenção era evitar uma briga, por que proibir antecipadamente toda manifestação partidária? A decisão impede atividades de apoiadores de Lula, de Flávio Bolsonaro e de outras organizações, mesmo que se realizem sem qualquer incidente.
A saída proposta pelo reitor Anderson Antonio Pedroso é criar um espaço virtual de discussão nos canais oficiais da PUC-Rio. Estudantes poderiam expor suas posições ali, sob as condições fixadas pela administração, enquanto permaneceriam proibidos de convocar atos presenciais no campus. Troca-se uma manifestação que os próprios alunos organizam por uma conversa administrada de cima.
A gravidade da proibição é ainda maior porque seus alvos são estudantes. A vida política da universidade não pertence à reitoria. Entidades estudantis, grupos de discussão e correntes partidárias precisam poder reunir pessoas e disputar suas ideias abertamente. Em uma eleição presidencial, mandar os alunos guardar suas opiniões para depois da votação equivale a suspender o direito de manifestação quando seu exercício é mais necessário.
É justamente aí que a esquerda comete um erro se aplaude a medida por atingir inicialmente os bolsonaristas. Os estudantes que se apresentaram na porta da PUC-Rio têm uma queixa concreta: foram proibidos de realizar seu ato. Flávio Bolsonaro ganha a oportunidade de apoiá-los e posar de defensor da liberdade dentro da universidade. Quem entrega a ele esse terreno é a reitoria; quem aceita a proibição abandona a disputa pela opinião dos alunos que se aproximaram da extrema direita.
O problema não se resolve mandando esse grupo calar a boca. A esquerda também deveria fazer manifestações na PUC-Rio. Deveria ir ao encontro dos estudantes, defender seu programa, responder aos bolsonaristas e mostrar por que se opõe à política de Flávio Bolsonaro. Não se convence ninguém pela ordem de um vice-reitor. Quando os apoiadores de Flávio protestam e seus adversários se escondem atrás do veto, só um lado aparece disposto a enfrentar a autoridade universitária.
O Diário Causa Operária já denunciou uma proibição semelhante quando, em 2021, o Ministério da Educação do governo Bolsonaro tentou coibir atos políticos nas universidades federais. Agora que os primeiros atingidos pela decisão da PUC-Rio são eleitores de Flávio, seria absurdo mudar de posição. É preciso exigir que a reitoria revogue a ordem, garantir a manifestação dos estudantes dentro do campus e responder à extrema direita com atos e argumentos da esquerda, diante dos próprios alunos.




