Walfrido Warde, advogado de Daniel Vorcaro até janeiro deste ano, ofereceu ao banqueiro ajuda para livrar Alexandre de Moraes das sanções impostas pelos Estados Unidos. A conversa foi encontrada pela Polícia Filial no celular do dono do Banco Master e divulgada por O Globo nesta quarta-feira (23).
Em 1º de agosto de 2025, dois dias depois de Moraes ser incluído na lista de sanções da Lei Magnitsky, Warde propôs “ajudar na defesa do seu amigo Alexandre”. Disse ter uma “estratégia matadora”. Vorcaro respondeu: “Vamos. Vou falar c ele”. A resposta não deixa claro somente que o banqueiro tinha acesso direto ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Ela indica que Moraes e Vorcaro eram amigos do peito, o que aprofunda a relação dos dois revelada pelas investigações, já altamente promíscua.
O plano era recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos, alegando que Donald Trump sancionara Moraes para favorecer Jair Bolsonaro na eleição de 2026. Warde afirmou que tinha contatos úteis para essa iniciativa e sugeriu, em áudio, reunir dez juristas para defender a tese. Disse que não queria pagamento. Minutos depois, tratou de assuntos financeiros do Master com Vorcaro. Moraes saiu da lista de sancionados em dezembro de 2025; as mensagens não mostram que a proposta de Warde tenha sido posta em prática.
O advogado estava oferecendo seus contatos para socorrer o amigo de seu cliente. Vorcaro, por sua vez, prometia falar com Moraes. Um ministro do STF não pode manter esse grau de proximidade com um banqueiro cujos negócios e relações políticas exigem investigação. Mas o que dizer de uma relação que envolve o pagamento de R$211 milhões à família de Moraes, conselhos para fugir do Brasil e encontros físicos entre os dois?
A PF identificou 52 mensagens entre o ministro e Vorcaro, segundo O Globo. O escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do magistrado, enviou ao banqueiro uma minuta de contrato que previa R$3,6 milhões mensais durante três anos. O relatório policial citado pelo jornal aponta que o próprio Moraes editou o arquivo. O ministro negou ter viajado em avião de Vorcaro; O Globo, porém, publicou o registro de uma viagem no jato ligado ao banqueiro. Em setembro de 2025, Moraes configurou as mensagens trocadas com ele para desaparecerem após 24 horas.
Warde é um velho conhecido deste jornal. Em reportagem de 2021, o Diário Causa Operária mostrou que Guilherme Boulos trabalhava como professor e colunista no Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE), presidido pelo empresário. Amigo de Boulos, Warde também o aproximava de outros empresários. Em 2020, doou R$40 mil à sua campanha à Prefeitura de São Paulo. O patrão e mecenas do dirigente do PSOL é o mesmo advogado que agora aparece oferecendo ajuda a Moraes por intermédio de Vorcaro.
O IREE firmou parceria com a Global Americans, organização com integrantes ligados ao governo dos EUA. O instituto de Warde reunia ainda Leandro Daiello, diretor da Polícia Filial durante a Lava Jato, e Sérgio Etchegoyen, que chefiou o Gabinete de Segurança Institucional de Michel Temer e um militar da direita golpista.
O escritório de Warde contratou Sergio Moro para fazer um parecer em favor do empresário Benjamin Steinmetz numa disputa contra a Vale. Moro recebeu R$750 mil. Seu parecer aproveitou material obtido pela empresa israelense de investigação privada Black Cube, como denunciou o DCO. Warde também doou R$10 mil à campanha de Kim Kataguiri em 2018, tornando-se o quinto maior doador particular do candidato do MBL.
No STF, Flávio Dino suspendeu a discussão sobre o relatório policial que registra as mensagens entre Moraes e Vorcaro. Cristiano Zanin recusou o pedido para obrigar o Senado a instalar uma CPI sobre as relações de ministros da Corte com o banqueiro. Gilmar Mendes tomou o partido de Moraes na crise. Fica claro que Dino, Zanin e Gilmar agem como uma quadrilha política para blindar o comparsa. Suas próprias ligações com o caso também precisam ser investigadas.
Moraes deve ser afastado imediatamente. Os contratos da família, as mensagens e as viagens exigem uma investigação totalmente pública, completa e independente. A gravidade dos indícios exige ainda que a autoridade competente examine sua prisão, com base nas provas e sem entregar a decisão aos ministros que hoje o protegem.
O STF revela-se, nu e cru, um verdadeiro lamaçal. A instituição que usurpou o poder dos órgãos eletivos nos últimos anos e manda e desmanda no País, instaurando uma ditadura censuradora e repressiva contra os mais elementares direitos democráticos, precisa deixar de existir. Não pode haver um órgão com tamanho poder composto por 11 burocratas que estão acima de toda a nação, que jamais foram eleitos pelo povo e cujos privilégios legais já são imorais, o que dizer de sua notória corrupção?
E o empresário “de esquerda” (sic), intermediário do imperialismo com Boulos, o PSOL e a esquerda institucional, mostra-se, como este Diário já denunciava havia anos, um verdadeiro Cavalo de Troia que desmoraliza ainda mais essa mesma esquerda ao participar dos esquemas do banqueiro corruptor com o ditador corrupto Alexandre de Moraes.





