Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou a liminar pedida pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) para obrigar Davi Alcolumbre a dar andamento à CPI do Banco Master. Protocolado em 9 de março, o requerimento mira as relações pessoais e financeiras do banqueiro Daniel Vorcaro com os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Cabe ao presidente do Senado tomar as providências para a instalação da comissão; até agora, isso não ocorreu.
Zanin alegou que Vieira não apresentou provas suficientes da omissão de Alcolumbre. Disse ainda que havia um pedido anterior de CPI sobre o Master e que não conhecia toda a tramitação dos requerimentos. Solicitou esclarecimentos ao Senado e deixou aberta a possibilidade de reexaminar o caso. A CPI não foi proibida em definitivo, mas a ordem para fazê-la avançar foi negada.
O pedido tem, segundo Vieira, 41 assinaturas e espera há quase seis meses. O senador prometeu apresentar mais documentos e declarou: “A decisão do ministro Zanin é uma decepção, como aliás tem sido decepcionante a atuação do STF em geral”. Enquanto Alcolumbre não age, Zanin lhe concede mais tempo.
Alcolumbre tem o rabo preso com a quadrilha de Moraes, por isso teme abrir uma CPI. Como todo alto funcionário da burguesia, o próprio senador não é imune a revelações de relações promíscuas com os banqueiros. Além disso, assumiu uma aliança (não muito comprometida, de sua parte) com Lula nestas eleições, e o escândalo Moraes-Vorcaro tem sido muito prejudicial a Lula.
Em 15 de setembro, Zanin já havia ajudado a impedir que o STF decidisse sobre a investigação de Moraes. Gilmar Mendes propôs que a sessão examinasse também acusações contra André Mendonça, responsável por levar ao tribunal o relatório da Polícia Filial sobre os contatos entre Moraes e Vorcaro. Zanin apoiou Gilmar: sustentou que o tribunal deveria discutir primeiro a atuação de Mendonça. Flávio Dino acompanhou a manobra e pediu vista. A reunião terminou sem uma resposta sobre a investigação de Moraes.
Zanin integra, com Gilmar e Dino, a quadrilha política que age em torno de Moraes no STF. Naquela sessão, o grupo deslocou a discussão para o ministro que apresentara o relatório policial a fim de melar a sessão. Agora, quando o Senado poderia investigar os vínculos de integrantes da Corte com o Master, Zanin encontrou uma razão para deixar a CPI esperando. É assim que se protege um comparsa sem precisar dizer abertamente que ele não deve ser investigado.
O escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, assinou um contrato de cerca de R$131 milhões com o banco. Desse valor, R$80,2 milhões haviam sido pagos até a liquidação do Master. A polícia encontrou ainda a minuta de outro acordo, de R$50 milhões, que o escritório afirma não ter assinado.
No celular de Vorcaro, a PF recuperou mensagens que indicam contatos com Moraes inclusive no dia em que o banqueiro foi preso, além de referências a encontros entre eles. As respostas do ministro não foram recuperadas, pois parte da comunicação usava imagens de visualização única. Ou seja, Moraes apagou suas mensagens a Vorcaro para não ser pego de calças curtas. Mas a podridão é tão grande que isso é secundário comparado com o restante de sua relação promíscua com o banqueiro, que o levou a uma desmoralização total ao ponto de a própria burguesia que o alçou ao cargo extra-oficial de ditador estar em campanha para removê-lo a fim de salvar o restante do bando.





